Apesar de existirem diversas definições para Governo Electrónico, tomemos como referência a do Banco Mundial, segundo o qual é o “uso das tecnologias de informação e comunicação pelas agências governamentais, que têm o poder de transformar as relações dos cidadãos, empresas e outros sectores do Estado”.
A definição de eGov assenta não apenas no uso das tecnologias, mas numa compreensão multidisciplinar de governação e, numa visão integradora, que evolua de forma sustentada e progressiva com maior abrangência e ênfase na tecnologia, na organização e optimização dos serviços, e como agente activo e facilitador da reforma
permanente da governação.
Uma das acções fundamentais para a implementação do eGov, é a execução de um Planeamento a médio e longo prazos para as chamadas TICs (Tecnologias dos Sistemas de Informação e Comunicações), planeamento este, que define as macro estratégias de modernização e racionalização de sistemas, custos e competências dos recursos humanos.
No início deste século, os organismos públicos geriam e criavam autonomamente novos sistemas de informação de forma desarticulada, com baixa integração entre os diferentes sistemas de informação, recursos, investimentos, meios e sistemas duplicados. Como consequência, existiu uma redução do efeito de escala na aquisição, implementação e gestão dos sistemas.
Contudo, podemos constatar que nos últimos 15 anos, houve uma alteração para reverter a situação, com a criação de planos estratégicos de modernização e racionalização das TIC por parte dos governos, para melhorar a eficiência dos processos internos e a qualidade dos serviços prestados ao cidadão e empresas.

A melhoria dos processos, racionalização de investimento e a eliminação de soluções duplicadas, apontam para uma cuidada atenção nos seguintes aspectos:
• Definição e implementação da governação das TICs na administração pública;
• Planos de racionalização, organização e gestão;
• Arquitectura, normas e orientações de tecnologias e sistemas de informação;
• Definição e implementação de uma estratégia de segurança da informação;
• Avaliação de projectos e despesas TIC;
• Racionalização de comunicações e plataforma de comunicações unificadas;
• Racionalização dos centros de dados;
• Interoperabilidade na administração pública;
• Catalogação, partilha e uniformização de software do estado;
• Nuvens Privadas ou Híbridas na administração pública;
• Directório de boas práticas TIC.
Como conclusão, refira-se que o eGov deve ser encarado como um desafio constante e permanente à reforma da governação, com foco na inovação e que tenha impacto a nível:
• Do suporte à modernização administrativa em diferentes sectores e a diversos níveis, com óbvios ganhos de eficiência e diminuição de custos operacionais;
• Da melhoria da qualidade e eficiência dos serviços públicos;
• Da disponibilização de enormes volumes de dados;
No ambiente cada vez mais competitivo, globalizado, ágil, e exigente, não será possível a não implementação pelos governos, de soluções integradas no uso das tecnologias, para as práticas de uma governação, eficaz, transparente e participativa na inclusão de toda a população e as suas instituições.
É o desafio do presente! É a necessidade urgente deste futuro que já nos bate à porta, e que exige determinação e compromissos das entidades governamentais com eficácia e eficiência.