Os bancos comerciais nacionais instalados em Cabinda dispõem de uma carteira de crédito de USD 50 milhões para financiar os investimentos empresariais e de do público, num esforço de fortalecimento da economia da região, anunciou ao JE o delegado regional do Banco Nacional de Angola (BNA), Estêvão Pitra.

Segundo o gestor bancário, que falava por ocasião do 33º aniversário do BNA, assinalado no último final de semana, o montante de que as instituições financeiras dispõem vai permitir aos empresários de Cabinda a implementarem os seus projectos, que visam desenvolver a região, para o bem estar social das populações. Realçou que no âmbito da política creditícia, os bancos comerciais têm estado a cumprir com o seu papel de financiar a classe empresarial e clientes particulares para o crescimento da economia desta parte do território nacional.

De acordo com o delegado regional do BNA, quanto maior for o número de bancos comerciais a operarem no território, maior será o valor de financiamento que os bancos comerciais irão disponibilizar aos empresários e à população. Acrescentou que o engajamento dos bancos comerciais está a permitir o melhoramento da qualidade e diversificação dos seus serviços bancários, o que está a contribuir para o desenvolvimento económico da região.

Para Estêvão Pitra, com o surgimento de bancos comerciais na região, a capacidade de captação de poupança aumentou em 50%, o que significa que a delegação regional do BNA já não recorre ao banco central para pedir reforço de tesouraria.

Balcões nos municípios

De acordo com Estêvão Pitra, com o objectivo de expandir a rede bancária em todo o território da região, o BNA tem estado a sensibilizar os bancos comerciais de Cabinda, para se instalarem nos municípios do interior, a fim de que as populações dessas localidades possam usufruir dos serviços bancários, com vista a permitir o aumento da taxa de bancarização da economia local.

Referiu que o objectivo da delegação regional do BNA é de ver os bancos comerciais a se instalarem nos municípios do Belize e Cacongo, como está a acontecer na vila do Bucu-Zau, onde o Banco de Poupança e Crédito (BPC) está a construir um balcão para atender os empresários e a população daquela localidade. Acrescentou existirem vários projectos em carteira de abertura de mais bancos comerciais para que a taxa de bancarização da economia da região seja aumentada.

O responsável do BNA referiu que o sistema bancário da província de Cabinda tem vindo a evoluir, com a instalação de 11 bancos comerciais, nomeadamente, o Banco de Poupança e Crédito, Banco Comércio e Industria, Banco Africano de Investimento, Banco Fomento de Angola, Banco Internacional de Crédito, Banco Sol, Banco Millennium Angola, Banco Comercial Angolano, Banco Totta & Açores, Banco Espírito Santo Angola e o Banco de Negócios Internacional. Frisou que com a existência dessas instituições financeiras, a competitividade, a eficiência e a eficácia dos serviços bancários aumentaram, o que está a permitir os clientes locais a escolherem os bancos que executam com perfeição actividade bancária.

Disse ainda que os cartões electrónicos são já uma realidade na região, o que tem estado a facilitar os clientes da banca comercial a procederem os levantamentos junto das caixas automáticas em qualquer momento, reduzindo o fluxo nos balcões de atendimento.

Mitigar os efeitos da crise mundial.

Efeitos da crise mundial

Segundo Estêvão Pitra, a crise financeira mundial obrigou o Governo central e o Banco Nacional de Angola a tomarem medidas para mitigar os seus efeitos. Para tal, segundo disse, procedeu-se à emissão das Obrigações do Tesouro como meio de enxugamento de liquidez no mercado nacional e potenciar o Governo angolano para a concretização dos seus investimentos.

Adequação do coeficiente de reservas obrigatórias para 30%, ajustamento da taxa média de redesconto para 25%, bem como o aperfeiçoamento dos procedimentos referentes à compra e venda da moeda estrangeira, também foram algumas medidas tomadas pelo Governo de Angola e pelo BNA.

Realçou que tais medidas permitiram o abrandamento do ritmo de redução das receitas internacionais líquidas e a desaceleração da inflação. Acrescentou que com o aumento da procura pela moeda estrangeira e aparente escassez da mesma, houve a desvalorização da moeda nacional no mercado formal, com maior incidência no mercado informal.

Para evitar que a moeda se depreciasse à proporções que colocassem em risco a estabilidade cambial conquistada pelo Governo angolano, o Banco Nacional de Angola orientou o relaxamento das medidas cambiais e aumentou a oferta da moeda estrangeira, o que tem resultado na apreciação da moeda nacional no mercado secundário.

Estêvão Pitra referiu que, ao longo dos 33 anos, o BNA em Cabinda tem desempenhado a sua missão que é de gerir o meio circulante na região, que se consubstancia na recepção dos depósitos obrigatórios, disponibilizando ao sistema bancário as cédulas com curso legal. O sistema de pagamentos em tempo real (SPTR) é uma outra ferramenta que evoluiu nos últimos anos, que contribuiu na diminuição dos riscos das operações bancárias.

“Também temos vindo a cumprir com as normas dos novos procedimentos de licenciamento de valores para as transferências cambiais e agimos de acordo com as instruções e regulamentos existentes, que visam disciplinar as transferências cambiais, na deslocação de moeda estrangeira para fora do país”, disse o representante do BNA.