As obras de reabilitação da barragem da Matala, a Leste da cidade do Lubango, são concluídas e entregues no próximo dia 31, garantiu o empreiteiro.

Em entrevista ao JE, o director-geral da empreitada, Celso Pontes, informou que os trabalhos orçados em cerca de 26,4 mil milhões de kwanzas (249, 6 milhões de dólares) duraram 40 meses, estão praticamente concluídos e serão entregues até finais deste mês.
As obras foram visitadas pelo secretário-geral do MPLA, Julião Paulo “Dino Matrosse”e o governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge.

Celso Pontes informou que os trabalhos se consubstanciaram na reabilitação completa da infra- -estrutura e, até sábado passado, estavam a decorrer apenas trabalhos de revisão e outros detalhes das realizações feitas.

Obras
Celso Pontes disse que foram feitas oito novas comportas radiais e descarregadores em crista livre de betão.
Explicou que o projecto de reabilitação da barragem da Matala, iniciado em Agosto de 2011 e financiado pelo Executivo angolano, no quadro do crédito do Canadá, compreendeu a reabilitação de todos os descarregados em crista livre.

Explicou que antes era impossível fazer a regulação do caudal aceitável de água destinada à produção ao longo do perímetro de irrigação da Matala. Com a reparação dos seis primeiros descarregadores em crista livre e a introdução de oito novas comportas radiais, a regulação da água passa a ser efectiva em melhores condições.

Foram colocadas novas comportas de charneira, porque as antigas ficaram encravadas e colocavam em risco a barragem.
Afirmou que a obra permitiu também reabilitar a ponte, que permite efectuar a circulação rodoviária e ferroviária de peões de animais com segurança.

Na estrutura da ponte foram colocados novos apoios fixos e móveis que permitem que a variação da temperatura e o movimento das viaturas possam ter limites projectados com segurança. Foram reparadas juntas do próprio tabuleiro e aplicado o novo tapete asfáltico. O sistema de drenagem está modificado, o que permite escoar as águas das chuvas com rapidez.

Duração
O director-geral da empreiteira, afecta à empresa nacional de electricidade, Celso Pontes, esclareceu que a obra feita permite ter uma durabilidade de 30 anos ou mais.

O responsável defendeu a realização da manutenção periódica ao longo da cada período, de forma a que a obra tenha maior durabilidade.

Antes já não se podia ter mais água, tanto para a produção de energia eléctrica, como para a irrigação, numa altura em que, garantiu, a “reabilitação feita permite ter maior retenção de água”.

Infra-estrutura
A barragem da Matala tem um canal de irrigação que tira muitas vezes água a montante. Actualmente, avançou, já se pode armazenar uma maior quantidade de água para irrigar os campos agrícolas, assegurou.

Foram ainda reabilitados os 36 pilares em estrutura de betão, que futuramente vão permitir mais água, “porque foram ampliadas para mais metros”.

Depois da entrega, os técnicos poderão efectuar a continuidade dos pequenos trabalhos de reparação e acabamentos, mas a obra é entregue no final deste mês.

O director de obras disse que o objectivo da reabilitação prendeu-se sobretudo à garantia da infra-estrutura, que antecede a segunda fase que vai abarcar a reabilitação do sistema de produção e distribuição de energia eléctrica, a partir da central térmica da barragem da Matala.

O aumento de retenção de água vai permitir que, no futuro, se possa fazer o aumento da potência para mais de 40 por cento.
Celso Pontes, director-geral da obra, pela parte da direcção nacional de electricidade, disse que já foi lançado o concurso de reabilitação da central térmica em que consta a substituição de máquinas novas. Mais de 700 trabalhadores estiveram engajados no trabalho de reabilitação da barragem da Matala.

Mais-valia
O administrador municipal da Matala, Miguel Paiva Vicente, disse que a principal actividade é a agro-pecuária, que combina com o comércio e pequenas indústrias, onde se destaca a barragem hidroeléctrica sobre o rio Cunene, que fornece energia eléctrica às cidades do Lubango, Namibe e a alguns municípios.

Destacou ainda que a Matala conta com o Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, a estrada nacional 280 e um aeroporto com 3.000 metros de pista, vias que permitem a mobilidade de pessoas e bens.

Mais energia
O secretário-geral do MPLA, Julião Paulo “Dino Matrosse”, reconheceu a imponência da obra feita, que vai permitir produzir mais energia, não só para o município da Matala, mas também para a a capital da província da Huíla e outros municípios. Dino Matrosse disse que é impossível haver desenvolvimento sem energia.

“O Executivo está a trabalhar para que tanto no município da Matala, como noutras regiões haja investimentos, haja indústria e é impossível alcançar este ganho sem energia eléctrica”, recordou.

Por outro lado, o responsável reconheceu que a energia, que vai ser produzida na Matala, não vai chegar para toda a província, mas sim minimizar as necessidades.

Disse que a mesma barragem fornece água ao longo do perímetro irrigado do canal construído para o efeito. Afirmou que o mesmo ainda não está completo e prometeu que o MPLA está a trabalhar com o Executivo para que, quando houver possibilidade financeira, se termine a obra, porque desse município podem sair alimentos para abastecer até a capital do país.

“Há políticas e vontade da população e agricultores em trabalhar a terra. É preciso que o canal esteja completo para que aqueles que se dedicam à agricultura possam produzir bem”, disse.