O aumento da produtividade e consequente aumento da produção continua ainda a ser um desafio para o sector da Agricultura, sendo que para isso, propõe-se para nos próximos 10 anos, que o país possa alcançar a auto-suficiência alimentar, nos principais produtos passíveis de serem cultivados e que compõem a cesta básica.

O desafio, como alertou recentemente, em Luanda, o titular da pasta Marcos Alexandre Nhunga, não será fácil e vai “requerer engajamento de todos e, acima de tudo, inteligência para ultrapassar as dificuldades que nos vão aparecer ao longo do tempo”.
Na visão do sector, os principais constrangimentos já foram identificados, e que uma vez ultrapassados poderão garantir o desenvolvimento da agricultura em Angola.
Com este propósito, terá de se produzir localmente sementes melhoradas e de alto rendimento, a implantação de uma ou mais fábricas de adubos e algumas unidades de blending, correcção dos solos, implantação de uma ou mais linhas de montagem de tractores, unidades de produção de sistemas de irrigação, além de fábricas de instrumentos e equipamentos agrícolas (charruas, catanas, enxadas e limas).
Terá também que se redefinir o modelo de orçamentação e de financiamento para o sector, subsídio aos combustíveis, seguro agrícola e aprovação das carreiras específicas e ingresso de novos quadros.
“É imperioso retomar o processo de reestruturação do sistema de investigação agrária, como suporte para a actividade produtiva do sector”, destacou o ministro Marcos Alexandre Nhunga.

Balanço da época 2016/2017

Segundo um documento do Ministério da Agricultura e Florestas, no âmbito da campanha agrícola, que a partir deste ano passa a designar-se por “Ano agrícola”, foram trabalhadas na época 2016/2017 um total de 5.760.585 hectares, registando um aumento de 2,4 por cento em relação a área estimada para o período anterior.
Desta extensão, destaca a fonte, o segmento da agricultura familiar foi responsável de 90 por cento, correspondente a 5.183.398 hectares e o sector agrícola empresarial 10 por cento da área cultivada a nível nacional.
Do total da área cultivada durante a campanha foram colhidos 5.098.839 hectares, cerca de 89 por cento da área com culturas que atingiram a fase de colheita.
Quanto as principais fileiras produtivas, a fonte sustenta que foram produzidas 2.507.637 toneladas de cereais, um aumento de 5,9 por cento em relação a campanha anterior. Sobre os resultados das raízes e tubérculos, a produção foi de 10.805.419 toneladas (2,6 por cento), leguminosas 567.372 toneladas, uma baixa na ordem de 12,1, devido as chuvas excessivas registadas durante o terceiro decêndio de Abril e segundo decêndio de Maio, período onde as culturas dessa fileira, com destaque para o feijão, se encontra em fase fonológica considerada de maturação e secagem das favas.
Os dados actuais sobre a produção de carne no país (até Novembro de 2017), no domínio da pecuária indicam um total de 17.850.157 quilos (kg) de carne, distribuída em 11.693.700 quilos de carne bovina, 2.517.022 kg de carne de frangos, 1.861.065 de suína, 1.406.665 caprina e 372.705 de ovinos. Quanto aos ovos foram produzidas cerca de 518.610.587 unidades.

Mais produção

Com relação à produção pecuária, o grande destaque recai para as “medidas para o repovoamento pecuário e operacionalização do matadouro do planalto de Camabatela” (que abrange as províncias do Cuanza Norte, Malanje e Uíge), de forma a atingir a auto-suficiência em animais para o abate, num horizonte temporal de nove anos, medida que poderá contribuir para a redução das importações deste produto e seus derivados.
Em Agosto foi inaugurado o matadouro que está a produzir as “carnes de Camabatela”, uma marca já visível no mercado nacional. A construção desta infra-estrutura é parte integrante de um amplo programa nacional que contemplou empreendimentos similares de pequena dimensão nas províncias de Luanda (Viana), Cuanza Sul (Porto Amboim) e Malanje.

Fertilizantes

Para fazer face a escassez e aos elevados preços dos fertilizantes praticados no mercado nacional, o Ministério da Agricultura e Florestas está a implementar a estratégia para o aumento da oferta, com o objectivo de inverter o quadro “crítico” que se vivia, e resolver de forma definitiva esta problemática.
As medida abrangem acções que vão desde o estabelecimento de acordos com fabricantes de fertilizantes em países como Marrocos, Rússia e China, bem como a facilitação do acesso às divisas, bem como a inserção dos fertilizantes na lista dos produtos com preços vigiados.
Com base nas medidas da estratégia, destaca a fonte, foi possível baixar o custo de aquisição dos adubos NPK (12-24-12) para 330 dólares a tonelada, contra os 550 mínimos, que se praticava.
Registou-se igualmente a diminuição do preço dos adubos no mercado nacional de 30 mil kwanzas o saco de 50 quilos para cinco mil.

Florestas
Durante o período em análise, no domínio florestal foram produzidos 171 mil metros cúbicos (m3) de madeira em toro e exportados 108.740 de madeira em toro e 43 mil de madeira serrada .
O país possui 35 milhões de hectares de terras aráveis para a prática da agricultura, sendo que actualmente são cultivados cinco milhões de hectares (14 por cento), faixa irrigável de sete milhões de hectares da sua área total, dos quais 3,4 milhões
de exploração tradicional.
Dispõe de uma rede hidrográfica constituída por 47 bacias e com um potencial hídrico estimado em 140 mil milhões de metros cúbicos.