A companhia de Bioenergia de Angola (BIOCOM) vai aumentar a sua produção este ano para 100 mil toneladas de açúcar, contra as 73 mil produzidas em 2018, perspectivou na passada terça-feira, o director-geral adjunto, Luís Júnior.
Este aumento representa um crescimento na ordem de 37 por cento superando os 21 atingidos entre os anos 2017 e 2018, referiu ao falar à Angop sobre a produção da empresa.
A Biocom aumenta a produção todos os anos, pois em 2014, altura em que foi lançada a primeira produção, a companhia produziu três mil toneladas, que passaram em 2015 para 25 mil, 52 mil em 2016 e em 2017 atingiram 58 mil.
Com quatro linhas de enchimento, sendo duas para sacos de 50 quilogramas, instaladas na principal fábrica em Capanda (Malanje) e outras duas para sacos de um quilograma e cinco gramas (para café e bares), em Luanda a Biocom cobre 25 por cento das 300 mil toneladas consumidas em Angola.
Com 25 mil hectares de plantação de cana-de-açúcar, a sua produção destina-se ao
mercado nacional.

Custos de transportação
A propósito deste constrangimento, o gestor explicou que a companhia vai gastar, neste ano, mais de três milhões de dólares norte-americanos para a transportação de 100 mil toneladas de açúcar, contra os 2 milhões de dólares gastos em 2018.
Explicou que para transportar 100 mil toneladas de açúcar seriam necessários 2.400 camiões, um custo muito elevado para transportar o produto até a zona de comercialização. Situação que influencia no preço do produto.
Para ele, a colocação de ramais de caminho-de-ferro nas zonas produtivas, para o transporte de mercadorias, vai reduzir os custos de produção e vai permitir que o consumidor final adquira o produto a menos preço.
O problema dos custos altos com a logística é extensivo a todos os pólos com alto nível de produção e se houver algum incentivo de, vai reduzir os custos operacionais e a população acaba por se beneficiar.

Actuação
A Biocom, primeira empresa angolana a produzir e a comercializar açúcar, etanol e energia eléctrica a partir da biomassa, está a trabalhar com base no Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI) e conta com três mil trabalhadores.
Instalada no Polo Agro-Industrial de Capanda (PAC), na província de Malanje, município de Cacuso, numa área de 81.201 hectares, dos quais 70.106 são agricultáveis e 11.095 destinam-se a áreas de preservação permanente da vegetação nativa, a empresa destaca-se pela modernidade e tecnologia aplicadas no processo industrial e agrícola.
A produção de energia eléctrica pela Biocom tem como cliente a Rede Nacional de Transporte de Electricidade (RNT) e o etanol é fornecido às indústrias de bebida e produtos de limpeza.