Um projecto de desenvolvimento do governo da província da Huíla, que tem a finalidade de apoiar os pequenos agricultores familiares, com vista a aprimorar as técnicas de produção para aumentar a produtividade, está em curso e abrange os municípios de Caconda, Caluquembe, Chicomba e Chipindo, constantes no também chamado “triângulo do milho”.
A criação de emprego ao nível das explorações agrícolas familiares, melhoria dos meios de subsistência e de estado nutricional de 60 mil beneficiários, bem como facilitar o desenvolvimento de cadeias de valor agrícola, são resultados que se esperam em 2019.
As comunas de Gungui e sede do município de Caconda, sede e Tchituto (em Cacula), comuna sede e Negola (Caluquembe) sede e Quê (em Caconda) e Bambi (no Chipindo), são as localidades seleccionadas, numa primeira fase, resultados que se esperam alcançar, até 2019, na província da Huíla.
Apesar das terras aráveis, a aplicação dos fertilizantes na localidade depende das possibilidades financeiras do produtor.
Caconda (236 quilómetros a norte da cidade do Lubango), província da Huíla, é um dos municípios escolhidos para ser contemplado com o Projecto de Desenvolvimento da Agricultura Familiar e Comercialização (SAMAP), que está a ser desenvolvido pelo Governo, através do Ministério da Agricultura e Florestas.

Produção de cereais
O administrador municipal de Caconda, Joaquim Tyova, assegurou que tal como nos restantes municípios da província da Huíla, existem condições favoráveis à produção de cereais, leguminosas e tubérculos e o envolvimento que se espera crescente das famílias, pequenos agricultores, associações, cooperativas e população, para que o
projecto seja um êxito.
No município de Caconda em particular, explicou, para a nova campanha agrícola já em curso, foi planificada uma área total de mais de 48 mil hectares para produzir 54 mil toneladas de culturas diversas. Acrescentou que foram disponibilizadas 77 toneladas de sementes, 1.195 toneladas de fertilizantes, 2.101 equipamentos e instrumentos agrícolas, bem como, 456 toneladas de calcário dolomítico
para correcção dos solos.
A falta de apoio aos camponeses ainda constitui preocupação das famílias. Com vista a alterar o actual cenário, o governador provincial da Huíla, Luís Nunes, no quadro da abertura da campanha agrícola 2018/2019, procedeu a entrega de quantidades elevadas de milho aos camponeses associados em Caconda.

Projecto de desenvolvimento
O projecto de apoio à produção e comercialização de produtos da agricultura familiar vai beneficiar até 2019, mais de 7.500 famílias camponesas, do total de cinco municípios seleccionados em 10 comunas, em universo de 142 aldeias identificadas pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA).
Até Abril do ano em curso, acções já realizadas foi de constituir o comité provincial de coordenação do projecto e do subcomité local de implementação do projecto, aprovados
em despacho de Julho.
Foram realizados encontros com as autoridades administrativas dos municípios de Chicomba, Chipindo, Caconda,
Cacula e Caluquembe.
A identificação, selecção das aldeias e início do cadastramento dos grupos de pequenos agricultores familiares (associações/cooperativas), existentes nas áreas de intervenção com o apoio das Estações de Desenvolvimento Agrários (EDA), com o financiamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), executivo
de Angola e beneficiários.

Mais produção
Aumentar a produção, produtividade e comercialização de produtos de cereais, leguminosas, raízes e tubérculos, e hortícolas diversas, dos pequenos agricultores familiares das áreas seleccionadas, abrange os municípios das províncias
do Cuanza Sul e Huíla.
Para a Huíla, salientou a directora provincial da Agricultura na Huíla, Mariana Soma, o projecto abrange 26,460 hectares, nas áreas de abrangência, sobretudo nos municípios de Caconda, Cacula, Caluquembe,
Chicomba e Chipindo.
Disse que dos 60 mil beneficiários, 10 mil são os beneficiados pelas escolas de campo, combinadas com
o financiamento de projectos.
Informou que mil pequenos agricultores beneficiarão de pequenos sistemas de irrigação e os critérios de selecção incluem produtores que cultivam
até 2 hectares de terra.
As escolas de campo vão se encarregar no treinamento em técnicas de produção, conservação pós-colheita e comercialização e a organização comunitária abarca a capacitação das organizações de produtores (associações e cooperativas) em boas práticas de liderança, gestão, planificação, elaboração e execução de projectos (económicos,
sociais e culturais).
O projecto abarca também a vertente de educação financeira, que permite facilitar o acesso aos empréstimos bancários e apoio na estruturação
e gestão de fundos rotativos.
Prevê igualmente, o financiamento de projectos de investimento agrícola, construção e ou reparação de infra-estruturas de rega, vias de acesso e centros de recolha, tratamento e comercialização de produtos pecuários.

Apoios redobrados
A produção de alimento em grande escala constitui desiderato primordial do Executivo angolano, que traçou como linha de força, no quadro do programa de diversificação económica, o combate à fome e à pobreza, disse o governador da Huíla, Luís Nunes.
“É com este propósito que na campanha agrícola já em curso, a província da Huíla traçou como meta atingir uma produção de 508.157 toneladas de produtos diversos, contra 293.856 toneladas registadas na campanha anterior”, informou.
Estima-se que 82 por cento da produção corresponda à cultura de cereais de milho, massango e massambala e para o êxito de tal desiderato estão planificadas 23.550 unidades de charruas, enxadas, pás, catanas,
machados e outros.

Mãos ao trabalho
Com as duas mãos na charrua puxada por uma junta de 2 cabeças de gado de tracção animal, Maria Njovati, tem ao seu lado direito, o marido Paulo Henrique, que com chicote feito de pele de boi, na localidade de Cusse, município de Caconda, apressa a junta para completar o espaço traçado para colocar a semente de milho, massango e massambala.
Ao tom de voz de tenor, o abrandamento da marcha da junta de boi é acelerado com as duas chicotadas que Paulo Henrique arremessa a junta de bois atribuídos com os nomes de bulaner e fateni: aliás, como conta o agricultor que as duas cabeças são referências na manada,
na actividade de lavoura.
A chamada de atenção à Antónia Paulo, primogénita do casal, que na frente da junta brota a semente de milho, é ressaltada com a responsabilidade que se deve cumprir no espaçamento do milho, para uma boa colheita.
O espaço entre as plantas e as linhas de plantio é um factor de grande importância para a produtividade de lavouras agrícolas. A quantidade de plantas dentro de uma mesma área, também é um factor importante para se obter resultados positivos, explica Maria Njovati, que frequentou a formação de agronomia no Instituto Médio Agrário do
Tchivinguiro, na Humpata.
Afirmou que aumentar a quantidade de plantas por área, a produção de milho normalmente aumenta até um determinado ponto, no qual a colheita será máxima.
Mais de 605 mil hectares de terra estão a ser trabalhados na Huíla, contra os 346 hectares da campanha agrícola passada.