A Sociedade de Desenvolvimento do Pólo-industrial de Capanda (SODEPAC) realizou, recentemente, em Cacuso, província de Malanje, um workshop sobre mecanismos de acesso ao financiamento, incentivos e benefícios fiscais para o incentivo ao agronegócio.
O evento que juntou instituições públicas e privadas teve também como objectivo estabelecer uma plataforma de diálogo entre instituições financeiras e os investidores que tenham a intenção de se instalar no pólo agro-industrial de Capanda.
Para o presidente do Conselho de Administração da Sodepac, Carlos Fernandes, o que se pretende no pólo agro-industrial de Capanda é constituir um projecto de desenvolvimento rural.
A promoção do agro-negócio na base empresarial sem esquecer a empresa agrícola familiar, é de acordo com Carlos Fernandes, o objectivo a ser perseguido, visando criar condições para o investimento.
Para se alcançar este desafio, as vias de comunicação são fundamentais, e para o efeito, revelou, estão disponíveis uma rede interna de estradas com cerca de 162 quilómetros (km).
Quanto a energia eléctrica, o gestor garantiu que existe uma rede de distribuição com 172 km, bem como a reabilitação da subestação eléctrica de Cacuso e de Malanje, que poderão contribuir significativamente para o crescimento sustentável da região, em particular e do país de forma geral.
“O nosso modelo de desenvolvimento assenta no comportamento das cadeias produtivas que do nosso ponto de vista devem ser geridas por empresas ancoras”, destacou.
Segundo adiantou “as empresas não têm de ser necessariamente empresas com grandes sustentações de terras, elas são aquelas do ponto de vista tecnológico e financeiro, capazes de unir os elos da cadeia produtiva e gerir esta cadeia agregando não só as pequenas, micro e médias empresas, mas também o sector camponês”.
Explicou que uma das questões que caracteriza a empresa ancora é o recurso à tecnologia que possa conferir competitividade aos produtos resultantes da sua actividade.
“Essas empresas não podem esquecer as suas responsabilidades sociais quer do sector agrícola familiar quer nas comunidades camponesas no geral”, realçou.

Papel dos bancos
O Banco Milenium Âtlantico é o líder no programa “Angola Investe”, no apoio às pequenas e médias empresas, com cerca de 160 projectos aprovados, dos quais 50 dedicam-se ao sector agro-pecuário.
O representante do banco, Luís Esquível, disse que a grande preocupação é a diversificação da economia e o apoio aos projectos.
“Neste momento temos disponíveis cerca de 35 mil milhões de kwanzas dos quais já foram utilizados mais de 15 mil milhões em projectos de investimento de curto, médio e longo prazos.
Vamos utilizando esses fundos de acordo as condições do próprio projecto”, disse o bancário.

Oportunidades
O presidente do Instituto Nacional de Apoio a Pequenas e Médias Empresas (INAPEM), António Assis, considerou a iniciativa louvável uma vez que é na actual conjuntura , uma oportunidade para a diversificação da economia.
Para aquele responsável, o apoio às micro e médias empresas, contribui para o emprego e substituição das importações.
O Inapem capacitou até ao momento 70.369 empreendedores em matéria empresarial, com temas ligados à criação de empresa e à sua  administração.
Na ocasião, o responsável acrescentou terem sido já aprovados pela banca nacional 479 projectos ao nível do programa
“Angola Investe”, com um valor a rondar os 93 mil milhões de kwanzas.
Desse número, disse, 362 projectos já obtiveram a disponibilização de financiamentos e outros aguardam pela disponibilidade financeira dos bancos.
“Os produtores devem aprender a estabelecer uma estratégia correcta adequada ao projecto em que se pretende investir para se alcançar bons resultados na produção”, aconselhou.

Condições favoráveis
O presidente da Associação dos Industriais de Angola (AIA), José Severino, considera que o país tem condições favoráveis quer das terras, água e clima, para incrementar a produção agrícola, medida que poderá contribuir para o fortalecimento da economia nacional.
José Severino é de opinião que se direccione mais incentivos às províncias para permitir um crescimento acelerado do ponto de vista da agro-pecuária e fruticultura.

Aposta nas parcerias
O vice-governador de Malanje para o sector Económico, Domingos Eduardo, disse que a Sodepac pela sua nobre missão de assegurar os objectivos e metas estabelecidas no plano de desenvolvimento do Pólo Agro-Industrial de Capanda tem a responsabilidade acrescida de estabelecer relações e mecanismos com instituições públicas e privadas.
Para o governante, as questões financeiras nas suas mais variadas vertentes são “incontornáveis” para garantia do sucesso de qualquer programa ou projecto.
“O empresariado local precisa de ser potenciado, com conhecimentos técnicos, bem como toda a gama de instrumentos que facilitem o acesso aos meios necessários para o desenvolvimento dos seus negócios neste período menos bom da nossa economia”, disse.
A Sodepac é a entidade gestora do Pólo Agro-Industrial de Capanda, tem a missão de potenciar a expansão do agro-negócio, integração e desenvolvimento das comunidades rurais, através da criação de infra-estruturas, concessão de incentivos, facilitação do acesso ao crédito, formação e apoio tecnológico, oferta de mão de obra qualificada e implementação de programas sociais.
No que diz respeito ao financiamento, o papel da Sodepac é facilitar aos micro, pequenos, médios e grandes investidores, o acesso aos instrumentos e facilidades de financiamento disponibilizados pelo Executivo angolano.