O Ano Agrícola 2019/2020 a nível nacional, pode estar condicionado devido à retenção de um navio com 30 mil toneladas de adubo (mpk), acostado num dos portos de Marrocos, por dificuldades financeiras.Segundo o director Nacional da Agricultura, António Sozinho, que falava durante o workshop realizado à margem da 1ª Feira da Batata rena e do Milho, organizado pelo governo do Bié, no município do Chinguar, por causa desta dificuldade “o stock deste adubo é quase nulo”.
Falando sobre o Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022, garantiu existir já no país, uma unidade que produz adubo composto, com disponibilidade para 500 toneladas.É muito pouco para as nossas necessidades, mas vamos esperar pelo arranque de outras unidades”, augurou.Durante a apresentação do tema “Estratégia para o aumento da produção da batata rena e do milho em Angola”, António Sozinho disse que o país beneficiará, ainda este ano, de uma fábrica de matérias agrícolas, que está a ser montada na província do Cuanza Sul.

Preocupação
O responsável lamentou o facto de os instrumentos básicos para a agricultura ainda serem importados, tendo destacado as enxadas, catanas e instrumentos básico.
“Temos um problema sério no país. Tudo o que usamos na agricultura, infelizmente
ainda é importado”, lamentou.
Para o suporte da estratégia do relançamento da agricultura, o responsável destacou a investigação agrária, bem como outros projectos estruturantes, que poderão ajudar a aumentar a produção local.
António Sozinho afirmou que, o funcionamento dos laboratórios deve ser prioritário para facilitar o exercício da actividade agrícola, dento dos 54 produtos eleitos pelo Executivo para fazerem parte do Programa de Apoio ao Crédito (PAC).
“Hoje, felizmente, para a campanha agrícola 2019-2020, 50 por cento da semente de milho é de produção local. Há dois anos, tínhamos de importar 100bpor cento das sementes”, disse.
Manifestou preocupação pelo facto do país não produzir sementes.
“Isso é um sério risco para a nossa agricultura. Um país com forte potencial nesta área deve produzir também as suas sementes”, alertou.

Potencial
Angola conta com 35 milhões de hectares de terra arável, sendo que actualmente apenas cinco milhões estão a ser utilizados para fins agrícolas, numa altura em que 80 por cento da produção é feita pelos agricultores familiares.
“A agricultura familiar é responsável pela produção de 80 por cento, com realce para o milho, seguida de tubérculos”, afirmou.
Por sua vez, o director Nacional do Comércio Interno e Serviços Mercantis, Estêvão Chaves, defendeu a necessidade do produtor divulgar as quantidades antes mesmo da colheita, para facilitar o comprador a adquiri-lo.