Aristóteles disse: “O Homem, por instinto e raciocínio, é um animal social”. Esta máxima dita por aquele antigo filósofo na Antiga Grécia manteve-se sempre actual ao longo da civilização humana. Ao viver em sociedade, o Homem é gerador de interesses e conflitos.
São as pulsões da vida e da morte de cada indivíduo que, na evolução do seu percurso, determinam as estruturas psíquicas e os modos de relacionamento consigo e com os outros. Há vários modos relacionais que dependem do grau de maturidade psíquica dos indivíduos, tendo em consideração as mutações do desenvolvimento psíquico e dos pontos de fixação de energia psíquica, e desta forma vamos relacioná-los com a vida das empresas, mais propriamente, da relação
entre accionistas/sócios.
Quando as sociedades comerciais são constituídas, os seus accionistas/sócios estão imbuídos de um espírito de luta, de vitória, como se se tratasse da implementação de um modelo de actor único em que a organização tem uma identidade definida e homogénea. Como costumo dizer muitas vezes, é a fase de namoro, onde tudo é cor-de-rosa.
Só é pena que essa harmonia e esse espírito de luta não se mantenham sempre, ou seja, que sejam desgastados ao longo dos anos, nomeadamente nos tempos de crise, em que o modelo de actor único passa para um modelo político em que a organização é vista como um conjunto de jogadores (accionistas/sócios) dotados de interesses e de objectivos próprios, que controlam diferentes recursos como: autoridade, estatuto, dinheiro,
pessoas, ideias, influências…
Assim, digo que, quando se constitui uma sociedade comercial, é importante saber quem são os parceiros e criar um espírito de missão alicerçado em quatro componentes: i) Qual a finalidade ou razão de ser da sociedade; ii) Qual a estratégia a implementar; iii) Quais os princípios éticos que norteiam a actuação da empresa; iv) Quais os padrões de actuação esperados dos colaboradores da empresa. Um dos grandes males verificados no arranque de uma sociedade é a falta de capitais próprios, nomeadamente para determinados sectores de actividade (importante ver o ciclo de exploração da empresa).
Outro grande erro é não ser traçado um plano estratégico em que se analisem as barreiras de entrada e saída do sector de actividade onde a empresa está inserida. Esse plano estratégico deve ser alicerçado em planos operacionais que amiúde devem ser analisados e corrigidos, conforme as mudanças ocorridas
na vida das empresas.
É importante saber qual a estrutura dos custos da empresa e se deve ser dada prioridade aos custos fixos em detrimento dos custos variáveis, ou vice-versa. As sociedades são organizações sociais onde há interesses a defender, no caso particular dos accionistas/sócios que disponibilizam meios financeiros para a constituição do seu capital.
Como organização, é natural e normal que, entre os accionistas/sócios, haja alguém que lidere a empresa e, muitas vezes, é no tipo de liderança que se pretende implementar que está o motivo da clivagem dos interesses sociais.
O líder possessivo age energicamente contra todos, castra a opinião dos outros accionistas/sócios, o que, na maioria dos casos, obriga que os outros deixem as coisas correrem e, nas reuniões, pouco ou nada dizem, porque não se querem aborrecer.
O líder narcisista tem como característica um psiquismo que se orienta para a conservação de si mesmo, diferenciando-se do possessivo pela sua megalomania, ou seja, as empresas por si dirigidas vivem para além das suas capacidades financeiras, e o recurso à banca é frequente. Dever dinheiro é normal. Para este tipo de líder, nunca há sucessor, pois considera-se eterno.
Este tipo de líder é referido por D. Miller, J.M. Toulosse e N. Béranger na sua obra Top ExecutivePersonality and Corporate Strategy como: “personalidade de empresário que promove a expansão”, ou seja, são gestores mais virados para os resultados imediatos e visíveis.
O líder sedutor é aquele que, ao chegar à empresa, cumprimenta de beijo todos os colaboradores de sexo oposto, não quer conflitos, quer ser bem-visto por todos. A organização funciona ao sabor da corrente.
O líder sensato tem um psiquismo bem formado, pode ser acatado mas nunca é temido, ou seja, é o ideal para que uma organização funcione em pleno e perdure no tempo. Perante o exposto, e tendo em conta os vários tipos de líderes, uns mais problemáticos que outros, os conflitos sociais fazem com que as empresas percam valor competitivo.
E quando a separação é difícil perante determinadas barreiras de saída, como, exemplo, dívidas ao Fisco, maior participação no capital de um determinado accionista/sócio em que a dissolução e liquidação é difícil de se concretizar, é frequente ver-se a agonia das suas empresas, que muitas vezes têm como fim a falência.