1 nas características peculiares do sector agrícola. A agricultura tem as suas especificidades, pelo que se justifica a criação de normas específicas para o sector, numa altura em que se fala e escreve muito sobre o desenvolvimento da agricultura em Angola. Não foi por acaso que a Austrália, cuja agricultura tem um peso significativo tenha sido, o primeiro país a criar normas específicas a nível de Contabilidade para este sector. Mais tarde, a partir de Dezembro de 2000 é aprovada a International Accounting Standard (IAS) nº 41-Agricultura, em português Norma Internacional de Contabilidade, pelo International Accounting Standard Board (IASB).
Porém, é necessário ver algumas especificidades do sector agrícola:
i. Dependência do clima
Há uma grande relação entre o clima e a agricultura, isto porque as práticas agrícolas estão extremamente dependentes das variações climatéricas como quantidade de chuvas, temperatura e outros elementos que interferem na produção agrícola.
ii. Correlação tempo de produção versus tempo de trabalho                           
A agricultura em Angola ainda é predominantemente de subsistência e muitos camponeses já têm uma idade avançada, pelo que, para os mesmos e família, é importante a auto-suficiência alimentar. Por outro lado, temos uma população agrícola com muita pouca preparação académica, o que faz diminuir a rentabilidade dos trabalhos agrícolas.
É verdade que nas empresas agrícolas essa correlação de tempo de produção e tempo de trabalho é menor, mas também é verdade que há um grande absentismo nos seus trabalhadores agrícolas, pois deixam as empresas para irem trabalhar os seus campos e regressarem depois das suas lavras estarem prontas.
iii. Dependência de condições biológicas
O ciclo de produção agrícola está estritamente relacionado com as condições biológicas. As condições determinam ainda a irreversibilidade do ciclo produtivo, ou seja, não se pode alterar a sequência da produção como por exemplo interromper uma produção de milho para se começar uma produção de feijão.
iv. Incidência de riscos
A perda de culturas, as pragas, as enchurradas são entre outros factores, nefasfos a uma boa colheita. Daí, a maioria das seguradoras não subscreverem seguros de colheita. Caso o façam, o prémio é por norma muito alto, o que coloca o agricultor numa situação complicada quando tem de optar por este seguro.
v. Produtos não uniformes
Enquanto na indústria é possível obter-se produtos uniformes, na agricultura tal não é possível, pois não se pode determinar com rigor a forma, o tamanho e a qualidade dos produtos.
vi. A distribuição
Para que haja uma boa distribuição implica uma boa rede rodoviária, o que ainda não temos em Angola. Por outro lado, implica a existência de meios frios para que possibilitar a conservação dos produtos até à sua distribuição e é bem sabido que a maioria dos nossos camponeses não tem esses meios.
vii. Alto custo de saída e/ou de entrada
Na actividade agrícola, algumas explorações exigem altos investimentos como maquinaria, albufeiras, e consequentemente, condições adversas de preço e mercado, como por exemplo a compra de insumos que não há em Angola.
2 A contabilidade agrícola
 2.1plano geral de contabilidade (pgc) e a international accounting standard board( ias) nº 41- agricultura
O Plano Geral de Contabilidade, não está  devidamente preparado para a adopção de uma Contabilidade Agrícola.
Não obstante, as empresas agrícolas devem adaptar os seus planos de contas às regras estabelecidas pelo PGC e, dentro do possível, à International Accounting Standard nº 41-Agricultura. Mas, além desta adaptação, essas empresas têm forçosamente de preparar uma Contabilidade Analítica. Também têm de ser rigorosas nos sistemas de controlo que permitam: inventários pelo menos trimestrais, controlo do gado e seus derivados, evolução das colheitas(activos biológicos que se mantêm ou são destruídos por causas exógenas, controlo dos produtos agrícolas e derivados)…
Entre as definições encontradas  no parágrafo (§) 5 da IAS 41, temos:
Actividade agrícola é a gestão por uma entidade da transformação biológica e a colheita de activos biológicos para venda ou para conversão em produtos agrícolas ou em activos biológicos adicionais.
Porém, a nível contabilístico esta pode ser muito mais ampla a nível conceptual, tendo em conta que pode haver:
• Contabilidade Agrícola; é a Contabilidade Geral aplicada às empresas agrícolas;
• Contabilidade da Zootécnica: é a Contabilidade Geral aplicada às empresas que exploram a Zootécnica. Como exemplo: avicultura (criação de aves); cunicultura (criação de coelhos); pecuária (criação de gado); piscicultura (criação de peixes)…
• Contabilidade da Pecuária: é a Contabilidade Geral aplicada às empresas pecuárias;
• Contabilidade da Agroindústria: é a Contabilidade Geral aplicada às empresas agroindustriais.
Em suma, todos estes tipos de Contabilidade têm subjacentes, na generalidade, as empresas agrícolas de média e grande dimensão em Angola.
A IAS 41 (§5) define como “Produto Agrícola o da colheita dos activos biológicos da entidade” e temos como exemplo os que constam da tabela a seguir que se encontra expressa no § 4 desta IAS:
Como complemento:
Uma planta destinada à produção é uma planta viva que:
a)    É utilizada na produção ou fornecimento de produtos agrícolas;
b)    Irá fornecer produtos agrícolas por um período que se espera ser superior a um ano e;
c)    Tem uma probabilidade remota de ser vendida como produto agrícola, com excepção de vendas ocasionais de resíduos.
Um activo biológico é um animal ou planta vivo.
Assim, as árvores de fruto são activos biológicos (plantas vivas) que têm como objectivo a produção de frutos (produtos agrícolas) que poderão ser transformados em parte ou na totalidade.
No ponto de vista contabilístico, as árvores de fruto devem ser consideradas como Imobilizado Corpóreo e a produção de frutos como mercadorias, mas se essa produção destinar-se à transformação como exemplo, compotas, fruta em calda… já a produção de frutos não são mercadorias, mas sim matérias-primas e as compotas e fruta em calda produtos acabados.
Porém, se houver plantas destinadas à produção e deixarem de ser utilizadas para o cultivo de produtos agrícolas, podem ser cortadas e vendidas como resíduos, por exemplo, para utilização como lenha, como define o § 5B da IAS 41, podendo usar-se para o efeito a conta 63.1- Serviços Suplementares do PGC cujo âmbito: “Esta conta destina-se a registar produtos inerentes ao valor acrescentado, de actividades que não sejam próprias da actividade da empresa”.