O projecto de cultivo em grande escala do arroz, nas províncias do Huambo e Bié, entrou este ano, na fase de multiplicação de sementes, terminados os estudos de épocas de sementeira, decorridos entre 2013 e 2018.
O facto foi confirmado, segunda-feira, na província do Huambo, por um dos técnicos do projecto, Adão Gonçalves Pinheiro, que está a ser desenvolvido pelos institutos de Investigação Agronómica e de Desenvolvimento Agrário, contando com a assistência técnica da Agência Internacional de Cooperação do Japão (JICA).
O técnico disse que estes primeiros cinco anos do projecto permitiram determinar as variedades que se adaptam facilmente às condições climáticas locais, tendo como paramêtros de avaliação à tolerância à seca, maior rendimento, resistência contra pragas e doenças.
O especialista em cultivo de arroz informou terem sido testadas, por quase mil camponeses, 23 variedades diversas, cujos resultados foram satisfatórios, principalmente na província do Bié, onde 15 das variedades adpataram-se, contra as 13 que se adaptaram na província do Huambo.
Adão Pinheiro Gonçalves deu a conhecer que entre as 23 variedades testadas, em cada uma das províncias, constavam cinco nacionais, das quais apenas três foram selecionadas para esta fase de multiplicação de sementes, por corresponderem aos parâmetros de avaliação.
Disse também que a multiplicação de sementes termina no final deste ano, para permitir que em 2020 os produtores possam ter acesso a elas, a partir do Instituto de Desenvolvimento Agrário, referindo ainda, que as variedades selecionadas permitem colher entre cinco e seis toneladas por hectar.
Lembrou que durante os estudos de épocas de sementeira também foi ensaiado o sistema de cultivo de arroz por rega, em substituição ao de sequeiro, que lamentou ainda ser praticado pelos produtores angolanos.
Além do sistema de regadio, segundo Adão Pinheiro Gonçalves, os técnicos do projecto desenvolveram novas técnicas de sacha e efectuaram percolação do solo nas áreas de cultivo do arroz, para impedir a infiltração da água, indispensável no sistema de regadio.
Sublinhou ainda que o plano de dinamização da produção do arroz na região planáltica do país visa contribuir no programa do Governo de luta contra a fome e a pobreza, segurança alimentar e de diversificação da economia, através da redução das importações dos produtos agrícolas.