Pelo menos 41.723 famílias camponesas da província do Cuando Cubango estão envolvidas na campanha agrícola 2016/2017, garantindo a renda a população rural, cifrada em cerca de 223.660 habitantes.
Os dados foram revelados, recentemente, pelo director da agricultura no Cuando Cubango, Manuel Mateus Alexandre, tendo avançado que o sector traçou uma estratégia agrícola com acções pertinentes que visam a mitigação dos constrangimentos atinentes à actividade na província.
Segundo o responsável, a província encontra-se inserida na política nacional de diversificação da economia, onde a agricultura é chamada a dar o seu contributo para sanar este marasmo de constrangimento que as comunidades rurais vivem.
Manuel Mateus Alexandre disse que o contexto económico e financeiro que o país vive criar sinergias para a solução dos vários problemas que as comunidades rurais vivem, fruto do baixo preço do barril do crude no mercado internacional.

Eixos de intervenção
O responsável apresentou os eixos de intervenção ligados aos sectores agrário, pecuário, da silvicultura, da piscicultura, organização comunitária e comercialização e apoios a grupos minoritários Khosan.
Explicou que, a organização comunitária deverá nortear a intervenção desta estratégia no sentido de mitigar os efeitos negativos de estiagem, aproveitamento sustentável dos recursos disponíveis, melhorar a organização, criar a competitividade entre as explorações agrícolas familiares e empresariais.
Para o sector agrário, prosseguiu, o foco deverá nortear-se na estruturação da cadeia produtiva, desde a preparação de terras, assistência técnica aos produtores, comercialização com efeito multiplicador que seriam apoiados em termos de insumos e outros equipamentos agrícolas.

Mais apoios
A nível da província, a estratégia do sector passa também pela reorganização das associações e cooperativas agrícolas, apoiar aos agricultores com gado de tracção animal, potenciar o crédito agrícola aos camponeses na linha de financiamento através do Banco de Desenvolvimento Angolano (BDA), o programa “Angola Investe” e outras instituições e promover a investigação na agricultura familiar.
Na área silvicultura, avançou que será definição do processo sobre o tratamento da madeira de exploração, reforçar a fiscalização, revitalizar a produção de plantas, capacitar os fiscais e madeireiros, emitir certificados de instâncias e certificados fitossanitário e reorganizar os serviços de extensão.
No sector da pecuária, a estratégia recai para a necessidade de aquisição de gado para tracção animal, de vacinas para animais, construção de mangas de vacinação, sensibilização dos criadores sobre a importância da vacinação do gado.
A iniciativa insidirá também na necessidade de meios de transportes, despiste da tuberculose e brucelose, vacinação anti-rábica, medidas de vigilância preventiva nos postos fronteiriços e recrutamento de técnicos para o sector.
Manuel Mateus Alexandre apresentou o plano de insumos para a presente campanha agrícola, consubstanciada em 20 toneladas de milho, quatro toneladas de feijão manteiga, 10 toneladas de massambala, 1.500 feixes de estaca de mandioca, 50 charruas de tracção animal, 10 toneladas de ureia e 25 toneladas de sulfato de amónio.

INAUGURAÇÃO

Huambo ganha centro agro-ecológico

O empreendimento vai permitir aos agricultores a utilização de técnicas que respeitem o ambiente

A província do Huambo ganhou, na passada terça-feira, um centro de referência agro-ecológico, inaugurado na aldeia da Betânia, comuna da Chipipa, pela ministra do Ambiente, Maria de Fátima Jardim.
O projecto que, traduz a continuidade dos esforços do Governo angolano na melhoria das condições de vida da população, está composto por edifícios administrativos e de formação.
O mesmo possui igualmente um armazém, um espaço para a prática da actividade agrícola numa cadência desde a produção de horticultura, apicultura, floricultura, fruticultura, agricultura biológica, bem como locais para a prática de compostagem verde, até a comercialização.

Projecto
Construído em três anos, congrega nos seus 200 hectares de extensão, quatro tanques com uma capacidade de 100 mil litros para a criação de peixes.
Mais de um milhão de dólares norte-americanos foram aplicados para a construção do centro, que vai beneficiar de forma directa a população das 21 aldeias circunvizinhas.
O centro agro-ecológico constitui um modelo protótipo de escola de campo, que tem como objectivo promover as boas práticas de gestão dos recursos naturais, a prevenção de terras degradadas e medidas de adaptação às alterações climáticas.
O empreendimento visa igualmente promover a educação ambiental e do empreendedorismo, assim como a formação e capacitação dos líderes comunitários e a população em geral sobre as acções de desenvolvimento rural.

Técnicas sustentáveis
Em declarações à Angop, a directora provincial do Ordenamento do Território, Urbanismo e Ambiente do Huambo, Ana Paula de Carvalho, disse que o centro agro-ecológico vai permitir dotar os praticantes da agricultura de técnicas que respeitem o ambiente, utilizando fertilizantes verdes.
Informou que as acções serão desenvolvidas em parceria com a Faculdade de Ciências Agrárias, para que os camponeses pratiquem a agricultura com novas metodologias, de forma a fazer um melhor uso dos solos.
A cerimónia de inauguração foi testemunhada pelo governador provincial, João Baptista Kussumua, e pela vice-presidente do Fundo Lwine, Joana Lina.