É a pensar na elevada taxa de insucesso entre as startups, que a publicação “Harvard Business Review” questionou 141 ex-alunos e empreendedores da Harvard Business School, a escola de negócios da universidade que foi esta semana distinguida como a melhor do mundo — mais uma vez — no Ranking de Xangai, sobre o que precisa um futuro empresário de saber para ter sucesso no negócio.
Segundo vários estudos, 90 por cento das novas empresas não conseguem passar de uma fase inicial de existência. A realidade é encarada como natural no meio do empreendedorismo, mas geradora de grande instabilidade entre os seus actores.
Ser bom em tudo
As respostas ao inquérito confluem numa conclusão geral: “Nenhuma competência de gestão se sobressai perante as outras”, ou seja, quem escolhe o caminho da gestão tem de saber dominar várias frentes com a mesma perícia. Antes da ideia e das finanças, o mais importante, para 88 por cento dos entrevistados, é ser capaz de escolher e organizar a equipa responsável por levar o projecto avante. “Ter olho” para os co-fundadores certos, distribuir responsabilidades, recorrer a conselheiros e, no final, liderar a equipa com mestria são elementos centrais de uma gestão eficaz.
Por outro lado, conseguir transmitir a visão e a cultura organizacional, resolver dilemas éticos e gerir conflitos também são atributos cruciais para que o negócio não se desmonte.
Apenas a seguir a estes eixos surgem questões relacionadas com o produto e a área de marketing e vendas. As capacidades técnicas no domínio da engenharia são a última prioridade de uma lista de dez apontada pelos entrevistados.

Mentalidade de empreendedor

No final de uma lista de perguntas programadas pela revista americana especializada em gestão e negócios, a “Harvard Business Review” questionou sobre que pontos faltaria abordar.
A resposta mais comum foi que os aspirantes a empresários devem ter uma “mentalidade de empreendedor”, na qual entram características como a persistência e a resiliência, bem como a capacidade de “fazer o impossível com pouco”. Flexibilidade, responsabilidade e determinação para concretizar projectos são outros atributos essenciais. Ainda assim, “tudo isto é teoria até ser feito”, avisa um dos inquiridos, fazendo notar, ao mesmo tempo, que a teoria pode ser “a chave para atingir a confiança” necessária.
A aprendizagem, por sua vez, pode ocorrer através do estudo de casos práticos, experiências em projectos durante o ensino ou observando as aventuras, erros e êxitos dos pares.
Há ainda um ponto sem o qual nenhum negócio se consegue sustentar. Como apontou um dos participantes neste inquérito, “certos de que sabem o que querem construir, os fundadores de empresas tecnológicas ignoram demasiadas vezes o conselho de que devem escutar o cliente”. No final, “nada mais importa se estiver a ser construído um produto que ninguém quer”, cita a “Harvard Business Review”.