Mesmo com o surgimento de novas unidades hoteleiras no mercado, a oferta de quartos continua muito aquém da procura pelos hotéis, no país, em geral, e em Luanda, particularmente, ao mesmo tempo que os preços continuam a disparar. O momento de desenvolvimento que o país regista convida a deslocação de milhares de estrangeiros, sobretudo aqueles que aportam a Angola para o turismo empresarial e de negócios, mas também de lazer, embora com um índice ainda inexpressivo, e de desporto, este que atingiu o seu ponto mais alto durante a realização, em Janeiro último, da Taça de África das Nações de Futebol (CAN 2010).

Quantos aos preços, eles continuam a subir ou a manter-se nos escalões em que se encontram, mesmo que apareçam no mercado novas ofertas em termos de camas, uma prática que se poderá prolongar por muito mais tempo. E, neste particular, a explicação da situação tem a ver com o facto de que, em parte, os elevadíssimos custos da edificação de infra-estruturas, no quadro de uma cada vez mais galopante especulação imobiliária, se reflectem agravadamente no consumidor final.

O exemplo do Hotel de Convenções de Talatona (HCT), o primeiro e único de cinco estrelas no mercado angolano, ilustra bem quanto os custos neste segmento de mercado são proibitivos. Nessa unidade, o quarto mais barato custa USD 600 por dia, com pequeno-almoço incluído, enquanto para o mais caro, uma suite presidencial, o interessado desembolsa para o mesmo período USD 5.000. Mas, mesmo para unidades de menos estrelas, as médias para um single rondam os USD 400, enquanto já se torna de todo difícil encontrar em Luanda um alojamento individual num hotel de três estrelas por um preço abaixo de USD 200, sendo este o praticado em algumas pensões do casco urbano.

Convém sublinhar que o elevado custo das unidades hoteleiras angolanas tem estado na base da desistência de muitos turistas que querem visitar Angola, em negócios, lazer ou por motivos familiares. Assim aconteceu com o CAN 2010, altura em que nem todos os hotéis estiveram lotados como era de esperar, precisamente devido aos elevados custos com o alojamento.

Novas unidades

Numa altura em que a capacidade instalada hoteleira nacional responde por cerca de pouco mais de duas mil camas, o alojamento vai ganhando alguma dimensão, com o lançamento de novos projectos.

O Hotel Vila Alice, inaugurado no passado dia 14, é um deles. O empreendimento turístico, com a categoria de três estrelas é património da Assembleia Nacional, que também se vê em apuros, quando se trata de suportar as despesas dos deputados destacados nas províncias, quando se deslocam a Luanda, em missão de serviço. Os parlamentares terão desconto de 10%, em relação à taxa cobrada aos clientes normais. Situado no bairro homónimo, bem no casco urbano de Luanda, o Hotel Vila Alice tem 126 quartos executivos, dotados de TV satélite, Internet, telefone, frigorífico bar, lavandaria, centro de negócios, sala de reuniões e boutique.

Uma outra unidade, o Novo Hotel, foi inaugurada no dia 10 de Abril na cidade do Lubango. Com 72 quartos, distribuídos em dois blocos, em cinco andares, possui restaurante, bar, ginásio e um SPA, bem como quatro salas de reuniões e uma de conferências, cinema e sauna. Tem três estrelas e é propriedade do grupo empresarial Ducard, através da sua subsidiária Six & Seven. A empresa pretende expandir pelo país uma cadeia de hotéis, com o próximo a ser aberto em Benguela, provavelmente ainda no decurso deste ano. Luanda, Huambo, Cabinda e Zaire constam igualmente da carteira de projectos da Ducard para o ramo hoteleiro.

Investimentos hoteleiros

Para aumentar a oferta de camas, o Ministério da Hotelaria e Turismo, em parceria com a empresa alemã Roland Berger, têm em programa a construção de 355 unidades hoteleiras, num investimento de USD 1,8 mil milhões. O programa, a ser executado através de um Plano Director, até 2012, prevê criar 50 mil novos postos de trabalho.

Ainda no quadro do programa, vão ser edificados três hotéis escolas com 96 quartos cada, nas províncias de Luanda, Benguela e Huíla, para servirem as respectivas regiões. Numa outra projecção, o Governo vai investir USD 4 milhões para a construção de 165 hotéis municipais com a categoria de duas estrelas. As unidades terão a dimensão média de 50 quartos cada.

Neste momento, empresas privadas estão a construir no país 60 unidades hoteleiras. Outras 30 serão adjudicadas após um concurso público. Os participantes da empreitada vão receber empréstimos reembolsáveis em 10 anos, sendo que deverão garantir 15% do custo total do hotel, bem como as despesas de abertura do concurso.

De acordo com dados do Ministério da Hotelaria e Turismo, o Estado arrecada anualmente USD 550 milhões de receitas turísticas. Em 2009, houve um crescimento de 60%, comparativamente ao ano anterior. O turismo de negócio, principalmente, lazer e desporto são os segmentos que mais têm contribuído para a entrada de divisas. O parque hoteleiro do país é composto por 250 hotéis, 357 pensões, 11 aldeamentos turísticos, cinco aparthotéis e 134 hospedarias.

Números do sector

USD 1,8 mil milhões - investimento previsto até 2012

355 - hotéis a serem construídos

250 - hotéis existentes no país

USD 550 milhões - receitas turísticas anuais

Mais detalhes sobre este assunto na edição impressa do Jornal de Economia & Finanças desta semana, já em circulação