A extensão da rede de agências obriga os bancos a melhorarem os serviços por via da formação para aperfeiçoamento das práticas.

A Associação Angolana de Bancos (ABANC) reúne, nesta altura, 20 associados, num conjunto de bancos de capital público-privado e de capitais estrangeiros, além de bancos de retalho e bancos comerciais de empresas. Com efeito, a perspectiva de expansão das instituições financeiras bancárias levou-as a investir continuamente nos seus recursos humanos. Actualmente, este é um dos factores que diferencia as perspectivas de crescimento dos cerca de 20 operadores do sector.

Com investimentos à volta dos milhares de dólares, cerca de quatro bancos comerciais já avançaram para a constituição das suas próprias instituições de ensino, dando assim ao Instituto de Formação Bancária (IFBA), um reforço complementar na reposta à capacitação de quadros.

O Banco Africano de Investimentos (BAI) por exemplo, considerado um dos maiores bancos angolanos vai aproveitar o seu décimo quinto aniversário no dia 14 de Novembro, para inaugurar a sua tão esperada academia. Orçada em 33 milhões de dólares, a instituição de ensino está já em construção há mais de um ano e somente no final deste ano estará concluída.

Capacidade

Com a previsão de acolher 120 formandos por ano, na primeira fase, a academia terá 40 salas de aula (cada qual com um número máximo de 30 alunos), e será dirigida a trabalhadores do BAI de todos os níveis hierárquicos. Também terá um refeitório (com capacidade para 200 pessoas) e um balcão-escola (para as aulas práticas), e, numa segunda fase, será construído o auditório e um segundo bloco de edifícios. A mesma será também aberta a terceiros.

De acordo com a assessora da Comissão Executiva, Noelma Abreu, com esta aposta na formação de quadros, a academia pretende reforçar não só as competências técnicas, mas também as competências comportamentais, ética e conduta dos profissionais daquela instituição financeira, cuja estratégia principal consiste em desenvolver-se de modo a atingir os seus colaboradores.

A academia do BAI, com capacidade para acolher 120 formandos por período lectivo, vai receber prioritariamente os colaboradores do banco. “A motivação para a criação desta escola é o desenvolvimento do conhecimento no sentido lato do termo, com o foco principal de fornecer as ferramentas necessárias para que os profissionais possam dar resposta às exigências do mercado nacional”, disse a fonte, para quem também poderá ajudar no posicionamento em paridade com outros do sector, a nível regional, numa primeira fase e posteriormente, em tempo já perspectivado, ser uma referência da qualidade do ensino e formação profissional.

Gastos na formação

De acordo com o BAI, o orçamento anual para a capacitação e desenvolvimento dos seus recursos humanos, ronda os quatro milhões de dólares. Contando com mil 426 colaboradores, o projecto do banco não se fica somente pelos profissionais daquela instituição financeira, pois, como garantiu Noelma Abreu, “a escola estará aberta a outros que procuram melhorar os seu nível de profissionalismo”. Hoje, porém, todos os candidatos que entram no BAI já têm de passar por um centro de formação que funciona na Universidade Metropolitana, também em Luanda-Sul, de modo a que fiquem a conhecer a história do banco, os manuais e códigos de conduta e os requisitos específicos para cada função, cabendo ao Instituto de Formação Bancária (IFBA) a capacitação mais teórica e generalista. Com efeito, a futura academia BAI visa completar o ciclo, oferecendo uma formação de nível equivalente a um curso superior. “Será complementar, e não concorrente, à do IFBA ao qual estamos e continuaremos ligados”, sublinha.

Além de Luanda, vários profissionais das restantes províncias do país poderão ser formados na academia do BAI, pelo que as condições e infra-estruturas permitem a deslocação. “Vão usufruir de todas as facilidades necessárias para adquirirem conhecimento, vivenciarem a cultura BAI e desenvolverem-se de modo a melhorar os seus níveis de eficiência, produtividade e, naturalmente, influenciarem positivamente os resultados na instituição, a todos os níveis”, revela.

Área de formação

A academia propõe-se a formar em diversas áreas. Desta forma, além de serem ministrados conhecimento a nível de áreas financeiras, ou outras de suporte ao funcionamento, serão, igualmente, transmitidos conteúdos a nível da gestão de equipas, gestão do tempo, das relações com os clientes, das relações de trabalho, que é considerada “a principal forma de garantir melhores práticas, competitividade e sustentabilidade”.

Para acolher os formandos, a academia conta com diversas salas de formação, anfiteatros, biblioteca, sala multiusos para o desenvolvimento da cultura do BAI e outras áreas de convívio onde se pretende criar condições para que a socialização seja mais uma forma de reforço da cultura.

Enquanto decorrem as obras e se aguarda pela sua inauguração, o BAI já estuda toda a componente relacionada com o modelo de organização da sua escola, “de modo a que o rigor e a exigência sejam uma forma de garantia do sucesso e da excelência da academia”. Por isso, Noelma Abreu avança que já estão previstos métodos, quer de avaliação, quer de admissão, mas que são adaptados aos diferentes níveis de formação. Contudo, no sector e no país, a assessora da comissão Executiva defende uma cultura de mérito em que o nível de desempenho seja directamente relacionado com todas as formas de desenvolvimento e progressão da carreira.

Níveis de formação

Por enquanto, a escola não assegura os níveis secundários e superiores. Entretanto, Noema Abreu promete que a academia vai desenvolver-se de forma faseada para que possa atingir esses três níveis, mas, acrescenta que “estamos a criar o projecto de implementação, procurando a sustentabilidade, tendo o cuidado de criar condições para evoluir gradualmente, mas de forma sólida e consistente”.

Quanto ao quadro docente, prevê-se que seja o necessário e adequado às formações que se vão ministrar, pelo que haverá necessidade de garantir a qualidade com profissionais internacionais para algumas disciplinas, ou cursos, mas a estratégia é também a de formar um quadro docente próprio, angolano e já da instituição, de modo a ir-se reduzindo gradualmente a necessidade de professores de outras nacionalidades.

“Não vamos abdicar da partilha e da troca de experiências, sobretudo, daqueles professores que possam garantir a excelência que procuramos, experiências das melhores práticas internacionais, pois, só assim, poderemos posicionar uma instituição como a nossa, num nível elevado e competitivo”, afirma, acrescentando que, a nível de África, existem países, como por exemplo, a África do Sul que têm instituições financeiras muito fortes e Angola tem de saber desenvolver as suas capacidades e competências, para conseguir, além do crescimento, o desenvolvimento adequado aos recursos naturais e financeiros do país.

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