A protecção de uma plataforma de entendimento para as boas práticas no uso sustentável dos recursos hídricos tem beneficiado mais de 2,5 milhões de habitantes que vivem ao longo da bacia do Kwando e Okavango, afirmou, o vice-governador do Cuando Cubango para o sector Técnico
e Infra-estrutura, Bento Xavier.
Falando na passada terça-feira, na cidade de Menongue, província do Cuando Cubango, no primeiro Workshop sobre a resiliência da bacia hidrográfica do Kwando partilhada pelos países de Angola, Namíbia, Zâmbia, Zimbabwe e Botswana, organizado pela Agência dos Estados Unidos da América para o Desenvolvimento Internacional (USAID), o responsável garantiu que esta prática tem promovido a cooperação e a implementação de vários instrumentos legais entre os Estados membros, para a sua gestão harmoniosa e partilhada.
Defendeu a necessidade de se prestar maior atenção em todas as acções ligadas à vida selvagem, fauna, flora e às questões sobre a caça furtiva que assola as regiões adjacentes à bacia do Kwando, para
que sejam uma zona de paz.
Disse que o workshop visou fortalecer os mecanismos de governação, planificação e gestão transfronteiriça dos recursos fluviais na bacia do Kwando que é partilhada por Angola, Botswana, Zâmbia e Namíbia, reduzindo deste modo tendências de eventuais conflitos
entre estes Estados.
A bacia do Kwando e Okavango é partilhada por Angola, Namíbia, Botswana Zâmbia e Zimbabwe.

Enorme potencial
Por sua vez, o director Nacional dos Recursos Hídricos de Angola, Manuel Quintino, disse que a bacia do Kwando é uma sub-bacia da grande bacia do rio Zambeze e tem um enorme potencial de recursos hídricos que necessita ser bem gerido, para
o benefício da população.
Apontou como sucessos do projecto, a existência do plano da bacia do rio Zambeze, a cooperação transfronteiriça entre Angola e Zâmbia, a reabilitação do canal fluvial entre a sede municipal do Rivungo e Shangombo, ganhos de escala em termos de ligação entre ambos países com o incentivo das trocas comerciais e a existência e funcionamento do sistema de informação
dos recursos hídricos.
Manuel Quintino realçou que os desafios são a localização remota da bacia hidrográfica em relação aos centros de decisão, a necessidade da criação de um gabinete de administração da bacia do Zambeze, a deficiente cobertura hidrológica e meteorológica da bacia hidrográfica do Kwando, bem como a necessidade da realização de uma Análise Diagnóstica Transfronteiriça (ADT), definição do caudal ambiental para o rio Kwando e a monitorização conjunta dos recursos hídricos.

Cooperação
A representante da WWF da Zâmbia, Loreen Katiyo, disse que o seu país já tem feito um esforço que visa trazer a razão aos parceiros de cooperação como é o caso da USAID e outros doadores internacionais que visam precisamente subsidiar os projectos em curso que tenham a ver com a melhoria da situação
das populações da região.
Referiu que é necessário trabalhar de modo a que se possa mitigar os conflitos e melhorar a intervenção humana e as condições de vida das comunidades que vivem ao longo da bacia, sempre tendo como referência que a maioria das populações
está do lado angolano.
“Com os parceiros com quem estamos a trabalhar esperamos que apoiem nas acções concretas e nós continuaremos sempre a trabalhar em parceria com os colegas de Angola, Namíbia, Botswana e Zimbabwe, para melhor conservação e aproveitamento da bacia do Kwando”, concluiu.

Evento
O encontro teve como objectivo principal criar uma plataforma formal para um processo sustentado e transparente de consulta, diálogo e negociação com o foco no desenvolvimento de um entendimento compartilhado dos recursos hídricos actuais e planeados, bem como uma visão partilhada para a bacia do Kwando.
Participaram do encontro representantes da Zâmbia, ACADIR, do governo provincial do Cuando Cubango, da Universidade Cuito Cuanavale, da câmara provincial do comércio, autoridades tradicionais, entre outros participantes.
Durante o encontro foram abordados temas como, a visão geral sobre a gestão dos recursos hídricos na bacia do Kwando, sucessos e desafios, a situação do conhecimento sobre a bacia transfronteiriça do rio Kwando, a sua hidrologia, clima, socioeconomia, ecossistemas, o projecto transfronteiriço da bacia resiliente do Kwando, objectivos, actividades
e resultados desejados.
No Workshop, os participantes realizaram um trabalho em grupo para o mapeamento participativo de hotspots (áreas com grande biodiversidade) para desafios da gestão de recursos hídricos, mudanças climáticas, desenvolvimento de indicadores para o monitoramento, instrumentos e planeamentos de recursos hídricos, bacias hidrográficas transfronteiriça compartilhadas,
entre outros temas.