Três mil toneladas de milho são colhidas no mês de  Maio, pelo projecto “Agrikuvango”, que está a ser implementado desde 2017, pelo grupo empresarial RTK, na localidade da Mema, município do Cuvango, na província da Huíla.
Contribuir para a prossecução da maioria das políticas de desenvolvimento do sector agrícola e a diminuição da dependência externa de bens alimentares, constitui o objectivo primordial do projecto agrícola, que tem concentrado a utilização das mais modernas técnicas de produção e cultivo do milho, garantiu Rui Kapose.
 Rui Kapose explicou que o projecto começou a ser implementado em 2017 e no ano seguinte (2018) completou-se a instalação dos primeiros 12 sistemas de rega por pivots colocados numa área total de 600 hectares já desmatados.

Projecto
Na primeira fase que vai culminar com a primeira colheita de milho em Maio, numa altura em que foram criados de forma directa 250 postos de trabalho directos e o objectivo é atingir até ao final do ano cerca de 450 empregos.
Frisou que a produção será destinada para o mercado nacional, sobretudo para a região Sul, integrada pelas províncias da Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango.
O administrador do projecto explicou que, a tecnologia colocada no projecto que abarca mais de 5 mil hectares, permitem realizar duas culturais anuais e no segundo período (Maio a Dezembro), vai ser colhido milho a ser semeado numa zona de outros 300 hectares, com uma colheita global de cerca de seis mil toneladas de milho.
Lamentou os avultados gastos com o combustível, de forma a manter os equipamentos funcionais, desde a rega, fornecimento de energia eléctrica, transportes e outros.
Rui Kapose disse que a subvenção do combustível agrícola, a ser implementado vai minimizar os custos e aumentar os níveis de produção.
De forma a incrementar as qualidades existentes na região e de maneira a produzir milho durante todo o ano, foram já instalados pivôs, que estão a regar, cada, uma área superior a 50 hectares.
Já foi construída igualmente uma represa, com capacidade para  armazenar cerca de 280 milhões de litros de água, que vai garantir o fornecimento, mesmo na fase seca, de cinco a seis dias, sem sobressaltos.

Produção de arroz
A previsão é de fazer com que em 2020, o projecto prevê dar início com a preparação de 1.000 hectares destinados à cultura de arroz, regado por alagamento e a instalação na zona industrial de mais silos de armazenagem e de uma unidade de descasque de arroz.
 O responsável frisou que para 2022 deverá iniciar-se a diversificação das culturas, com o início à produção de trigo e ginguba em relação com o milho. “Cerca de 750 hectares vão ser dedicados à produção de ginguba, com uma produção estimada em mais
de 2 mil toneladas”, disse.

Sector industrial pode
beneficiar da iniciativa
O director técnico da fazenda “Agrikuvango”, Severiano Kapose, afirmou que o projecto contempla também a instalação de dois silos, com capacidade para armazenar 1.500 toneladas cada um.
A colheita, armazenamento e transformação são outras valências que o programa privilegia na zona rural, onde está implantada a fazenda.
O projecto conta ainda com uma fábrica que produz a farinha de milho, que após a extracção do glúten (gérmen) vai ser vendida para a indústria de alimentos compostos para animais.

Garantir oferta
A iniciativa conta ainda com uma área de cerca de 1.500 hectares regados por um pivô (com duas culturas, anuais), o milho vai ser cultivado numa área superior a 900 hectares, com previsões anuais de colher cerca de 10 a 12 mil toneladas por época.
Para as zonas de cultivo, a topografia determina a criação de 90 quilómetros de estrada.
Máquinas e homens empenham-se para que nada falta, garantiu o responsável do projecto, acrescentando que  foi colocada na primeira fase uma conduta de 17.500 metros, o que corresponde a 17. 500 quilómetros, com uma tubagem, cujo diâmetro, varia de 200 a 500 milímetros.
Na fazenda, foram instalados dois geradores, um de 346 kva e outro de 700. O primeiro serve para bombear e alimenta a represa e o de maior capacidade destina-se par o fornecimento de energia para as duas estações de bombagem que alimentam os 12 pivôs.
Até a sua fase final, o projecto agro-industrial prevê criar mais de dois mil postos de trabalho, principalmente para
a camada  juvenil local.

AAPCIL assegura apoio
O presidente da Associação Agro-pecuária, Comercial e Industrial da Huíla (AAPCIL), Paulo Gaspar, que visitou, na companhia de responsáveis da banca huilana, reconheceu que o projecto vai contribuir para a prossecução da maioria das políticas de desenvolvimento agrícola e a diminuição da dependência de bens alimentares, o que constitui objectivo primordial do Executivo.
Paulo Gaspar disse que o projecto é uma iniciativa privada, mas tem um pendor que visa contribuir para o programa de diversificação económica e reduzir a fome e a pobreza no meio rural.
 O presidente da AAPCIL defendeu maior atenção para que a província da Huíla volte a se tornar num celeiro de referência.

Mais competitividade
O empresário e técnico zootécnico, Álvaro Fernandes disse que, a província da Huíla tem condições para produzir alimentos, até para a produção animal.
Álvaro Fernandes disse que existe pouca produção animal, por falta de ração no país, mas há indicadores que mostram os caminhos para o desenvolvimento do sector agro-pecuário, por forma a se ter carne a preços competitivos.
O empresário aproveitou a oportunidade para incentivar os bancos e os investidores que apesar de correrem riscos, têm estado a conceder créditos e investimentos de forma fácil.