O Ministério dos Transportes tem grandes ambições para o segmento marítimo, tendo encarregado o Instituto Marítimo e Portuário de Angola (IMPA) a elaborar uma estratégia orientada para a modernização das infra-estruturas, a conectividade dos portos com outras modalidades de transporte para servir o interior do país e Estados vizinhos.
A afirmação é do titular da pasta, Ricardo de Abreu, quando discursava na passada quarta-feira, em Luanda, na abertura do II seminário de reflexão sobre a autonomização das marinhas mercantes do espaço da Organização Marítima da África do Oeste e do Centro (OMAOC), e que decorreu até ontem.
Na ocasião, o ministro dos Transportes destacou que ao IMPA incumbiu-se igualmente o incentivo ao sector privado, para investir na indústria naval, serviços de apoio náuticos e gestão portuária, a promoção de parcerias, especialmente com agências e organizações internacionais que permitam o desenvolvimento da actividade da marinha mercante em Angola, de modo seguro e competitivo, alinhada com as melhores práticas internacionais.

Vitalidade das economias
Por outro lado, o ministro considerou que a vitalidade das economias dos países membros da Omaoc, organismo do qual Angola é membro, dependerá em grande medida, dos projectos dos governos para desenvolver todo o potencial marítimo disponível.
De acordo com o ministro, as administrações marítimas, qualquer que seja a sua natureza e sistema de organização, são o grande suporte dos Governos, em quem confiam a formulação e aplicação das políticas nacionais das formas de exploração e utilização racional e seus recursos.
Disse que a República de Angola está aberta a todas as acções destinadas a aproximar os Estados africanos, com vista ao desenvolvimento da cooperação Sul-Sul, sendo neste contexto um membro da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SACD) e da Conferência Internacional para a Paz e Segurança na Região dos Grandes Lagos, que presidiu de Janeiro de 2014 a Outubro de 2017.
O ministro explicou que no domínio marítimo Angola alberga a sede da Comissão do Golfo da Guiné (CGG) e contribui para os esforços da sub-região no combate à insegurança marítima.
Por seu turno, o secretário-geral da Omaoc, Alain Michel Luvambano, apontou como desafios da organização, a garantia aos investidores nacionais e internacionais a aplicação de capitais, criação de empresas de transportes marítimos e suas actividades conexas, assim como a exploração dos recursos do mar.
Angola tem uma extensão marítima de 1.600 quilómetros, posição geográfica que permitiu ao país desenvolver o seu potencial marítimo, através da exploração dos recursos mineiros offshore, pesca, construção de portos marítimos, bem como criação de empresas de transporte marítimo e de movimentação portuária, para transmitir o seu comércio exterior.