Quando as pessoas se referem à maioria das marcas de moda, dizem: “Visto Armani”, “Visto Prada” ou, ainda, “Visto Versace”. Quando, no entanto, falam da Zara, dizem: “Compro na Zara”. A curiosa diferença linguística, destacada por Enrique Badia no seu livro “Zara e as suas irmãs”, não é apenas de natureza semântica, mas esconde a filosofia de uma grife e de um novo modo de colocar a moda à disposição do consumidor: “A Zara não é tanto um modo de vestir, mas um modo de comprar e, logicamente, de vender”. Amancio Ortega, que cofundou a empresa espanhola junto com a sua ex-esposa, Rosalia Mera, começou a trabalhar numa loja de roupas aos 14 anos. Agora, o grupo Inditex, que revolucionou a indústria da moda, controla marcas como a Zara, Massimo Dutti, Stradivarius, Oysho e Pull&Bear e tem mais de sete mil e 500 lojas no mundo todo. Ortega se tornou o sexto homem mais rico do mundo, com um património avaliado em 70 mil milhões de dólares, segundo a lista de multimilionários da Forbes. Mas, se alguém lhe pergunta como ele conseguiu interpretar a instabilidade de alguns hábitos no consumo de roupas da Espanha pós-franquia e chegar ao sucesso, limita-se a responder: “Nem eu saberia explicar. Talvez qualquer pessoa fosse capaz”. Veja as sete lições de negócio de Amancio Ortega e da história da Zara:
1. Conheça todo o processo produtivo - Ortega, além de desenvolver uma certa sensibilidade em relação às exigências da clientela, aprendeu a conhecer as várias etapas da cadeia de produção e os canais de fornecimento ao atacado;
2. Acredite na cultura da tentativa e erro - Nenhum sucesso chega sem um fracasso anterior. A cultura da tentativa e erro parece estar bem presente na identidade empresarial da Zara, onde tudo funciona em um tipo de teste contínuo. “Parece que a empresa é obsecada mais por aquilo que não funciona do que por aquilo que demonstra andar bem. E não são poucas as pessoas que atribuem esse facto à mania de perfeição que caracteriza quase obsessivamente o fundador;
3. Coloque o cliente no centro de todas as escolhas estratégicas - Qualquer empresa que sonhe em se tornar grande deve colocar o cliente no centro de todas as escolhas estratégicas. No que diz respeito à Zara, isso é ainda mais verdadeiro: o cliente se torna inspiração para o negócio. Boa parte das criações, como admite a própria empresa, é inspirada nos clientes;
4. Não tenha medo de investir quando necessário - Uma máxima que reflecte bem a ideia que Ortega tem da gestão das finanças é que não vale a pena cuidar das despesas quando um investimento se apresenta como claramente vantajoso;
5. Alimente o debate na empresa - Antes de decidir, reflecte e escuta muitas pessoas, frequentemente alheias à empresa e até ao sector. Justamente por isso na Zara são comuns o debate, a exposição de ideias, a discussão e a liberdade de opinião.
6. Aposte na publicidade, mas com certas ressalvas - É mais rentável e comunicativamente mais eficaz investir em outdoors, porta-vozes e páginas em revistas e jornais ou numa loja bem visível no centro da cidade;
7. Alugue uma garagem - Ortega iniciou o seu negócio em 1963 numa garagem de 80 m², numa rua na periferia de Corunha, onde instalou uma máquina para a produção de roupas. Na verdade, com o advento da internet, os “locais” onde iniciar uma empresa mudaram radicalmente. Contudo, a iconografia da garagem como cenário de início da actividade tornou-se um símbolo de empreendedorismo perseverante e combativo que vence apesar das condições precárias da partida.