No dia 26 de Agosto, o navio de investigação “Baía Farta” realiza a sua primeira prova do mar em Angola.
Segundo uma nota do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério das Pescas e do Mar, a que o JE teve acesso, a entrada em funcionamento deste navio coloca “ponto final a décadas de dependência no trabalho de investigação marinha por parte de Angola”.
Após a recepção oficial pelo Ministério das Pescas e do Mar, no passado dia 22 de Julho, “o mais moderno navio de investigação do país começa finalmente a exercer as funções que levaram à sua construção”.
Chegado ao país em Dezembro último, a entrada em funções do navio esteve condicionada à correcção de algumas inconformidades, segundo os técnicos, próprias de uma obra construída de raiz, mas, salvaguardadas porque o navio ainda está no período de garantia da empresa construtora.
A fonte indica que das 29 inconformidades, 22 estão ultrapassadas e as sete últimas serão corrigidas durante as provas do mar que iniciam no dia 26 de Agosto.
A construção do navio durou cerca de dois anos e teve lugar na Roménia, nos estaleiros da empresa holandesa “Damen”,, tendo custado cerca de usd 80 milhões.
A designação “Baía Farta” para o navio surge em homenagem a um dos maiores pólos da indústria pesqueira localizado na província de Benguela.

Características
Com 74 metros de comprimento, “Baía Farta” tem uma capacidade de alojar 29 tripulantes, 22 dos quais investigadores e uma autonomia para permanecer 29 dias no mar.
O navio “Baía Farta” dispõe de uma sala acústica, quatro laboratórios, um ginásio, camarotes duplos, cozinha, área de serviço com 15 monitores de comando e três computadores para o comando do Sonar (aparelho electrónico utilizado geralmente na navegação naval para medir a distância entre a superfície da água e o fundo marinho), cada um dos quais desenvolve trabalhos diferentes.
O navio de investigação, o primeiro do género no país, está equipado com a mais moderna tecnologia, que lhe confere grandes valências no domínio da investigação científica.
A fonte sustenta que a embarcação vai permitir conhecer profundamente a nossa diversidade de recursos marinhos, bem como aumentar o volume de informação dos “investigadores no âmbito da economia azul”.
“Trará benefícios não só económicos como também sociais e ambientais”, revela o documento do Ministério das Pescas e do Mar.
O navio permite aferir qual o nível de poluição do nosso mar e oceano, com os plásticos e não só, e ajuda a encontrar soluções para minimizar esta poluição.
“A embarcação vai permitir aumentar o conhecimento dos nossos mares, bem como ajudar a estabelecer o reforço no âmbito da cooperação com investigadores de outros países, e universidades nacionais, até mesmo desenvolver parcerias em projectos de investigação a nível regional”, sustenta.
As valências do navio de investigação “Baía Farta” vão “ para além do mar, já que podem auxiliar a meteorologia sobre o mau tempo até anunciar a eminência de um vulcão”.
O “Baía Farta” é um dos três em todo o mundo com tão moderna tecnologia e sofisticação. É o primeiro em África, o que dá a Angola o privilégio de poder liderar a investigação no domínio das pescas e do mar.