O mercado da venda e arrendamento de escritórios em Luanda continua a perder dinamismo, influenciado pela desaceleração da economia e a saída de empresas internacionais, revela o estudo de 2017/2018 da Proprime, que se dedica, anualmente no
estudo do mercado imobiliário.
Segundo o director-geral da Proprime, Valdire Coelho, a absorção de espaços tem sido reduzida, o que tem provocado a baixa dos preços e rendas.
A baixa de Luanda foi a zona onde os valores menos desaceleraram, com cerca de -7% nos preços e - 12,5 nas rendas, sendo que os proprietários mostraram alguma resistência na revisão dos preços.
Nas outras zonas da cidade e Luanda Sul, as descidas dos dois indicadores face a 2016 oscilam entre 20 a 30 por cento, devendo manter-se a tendência de aquisição de escritórios como investimento de refúgio face à desvalorização do kwanza, retracção da procura de casas por parte dos expatriados, devido ao reajustamento da presença de muitas multinacionais no país.
Os compradores domésticos são agora o público mais activo e denota-se uma maior apetência por tipologias maiores.
Do lado da oferta, os promotores adaptam-se, com a maior aposta em moradias de tipologias T4 e produtos nos segmentos médio e médio-baixo.
Os preços médios continuaram a descer quer nos apartamentos T3 na Ingombota, com -4% quer nas moradias em Talatona, na ordem dos -10,5.
Tal como nos restantes segmentos, a performance da hotelaria em Luanda foi também negativamente afectada pela saída de muitos expatriados e contracção dos planos de investimento das multinacionais.

Turismo de negócio

O turismo de negócio se reflectiu na continuação da descida das taxas de ocupação de 40 para 35 em 2017.
Ainda assim, o ritmo de descida das diárias desacelerou e os valores praticados continuam a mostrar-se elevados para os consumidores domésticos. Os valores desceram apenas nos hotéis de três estrelas, com -12,5 por cento e mantiveram-se estáveis nas unidades de 4 e 5 estrelas.
O gestor refere que a Proprime continua focada em prestar serviços de excelência em Angola, onde a consolidação do sector financeiro poderá abrir oportunidades muito interessantes neste “novo ano”.
Num momento em que Angola enfrenta um contexto desafiante em termos económicos, sociais e políticos, a Proprime, de acordo com a fonte, reforça o seu compromisso com a profissionalização do mercado imobiliário.
“Fomos eleitos, pelo quarto ano consecutivo como a “Melhor consultora imobiliária” do país e continuamos empenhados em adoptar as melhores práticas internacionais e apostar na formação dos nossos quadros, preparando-nos para dar as respostas mais eficientes ao desafio das avaliações imobiliárias”, revela, depois de frisar que especialmente num contexto onde há crescente necessidade da recuperação dos créditos, tão importantes para a revitalização de uma economia.
Refere ainda que na economia, a descida no preço do petróleo e a desvalorização do kwanza continuaram a impactar negativamente o país.

Crise cambial

A crise cambial e a saída dos expatriados do país têm pressionado o mercado imobiliário, com a actividade direccionada
para o cliente doméstico.
“Este será um ano desafiante para o imobiliário, face às perspectivas traçadas para o desenvolvimento económico e ao clima da incerteza e expectativa que ainda predomina entre os agentes do sector”, disse.
É notória a crescente capacidade de adaptação da promoção e investimento imobiliário ao novo momento do mercado, cujos principais efeitos devem começar a fazer sentir-se em 2018.