Os resultados alcançados em 2010 no sector da Agricultura e das Pescas são animadores, a julgar pela concretização dos projectos de grande relevância direccionados para o aumento da produção agro-pecuária, pesqueira e florestal.

Segundo o ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, Afonso Pedro Canga, que falava no acto de cumprimentos de fim-de-ano, realizado em Luanda, no passado dia 29, no ano agrícola 2009/10 houve um total na ordem de 125 mil toneladas na produção de cereais, mais de 12 por cento do que na safra anterior.

Quanto à produção do café, o titular do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas (MINADRP) destacou que o país continua a beneficiar dos estímulos decorrentes deste produto, medida que tem levado os produtores a renovarem os cafezais e a ampliarem as suas áreas de cultivo. Já na produção de leguminosas, foi registada uma colheita de 371 mil 368 toneladas. Em termos de raízes e tubérculos, o seu crescimento foi na ordem dos sete por cento, comparativamente à campanha de 2009.

No sector pecuário, o país registou um ligeiro crescimento, onde, segundo estimativas do ministério, a produção de carnes, sobretudo a de aves, deverá crescer significativamente nos próximos anos. Na sua intervenção, Afonso Pedro Canga sublinhou os resultados alcançados no programa de concessão de créditos de campanha aos pequenos produtores familiares organizados em associações e cooperativas, tendo, de Setembro a Novembro de 2010, sido concedidos empréstimos de 20 milhões de dólares norte-americanos, beneficiando aproximadamente 12 mil camponeses.

Um dos grandes ganhos que o sector da Agricultura alcançou em 2010 foi o reinício da produção de algodão, sendo que uma fábrica de descaroçamento desta matéria-prima está localizada na província do Kwanza-Sul.

O repovoamento florestal, principalmente nas zonas mais “críticas” de algumas províncias, com destaque para o município do Tômbwa, no Namibe consta dos principais projectos desenvolvidos pelo ministério durante o ano de 2010, tendo o titular da pasta frisado que, apesar das “imensas” dificuldades com que se debate o ramo, houve um empenho no controlo e gestão da exploração florestal e nas acções relacionadas com o inventario florestal.

Pescas

Em relação às pescas, Afonso Pedro Canga destacou que o seu pelouro tomou importantes medidas na gestão dos recursos, consubstanciadas num maior controlo do esforço da pesca, com a retirada de embarcações com artes de pescas e potências de motores inadequadas ao exercício da actividade, em conformidade com a legislação em vigor. O ministro sublinhou que o Executivo reforçou a capacidade do serviço nacional de fiscalização da pesca e da aquicultura com a entrada em operação de 10 embarcações.

O volume de captura de pescado verificado até ao primeiro trimestre de 2010 foi de 108 mil 191 toneladas, o que representou mais de três por cento do que a produção verificada no mesmo período do ano transacto. O sector registou um dinamismo na indústria pesqueira com o surgimento de novos empreendimentos privados, tal é o caso da fábrica de farinha e óleo de peixe e de uma unidade de congelação de pescado, localizada na província costeira de Benguela.

Na ocasião, o ministro salientou que a veda da pesca de algumas espécies, como o carapau, está a surtir os objectivos desejados, na medida em que já se regista a recuperação gradual destas espécies.

Desafios

Para 2011, o Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas vai continuar a fomentar e a promover a produção alimentar. Neste domínio, Afonso Pedro Canga anunciou que a sua instituição pretende redinamizar a produção das culturas industriais, “para atender às necessidades das indústrias e diversificar as fontes de rendimentos, quer do Estado, quer dos indivíduos, em particular”, disse.

Para que esta intenção tenha o respaldo desejado, o governante sublinhou a necessidade de estimular-se o fortalecimento das parcerias público-privadas, numa base de partilha de vantagens e resultados. Em 2011, a investigação agrária e pesqueira deverá ser fortalecida, segundo o titular, para poder apoiar satisfatoriamente o desenvolvimento do sector.

Afonso Pedro Canga salientou que algumas empresas tuteladas pelo MINADRP deverão ser objecto de uma “profunda” análise para avaliar a sua situação patrimonial, contabilística, fiscal, financeira e legal com vista à tomada de medidas para a reorientação do seu futuro, almejando-se a melhoria da sua eficiência.

Leia mais sobre outras notícias na edição impressa do Jornal de Economia & Finanças desta semana, já em circulação