As últimas vinte e uma locomotivas em falta, de um total de 100, encomendadas por Angola à multinacional General Electric (GE) chegam em 2020, informou, recentemente, o director-geral do Instituto Nacional dos Caminhos de Ferro de Angola (INCFA), Ottoniel Manuel.
Ao apresentar o diagnóstico do sub-sector dos transportes ferroviários (1973/1990 e 2002/2017), referiu que as 79 locomotivas já foram recebidas e distribuídas aos caminhos-de-ferro de Luanda, de Moçâmedes de Benguela.
As locomotivas dispõem de um duplo sistema de funcionamento, diesel e eléctrico e foram financiadas pela Agência Pública de Apoio a Exportação do Canadá (EDC), num valor global de 430 milhões de dólares norte-americanos.
A encomenda feita pelo Instituto Nacional dos Caminhos-de -Ferro de Angola (INCFA).
Os comboios estão a servir os serviços do Caminho-de-Ferro de Benguela, com 1.344 quilómetros (Lobito/Luau), de 904 km de Moçâmedes e de Luanda, com 460 quilómetros até Malanje.
Os serviços dos Caminhos-de-Ferro de Angola retomaram em 2002, período marcado com a recuperação e reabilitação das linhas férreas e estações.
O processo iniciou com a reabilitação de infra-estruturas, passando também pela substituição das travessas, aumento da capacidade das toneladas por eixo, de 20 para 22 , além da reabilitação de 121 estações de primeira e segunda classes.

Aposta do sector


No âmbito da aposta feita no capital humano, neste período foram construídos três centros de formação nas províncias do Huambo, Luanda e Huíla.
“Em muitos casos, os acidentes e incidentes que são registados ao longo da via são causados pela ausência ou insuficiência de equipamentos de comunicação”, admitiu o responsável.
Entre 1973/1990, o sector foi marcado com transporte de milhões de toneladas de carga, um ciclo económico de extracção das riquezas mineiras, matéria-prima e commodities do país para o envio para às ex-potências coloniais e seus parceiros económicos,
De acordo com o responsável, o CFM chegou a transportar seis milhões de toneladas, o CFB três milhões e o CFL 10 milhões de mercadorias.
Naquele período eram controladas 64 locomotivas em Luanda, 123 em Benguela e 81 em Moçâmedes.
As linhas férreas de Angola estão ligadas em rede, sendo o Caminho-de-Ferro de Luanda com 469 quilómetros (Luanda, Cuanza Norte, Malanje), o de Benguela, o maior com mil 344 quilómetros (Benguela, Huambo, Bié, Moxico) e Moçâmedes com mais de 904, ligando o Porto do Namibe à cidade de Menongue (Cuando Cubango).