Considerado o pai da administração moderna, Peter Drucker (1909- -2005) foi um homem que esteve muito à frente do seu tempo e grande parte das suas obras, escritas há mais de 30 anos, são consideradas influentes até hoje.

Drucker diz que hoje precisamos nos autogerenciar mais do que em qualquer época. Em 1960, já previa que o mundo entraria na era dos “trabalhadores do conhecimento”, ou seja, do trabalho do qual realizaríamos mais com nossos cérebros do que com nossas mãos. O homem, acostumado com trabalho braçal, passaria a dedicar seu tempo na geração de ideias, conceitos e informações. O que soa como algo banal agora, para a época representou uma grande queda de paradigmas.

Ele ainda revelou que os trabalhadores do conhecimento, a não ser nos níveis mais baixos, não se mostram produtivos se tiverem sob ameaça. Somente a auto motivação e a auto direcção os torna produtivos. Para produzirem, eles precisam ter a sensação de estar a conquistar algo. Eles também necessitam continuamente de novos desafios e de novos estímulos para continuar a crescer, no trabalho e na vida.

Para Drucker, uma pessoa deve descobrir uma organização que tenha valores semelhantes aos seus, pois só assim ela conseguirá usar ao máximo suas competências essenciais e só assim o seu aprendizado constituirá uma fonte de prazer, em vez de obrigação.

Profissional multidimensional
“O propósito do trabalho de formar o futuro não é decidir o que deve ser feito amanhã, mas o que deve ser feito hoje, para se ter um amanhã”. Peter Drucker acreditava que a chave para uma vida completa é dedicar-se a um conjunto diversificado de interesses, actividades e objectivos, assunto que ele chamou de “viver em mais de um mundo”. Para ele, quanto maior o número de mundos em que você habita, mais oportunidades em rede estarão a sua disposição. Um mundo paralelo ao qual você já está acostumado pode proporcionar oportunidades de liderança que não estão disponíveis em seu emprego principal.

É importante para as pessoas que trabalham em empresas, terem um interesse externo, conhecerem outras pessoas, e não apenas se deixarem absorver totalmente por seu pequeno mundo. Ele se concentra quase que exclusivamente na necessidade da criação de uma segunda carreira, como um trabalho voluntário. Actuar em vários mundos significa participar de diferentes grupos em diferentes ambientes do qual você não está acostumado. É confraternizar com seus amigos do futebol de terça--feira, é frequentar uma igreja com pessoas de opiniões diferentes da sua ou participar de discussões políticas na sua página de facebook.

Liderança servidora
Ligando suas ideias ao tópico anterior, Drucker afirma que a pessoa mais capacitada a trazer grande contribuição a empresa é a pessoa madura – e você não terá maturidade se não tiver vida ou interesses fora do trabalho.
Para ele, um líder deve proporcionar os recursos para que os seus seguidores possam dar as contribuições mais significativas. Deve concentrar-se no crescimento pessoal de seus liderados e em como isso contribui para um propósito maior do que qualquer objectivo social. Não se trata de conceder energia aos seguidores, mas de ajudá-los a liberá-la a partir de si mesmos.
Peter Drucker escreveu vários livros ao longo da sua carreira, entre eles, “Desafios gerenciais para o século XXI” (1999), “Administrando em tempos de grandes mudanças” (1995) e “Sociedade pós-capitalista” (1993).