A Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA) apoia “uma política de mecanização agrícola descentralizada”, medida que deve ser tomada a curto prazo, para que o país possa sair da produção de subsistência para a de auto-suficiência.
Em alusão ao início da época agrícola 2017/2018, que iniciou recentemente, o director-geral da Adra, Belarmino Jelembi, revelou ao JE, que há muitos agricultores com potencial para aumentar a escala, mas há limitações.
“A mecanização é uma limitação, mas é preciso entender que ela não deve ser vista de forma isolada. Há que assegurar tudo à volta, como mecânicos, peças sobressalentes, combustíveis, tractoristas e capacidade de gestão, para ser tirado maior proveito destes meios”, sublinhou o gestor.

Mais apoios

Actualmente, destacou, a questão essencial deve ser também a facilitação do acesso aos serviços. Para ele, uma vez melhorado o acesso aos serviços de assistência técnica, insumos, mercado, sementes de qualidade “a produtividade e a produção aumentam”.
Instado a se pronunciar sobre os meios que o Governo tem disponibilizados ao sector, para alavancar o se crescimento, o gestor frisou que os apoios
ainda “não são suficientes”.
“O primeiro e mais importante passo é colocar a agricultura na agenda da política económica e social. Vejo alguns sinais neste sentido. Se formos consequentes, tudo o resto virá por arrasto, porque o diagnóstico sobre o que é preciso fazer já existe”, disse.

Perspectivas

Sendo uma organização não-governamental que procura contribuir para o desenvolvimento rural sustentável, o director-geral da Adra destacou que a campanha agrícola 2017/2018 está a merecer alguma atenção, comparativamente ao passado.
Destacou que alguns insumos chegaram cedo ao país e foram postos à disposição dos agricultores, mas ainda existem situações que preocupam a organização, como por exemplo os fertilizantes que na visão da Adra são escassos para elevada procura.
“Há que assegurar transparência no acesso a esses insumos agrícolas. É importante que os insumos não fiquem no “filtro da corrupção”, como acontece muitas vezes no nosso país”, augurou.
Por outro lado, Belarmino Jelembi espera que este ano agrícola haja chuva suficiente para não comprometer as culturas “sobretudo porque no nosso país a produção, na sua maioria, depende da chuva”.
O director-geral da Adra realçou que o sector agrário nacional está em “renascimento”, depois de alguns momentos menos bons.
“Há vários sinais de que será dada outra prioridade. Temos de esperar como é que o Orçamento Geral do Estado de 2018 será elaborado, para percebermos sinais concretos de apoio ao sector agrário”, frisou.
Belarmino Jelembi entende que o Estado tem grandes responsabilidades em matéria de investigação científica e formação de quadros para suportarem o desenvolvimento do sector de forma sólida.
“Aplica-se também a questão das vias de acesso e a política de acesso às divisas. O resto, os produtores podem fazer desde que o ambiente de negócios mude e o investimento para a industrialização comece a entrar para o país”, precisou.

Actuação no mercado

A Adra é uma organização não-governamental angolana que actua no mercado desde 1990.
Tem intensificado o seu trabalho na advocacia a favor do incentivo da agricultura familiar e estimular o movimento associativo nas comunidades rurais, para melhor organização dos pequenos agricultores, principalmente nas províncias da Huíla, Cunene, Malanje, Benguela, Luanda e Huambo.
A Adra trabalha com uma vasta rede de doadores e parceiros, em que se destaca o Banco Bai Micro Finança (BMF), AfrikaGrupperna, União Europeia, Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
(PNUD) e o Banco Mundial.