Depois de ter alcançado uma produção excedente de alguns alimentos como milho, feijão, citrinos, hortícolas, durante os últimos anos, o Governo da Província do Bié está a intensificar em grande escala, a produção de arroz na perspectiva de tornar autónoma a região. Além das áreas tradicionais na produção do arroz, como os municípios do Chitembo, Kuemba, Camacupa, está também a fazer ensaios da cultura em localidades onde se começa a marcar os primeiros passos, com uma intervenção dos agentes privados.

Expansão da produção

O projecto de expansão da produção do arroz está a ser implementado, em parceria com uma empresa japonesa (Jaica) resultante de uma assinatura de cooperação entre o governo do Bié, e a empresa nipónica.

O acordo entre as partes já permitiu a formação de técnicos especializados na produção do grão, que já estão a monitorizar os pequenos e grandes produtores do arroz para aplicação de tecnologias avançadas para a produção.

O director da Agricultura, Marcolino Sandembo, em entrevista ao JE frisou, que existe uma mais-valia com este acordo, face a aplicação de novas técnicas especializadas na produção de arroz e monitorizam estas no campo.

“Neste momento a produção do arroz do sequeiro que serve para o consumo interno está a aumentar todos os dias, estamos a desenvolver maior dinamismo para acautelar as importações, assim como a aplicação do sistema de arroz em lâmina de água que a sementeira é feita mesmo ali, que tem a vantagem de uma produção mais avantajada”, disse.

Segundo a fonte, a ideia é de transformar esta experiência e adoptá-las em experiência de campo para a interacção entre o camponês e o técnico para as áreas extensas do cultivo do arroz nas diferentes localidades.

Colheita

O sector agrícola na região já conseguiu monitorizar a colheita de mais de 70 toneladas de arroz, numa extensão de 15 hectares (um hectare corresponde a mil metros quadrados de terra). Uma produção que se vaticinal que aumente nos próximos tempos.

Está também em curso, a montagem de sistemas e colocação de quadros técnicos qualificados para o controlo de enfermidades que possam contribuir para a redução da produção. Neste processo produtivo, o responsável da agricultura disse que para o projecto do arroz, estão em aplicação três tipos de variedades e no futuro muito curto pretende-se atingir 100 hectares de arroz.

Descasque

Para facilitar o descasque do arroz, o governo local vai promover a construção de fábricas de descasque nas localidades, onde está a ser aplicada a produção extensiva da produção do arroz e posteriormente canalizar no mercado.

A região apresenta um relevo planáltico, com uma altitude média superior a 1.000 m (superior a 1.500 m no quadrante SW), enquadrada em duas unidades de paisagem - o planalto antigo e a do alto kwanza.

 Vegetação

A cobertura vegetal primitiva é bastante alterada nas zonas submetidas ao cultivo, e é constituída pelo complexo fito-geográfico “floresta aberta - mata de panda; savana com arbustos, “com extensas manchas de comunidades herbáceas dos altiplanos (anharas de alto). Esta paisagem é recortada por vários cursos de água importantes que definem as bacias hidrográficas do Kwanza, Kubango, Luanda, Kuemba, Kutato, Cuiva, Kuquema, Ngumbo, Cuchi, Cunhinga, Kunje e Kune.

Clima

O clima caracteriza-se por dois tipos, nomeadamente: mesotérmico, húmido no Cacimbo; seco e temperado na estação quente. A temperatura média anual é de 25º C com precipitações médias anuais superiores a 1.200 mm cuja a maior concentração de quedas pluviométricas regista- se no período de Outubro à Abril sendo o período seco de Maio a Setembro.

Do ponto de vista geológico, todo o território encontra-se ainda na fase primária das prospecções e explorações das riquezas minerais, estando localizados minerais metálicos no município do Andulo, a 20 km a Sul da cidade, conhecida pela designação de jazida de ferro do Andulo ou Chilesso, havendo ainda nessa localidade minerais radioactivos nunca explorados, assim como fosfato.

Existem diamantes na Nhârea, Chitembo e Cuemba, ao longo da bacia do rio Kwanza, especialmente nas comunas de Caieye, dando e Lúbia.