A criação de infra-estruturas no sector dos transportes em Angola e na Zâmbia vai permitir a cooperação, a produção de bens e serviços, a mobilidade de pessoas e mercadorias entre os dois países, declarou na passada terça-feira, em Luanda, o ministro dos Transportes, Augusto Tomás.
O governante afirmou ser importante a materialização do acordo no domínio dos transportes, rubricado em 2017, entre Angola e Zâmbia, e é fundamental a mobilização de financiamento, a preparação do projecto técnico e administrativo, para permitir que a curto e médio prazos o trabalho comece a ser executado.
O governante teceu estas considerações após uma visita do ministro dos Transportes da Zâmbia, Brian Mushimba, ao novo Aeroporto Internacional de Luanda, actividade que teve como ponto de partida o terminal marítimo do Porto de Luanda onde teve a oportunidade de andar de Catamará até ao Capossoca na Samba.
Considerou importante a visita, por servir para analisar e dinamizar os acordos entre os dois países nos sectores aéreo, rodoviário, fluvial e ferroviário, que vai permitir a integração destes estados membros da SADC.
Segundo Augusto Tomás, a integração económica depende consideravelmente das infra-estruturas no domínio dos transportes.
Questionado sobre o andamento dos trabalhos para a construção do caminho-de-ferro que vai ligar Angola à Zâmbia, Augusto Tomás disse ser necessário a mobilização de financiamento, preparação de projectos técnico e administrativo, para permitir que a médio e curto prazo o trabalho começa a ser executado.

Intercâmbio
Por sua vez, o ministro dos transportes e comunicação da Zâmbia, Brian Mushimba, congratulou-se pelo trabalho que está a ser desenvolvido em Angola no sector dos Transportes e revelou que o seu país também está a construir caminhos-de-ferro para ligar com Angola.
Afirmou que nos próximos dois anos, a Zâmbia poderá usar o corredor do Lobito para o transporte de minerais para o mercado internacional.
Para o governante, o trabalho feito por Angola ao nível das infra-estruturas servirá de exemplo para outros países africanos.
O acordo entre Angola e Zâmbia, assinado em 2017, para construção de uma linha de caminho-de-ferro, com uma extensão de 580 quilómetros ligando os dois países com a RDC, a partir de Chingola RDC, cidade nortenha da região do cobre, vai facilitar o transporte de pessoas e de mercadorias na fronteira comum.
Quando o projecto for implementado, as empresas mineiras na região norte da Zâmbia, bem como os fornecedores de serviço terão acesso rápido e fácil a infra-estruturas portuárias a fim de poderem exportar os seus produtos.
Esta linha, quando for concluída, ligará a Zâmbia a Angola na região de Jimbe, sendo que os primeiros 290 quilómetros ligarão Chingola às minas de Kansanshi, Lumwana e Kalumbila a um custo estimado
em 489 milhões de dólares.

Lobito reforça cooperação
Por outro lado, o ministro dos Transportes e da Comunicação da Zâmbia, Brian Mushimba, mostrou-se impressionado pelos investimentos feitos no Porto do Lobito, uma infra-estrutura que poderá contribuir no desenvolvimento económico
de Angola e dos países da SADC.
O ministro zambiano falava na segunda-feira, no final de uma visita à empresa portuária em companhia do seu homólogo
Augusto da Silva Tomás.
No Porto do Lobito, o governante da Zâmbia visitou os terminais de contentores e mineiro, assim como o Porto Seco, construídos no quadro do projecto de ampliação e modernização do Porto.
Brian Mushimba ressaltou a evolução desta infra-estrutura portuária como incentivo para o governo zambiano trabalhar na interligação da linha férrea daquele país ao caminho-de-ferro de Benguela para, através do Porto do Lobito, escoar exportações de produtos, como o cobre.
Destacou como aspecto positivo da ampliação e modernização do Porto do Lobito o aumento da sua capacidade de atracação de seis para 11 navios em simultâneo.
Sobre a última fase de reabilitação e expansão do Porto, ainda por concluir, o ministro zambiano augura a sua materialização, o que virá a permitir que o cais possa receber em simultâneo 20 navios.
Iniciado em 2008, o projecto de ampliação e modernização do Porto do Lobito consumiu mais de 1,2 mil milhões de milhões de dólares, um investimento que serviu para dotá-lo de infra-estruturas modernas, como um moderno Terminal de Contentores, o Porto Seco e o Porto Mineiro e, com isso, torná-lo num dos grandes impulsionadores da economia nacional.
Fruto da sua ampliação, o cais do Porto Comercial do Lobito pode receber agora navios porta-contentores de quarta geração, com capacidade para transportar de três a quatro mil contentores de 20 pés.

Canal fluvial
vai ser crucial

A execução física de 99 por cento do canal fluvial no rio Cuando, que liga as regiões do Shangombo (Zâmbia) e Rivungo (Cuando Cubango/Angola), foi considerada positiva, na passada segunda-feira, pelo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás.
O projecto transfronteiriço tem um percurso de 10 quilómetros e integra as infra-estruturas que deverão albergar, entre outros, efectivos da Polícia Fiscal e dos Serviços de Migração e Estrangeiros.
O governante angolano falava à imprensa no final de uma reunião com o ministro dos Transportes e Comunicações da Zâmbia, Brian Mushimba, no Rivungo, salientando que falta pouco para a conclusão de um projecto importante, que garantirá a livre mobilidade de cidadãos dos dois lados.
Disse tratar-se de um projecto exemplar no cumprimento dos prazos e pela racionalidade imposta nos custos da sua execução. Para a sua conclusão, faltam alguns arranjos, arruamento, além da aquisição de embarcações.
Referiu que com a conexão desta rede fluvial será possível desenvolver o potencial daquela região, nomeadamente o comércio, agricultura, pesca e o turismo, uma vez que este projecto vai se enquadrar-se num outro transnacional, denominado Okavango-Zambeze.
Já o ministro dos Transportes e Comunicações da Zâmbia, Brian Mushimba, reconheceu que o estado de desenvolvimento do projecto da parte de Angola é visível, mas que do lado do seu país ainda não foi desenvolvido. Disse, no entanto, que a sua presença visa comprometer-se com o projecto.
O canal fluvial tem 10 quilómetros, 34 metros de largura e três  metros de profundidade.