O princípio da prudência pressupõe o emprego de certo grau de precaução no exercício dos julgamentos necessários às estimativas em certas condições de incerteza, no sentido de que activos e receitas não sejam super estimados e que passivos e despesas não sejam subestimados, atribuindo maior confiabilidade ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais.
Para melhor entender a sua aplicabilidade, devemos lembrar-nos de factos que exigem estimativas e que envolvem incertezas de grau variável. Esses factos geralmente referem-se a mutações posteriores ao fim do exercício, como por exemplo, a existência de uma acção trabalhista contra a empresa - cujo desfecho somente ocorrerá após o final do exercício financeiro.
Neste caso, é necessário constituir uma provisão para perdas, atendendo ao Princípio da prudência, mesmo sabendo que o resultado poderá ser favorável à empresa. O risco de falência de um cliente da empresa é outro caso no qual devemos aplicar o Princípio da prudência, mesmo sabendo que talvez não haja perda total do crédito a receber do cliente falido, ou ainda, o cliente pode até reverter a sua situação pré-falência, mas a provisão deverá levar em conta o critério que resulte num menor Património Líquido, resultando, neste caso, numa provisão 100 por cento do crédito relativo ao cliente.
Observe que na aplicação do Princípio da Prudência há sempre incertezas, pois quando há certeza em relação ao valor a ser provisionado, o seu registo estará a atender o princípio da oportunidade. Entretanto, a aplicação do Princípio da Prudência não deve levar a excessos, à situações classificáveis como manipulações dos resultados, com a consequente criação de reservas ocultas. Pelo contrário, deve constituir garantia de inexistência de valores artificiais, de interesse de determinadas pessoas, especialmente administradores e controladores, aspecto muito importante nas Entidades integrantes do mercado de capitais. Deve-se evitar, portanto, a prevalência de juízos puramente pessoais ou de outros interesses na aplicação da prudência.