O município de Amboim, província do Cuanza Sul, acolheu ontem, quinta-feira, um seminário dedicado ao fomento da produção intensiva de café arábica em Angola, promovido pelo Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).
Enquadrado na implementação do plano estratégico 2018-2022, no âmbito do fomento da economia, a iniciativa do BDA visa contribuir para os esforços de desenvolver fileiras produtivas com potencial de exportação.
Segundo uma nota de imprensa da instituição financeira angolana, a que o JE teve acesso, o BDA celebrou um contrato de assistência técnica com uma entidade especializada da Índia para o desenvolvimento e exploração sustentável de fazendas cafeeiras de médio e grande porte e uma eventual mobilização de investidores indianos.
Além do seminário que visou interagir com os principais intervenientes da fileira do café no Cuanza Sul, realizaram-se visitas a seis fazendas de cultivo de café arábica, localizadas nos municípios de Amboim, Quibala e Libolo.
Foram prelectores no seminário especialistas indianos que abordaram a experiência de desenvolvimento do sector do café na Índia e um especialista do Instituto Nacional do Café (INCA) que apresentou o quadro actual do sub-sector em Angola.

Produção cafeícola
O ambiente produtivo vigente, actualmente, no sector cafeícola angolano apresenta vários desafios, entre os quais, destaca a nota, a idade avançada das plantações de café, resultando em baixa produtividade, baixo nível de mecanização das operações culturais, apesar do potencial para a sua utilização.
Consta ainda dos desafios, a deficiente infra-estrutura de processamento pós-colheita, a necessitar de investimentos para a sua remodelação e ou modernização, visando uma maior qualidade do produto final, além da desarticulação da rede de processamento e comercialização.
“A sua recuperação permitirá a venda baseada na qualidade do café comercial e maior captação de divisas”, sustenta o documento.
Apesar dos desafios, avança a fonte, as potencialidades no sector do café são inúmeras e se consubstanciam nas condições edafo-climáticas favoráveis que permitem produzir tipos diferentes de café, nomeadamente o café robusta e o café arábica, existência de terras mecanizáveis onde o café pode ser cultivado.
Há, também, a destacar a existência de uma cafeicultura baseada na sustentabilidade e qualidade –proporcional, um potencial de sustentabilidade e qualidade, o que permite explorar nichos de mercado existentes no âmbito do café orgânico e a geração de emprego, sendo que “o café é por excelência um produto com enorme potencial para absorver mão-de-obra e gerar emprego no meio rural e não só”.
“A capitalização das potencialidades enumeradas, alinhada aos avanços actuais nas tecnologias de produção de café, podem contribuir para o processo de diversificação da economia”, revela a nossa fonte.
A Índia é o sétimo maior produtor de café no mundo. Em termos de variedades de grãos de café, o Robusta representa 70 por cento das variedades de grãos de café cultivados no país. A maior parte das suas importações e exportações de café ocorre no segmento de grãos de cafés. Os principais parceiros de importação do país incluem o Vietname, Indonésia, Uganda, Quénia e o Brasil.
Participaram do evento entidades do Ministério da Agricultura e Florestas, governo da província do Cuanza Sul, quadros do Banco estakeholders de referência na produção de café.

Fomento da produção
O INCA prevê implementar a produção do grão nas 18 províncias onde foram disponibilizadas mudas (plantas pequenas) de café.
O sector prevê que o aumento da produção passe também pelo alargamento de áreas cultivadas, e precisa-se para isso 25 milhões de mudas.
Para execução do projecto, vão ser inseridas mais de 25 mil famílias e 30 mil agentes ligados ao sector empresarial. A implementação e execução de um projecto com duração de cinco anos que consiste na torrefacção do café nos locais de produção.
Este projecto mais de 678 explorações agrícolas e 10 mil empresariais vão ter o apoio directo do Estado e prevê a torrefacção de toda a produção nacional. O plano passa também pelo aumento das escolas de campo, comercialização e industrialização do café e perspectiva-se cobrir uma área superior a 929 hectares.
A nova zona cafeícola está a ser realizada num eixo que integra o corredor Ganda/Cubal, na província de Benguela, Caluquembe, Chicuma e Chongoroi, na província da Huíla, zonas onde há grande dinamismo na plantação de café arábica.
O Executivo angolano traçou vários eixos para potenciar a produção cafeícola entre os quais o financiamento e o seu fomento, recuperação e desenvolvimento do palmar, assim como a reabilitação da estação de investigação do café Gabela.