O Ministério da Energia e Águas está a desenvolver projectos estruturantes destinados à melhoria do abastecimento de água potável, para a província de Luanda. Enquadrado no plano de acção do sector para o período 2013/2017, o programa pretende, a curto prazo, aumentar o fornecimento, produzindo cerca de 150.000 metros cúbicos (m3) /dia, medida que vai contribuir para a melhoria dos níveis de cobertura.

Segundo um documento do ministério de tutela, serão desenvolvidos vários subprogramas, que, além da construção de novas estações de tratamento de água (ETA), contemplarão também a reabilitação de infra-estruturas existentes, nomeadamente os sistemas de Kifangondo II e do Kikuxi.

Execução
O plano teve o seu início em 2012 e compreende a estabilidade no fornecimento de energia eléctrica dos centros de produção, a aquisição dos grupos de bombagem e respectivos quadros de comando, aumento da capacidade de produção da ETA (sistema 3), a tubagem de interligação entre os centros de distribuição (CD) do Camama e Benfica II, além da aquisição de 300 mil contadores para a rede existente.

Projectos estruturantes
Para a ampliação do abastecimento de água, os projectos deverão permitir, a médio prazo aumentar a oferta em 12 m3/segundo, reforçando assim a cidade de Luanda, viabilizando o abastecimento de água às novas centralidades, com realce para as urbanizações do Zango, Sequele e Km 44, bem como do novo aeroporto de Luanda (Bom Jesus).

Para o efeito, prevê-se a construção do sistema 4 (Bita), que terá a sua captação no rio Kwanza, através de uma conduta de 1.600 milímetros (mm), com 6 quilómetros (km) de extensão até à ETA-Bita.

A fonte frisa que a produção diária inicial da ETA/Bita será de 3,0 m3/s e incluirá todos os processos de tratamento convencional de água. A construção desta estação de tratamento de água decorrerá em duas fases para atingir uma capacidade de 6 m3/s.

A ETA-Bita deverá fornecer água à parte Sul de Luanda, através de cinco centros de distribuição, nomeadamente do Camama, Benfica I e II, Cabolombo e o Rocha Pinto. A primeira fase que decorrerá até 2015 contempla a construção de duas condutas adutoras de 1.200 mm, com 18 km até ao CD do Camama.

O projecto prevê a construção do sistema 5 (S5), também denominado Quilonga Grande, que terá a sua captação no rio Kwanza, com uma produção diária inicial da ETA, estimada de 3m3/s e incluirá todo o processo de tratamento convencional de água. Esta estação será ampliada numa segunda fase para atingir a capacidade de 6 m3/s.

A ETA do Quilonga Grande deverá abastecer água à parte Leste de Luanda, através dos centros de distribuição do Km 44, Nova Cidade 1 (Zango), Nova Cidade 2 (Zango), Cacuaco 2 (Sequele), Viana (novo), Morar, novo aeroporto e Bom Jesus. O documento sublinha que as urbanizações Nova Cidade do Zango 1, Nova Cidade do Zango 2, Nova Cidade de Cacuaco (Sequele) e Cidade do Km 44 serão alimentadas pelo sistema V, quando estiver concluído.

Défice de abastecimento
Segundo a fonte, o défice de abastecimento de água para Luanda está estimado em cerca de 60 por cento, tudo por causa do crescimento demográfico significativo, facto que exerce uma enorme pressão sobre a infra-estrutura urbana, incluindo o sistema de abastecimento de água.

O sistema público de abastecimento de água a Luanda, gerido pela Empresa Pública de Água de Luanda (EPAL) é composto por três estações de captação, cinco ETA, 12 CD e 3.180 km de rede de abastecimento. A fonte destaca que duas das estações de captação estão associadas às respectivas estações de tratamento de água (ETA), nomeadamente à do Candelabro e de Kifangondo.

Estado actual
A província de Luanda conta com cinco estações de captação e bombagem de água. A ETA do Cassaque, com capacidade de 5.28.m3/s. devido ao estado de operacionalidade das bombas, apenas 6 das 8 unidades instaladas funciona regularmente (3.96 m3/s), o que condiciona a capacidade de produção e adopção de água de todo o sistema Sudeste de Luanda.

Existe a estação de Kifangondo, com uma capacidade de bombagem de 1.62m3/s (140.000 m3/dia). A sua capacidade está limitada devido à avaria de bombas de água tratada; a estação de Candelabro, que tem uma capacidade de bombagem de 0.7 m3/s (60.000 m3/dia); Luanda Sudeste, com uma capacidade de bombagem de 2.5 m3/s (216.000 m3/dia). A província conta ainda com a estação de Luanda-Sul, que tem uma capacidade de bombagem de 0.67 m3/s (57.600 m3/dia) e por fim a do Kikuxi, que tem uma capacidade de bombagem de 0.2 m3/s (17.200 m3/dia). Esta instalação carece de uma reabilitação profunda.

Diagnóstico
A fonte que temos vindo a citar destaca que a situação contabilística, fiscal e patrimonial da Epal, as vendas e as prestações de serviços registam um “crescimento real”. Entretanto, o documento revela que as receitas provenientes de subsídios à exploração são uma parte crítica da empresa, correspondendo a mais de 45 por cento do total.

“Apesar da evolução das vendas, a capacidade de cobrança da EPAL é muito reduzida e a sua dependência dos subsídios estatais muito significativa”, frisa, depois de acrescentar que os resultados líquidos são consequência da forte degradação da margem operacional decorrente do crescimento das amortizações e da incapacidade de cobrança.

Medidas prioritárias
Para se inverter o actual cenário, o plano de acção do sector da Energia e Águas para o quinquénio 2013-2017 contempla várias acções, com destaque para a modernização da Epal, na qual o realce recai para “(re)definição” da estratégia da empresa; estabelecimento de contrato-programa; redefinição e implementação de plano de investimentos na infra-estrutura; massificação da instalação de contadores assim como a avaliação da terciarização de actividades de manutenção e operações.