Com o passar dos anos e a crescente predominância da internet, o modelo dos 4 Ps tem sido sistematicamente colocado em xeque.
Numa época, em que os consumidores parecem saber quase tudo sobre produtos e serviços, o antigo marketing-mix viabilizado pelos 4 Ps “parece estar” desalinhado com o modo como os negócios são efeitos na actualidade. O tempo corre contra o modelo dos 4 Ps, diariamente evidencia-se a necessidade do marketing se adaptar às novas tendências comerciais.

Quatro Ps do marketing
Os 4 Ps significam um conjunto de pontos de interesse para os quais as organizações devem estar atentas, para que possam atingir os seus objectivos de marketing, onde sobressaem o produto, preço, distribuição e a promoção.

Segundo um estudo efectuado durante cinco anos pela Harvard Business Review, com  500 gestores entrevistados e vários consumidores, o modelo dos 4 Ps fragiliza as organizações e os markiteiros, de três maneiras:
1. Leva as equipas de marketing e vendas a consumirem muito tempo em qualidade e tecnologia associada ao produto. Apesar da importância desses elementos, os investigadores sublinham que estes não são relevantes, representando apenas o custo de entrada do produto no mercado.  
2. Menospreza a importância de apresentar-se um argumento convincente que justifique o valor superior do (produto ou serviço) colocado à disposição do cliente; (ou seja, não é gasto tempo suficiente a educar o consumidor informando-o sobre o motivo da oferta).
3. Impede que as empresas apresentem as vantagens dos seus produtos e serviços como uma fonte fiável de resolução de problemas.
Os 4 Ps já não são ágeis o bastante para apoiar as empresas modernas, face a esta evidência, que método devem os empresários e marketers utilizar?

Pesquisas recentes aconselham a que se empregue a metodologia SAVE cujo foco comercial enfatiza a solução, acesso, valor e educação na promoção de produtos e serviços.
Mudam-se os tempos mudam-se as “tendências”, o que obriga a uma reorientação da perspectiva mercantil. O novo “modus operandi” recomenda:
1. Foco na solução e não no produto, ou seja, o consumidor não revelará interesse nas características e usabilidade de um produto se este não resolver os seus problemas. É preciso ter presente que não são sobre as características do seu produto em que você deve concentrar-se, mas sim sobre os problemas que os seus clientes desejam resolver. Resolva o problema deles, melhor do que a concorrência, para que o seu (produto ou serviço) se torne uma prioridade para eles.
2. Foco no acesso e não na localização. A internet esbateu as fronteiras do mundo e tem vindo gradualmente a alterar a forma de negociar. Com ela, a localização tornou-se uma variável irrelevante. O que importa hoje é o acesso e o que pode, neste momento, uma marca oferecer é sobre esta reorganização mercantil que as empresas devem concentrar-se.

A solução não passa por apenas se ter uma página na internet e promovê-la, mas sim desenvolver uma presença transversal que acompanhe toda a experiência de compra do cliente e não apenas a concretização do acto. Para que isso seja efectivo o consumidor necessita de interagir com frequência com a marca, para que tenham a sensação de que ela vai lá estar
se algo correr mal.
3. Foco no valor e não no preço. Pontualmente, os clientes reclamam sobre o preço de alguns produtos, afirmando que podem encontrar um artigo similar na internet a um preço mais acessível.

Antes de se questionar sobre se deve ou não baixar o preço do seu produto, preocupe-se primeiro com o valor do mesmo. Esta orientação é vital para que possa aprimorar o seu valor, antes de partir para a guerra de preços com a concorrência.
Os clientes apenas se preocupam com o preço dos produtos após terem analisado o valor dos mesmos. Em contextos comerciais procure balancear convenientemente os benefícios da sua oferta relativamente ao preço a adoptar. A percepção do valor de um, produto ou serviço, é muito mais importante para o cliente do que o seu preço, em primeira instância.
4.Foco na educação e não na promoção. Uma das verdades clássicas do marketing a “Lei dos 7”, sublinha que um consumidor necessita de interagir pelo menos (7 vezes) com uma marca, até que decida adquirir um produto ou serviço.
Com o aparecimento do marketing de conteúdo o número de vezes a que um cliente deve estar exposto a uma marca para que se dê início a um acto de compra, foi reduzido.

Simplesmente, porque a disponibilização de conteúdo relevante, valioso e grátis, cria um vínculo muito mais forte com o consumidor do que qualquer outra forma de publicidade. “Em tempo de clientes bem informados que tomam decisões de compras mais aprofundadas, criar valor na cabeça do consumidor passa também pela criação de uma relação de confiança que vai além das promessas da marca e da relação emocional, é preciso informar e facilitar o processo de tomada de decisão”.

Os velhos métodos de marketing, face à modernidade, são limitados porque assentam na interrupção do consumidor, e “não dá mais para sobreviver interrompendo estranhos com mensagens que eles não querem ouvir, sobre um produto do qual nunca ouviram falar, usando métodos que os incomodam”.

As empresas contemporâneas têm a oportunidade de municiar e envolver os clientes com informações relevantes, criando uma sensação de familiaridade e confiança, muito antes de este efectuar uma compra. Ao estimular a confiança de forma gradual a empresa cria e fortalece o vínculo dos clientes
com a marca.

Marketing e negócios são sinónimos que devem acompanhar as tendências de mercado, concebendo produtos e serviços que satisfaçam as necessidades do consumidor. Sendo que o marketing é por demais importante para que seja entregue sua sorte.
O modelo SAVE parece reunir todos ingredientes que o mundo actual dos negócios impõe. Contrariamente aos 4 Ps de (McCharthy) o SAVE foca-se no cliente procurando dar resposta as suas necessidades. Será que é chegada a hora da reforma dos 4 Ps?