A ministra angolana do Ambiente, Paula Francisco Coelho, denunciou, esta semana, em Kasane, Botswana, que a caça furtiva constitui a “principal ameaça” à sobrevivência dos elefantes em Angola, país onde “tomou já contornos de crime organizado internacional”.
A governante comentava à imprensa questões relacionadas com a Cimeira do Elefante, que se realizou, na última terça-feira, naquela cidade eco-turística twanesa, evento no qual representa o Presidente angolano, João Lourenço.
Além de responsáveis do departamento ministerial, a delegação angolana ao evento integra, ainda, a embaixadora de Angola no Botswana, Beatriz Morais.
Quanto às políticas do Governo angolano em relação a preservação da flora e da fauna, a ministra disse que Angola, sob a coordenação do Ministério do Ambiente, está a actualizar os instrumentos jurídicos existentes nessa matéria.
De acordo com a governante, a Comissão para a Política Social do Conselho de Ministros já aprovou a Estratégia e o Plano de Acção Nacional para a Biodiversidade.
Essa documentação visa, entre outros, delinear directrizes sobre o uso das plantas pelas comunidades locais, criar novas áreas de conservação e avaliar o status das espécies da fauna selvagem.
Angola é parte das diversas convenções internacionais, tais como a da Biodiversidade(CBD), Espécies Migratórias (CMS) e Combate ao Comércio Ilegal das Espécies Ameaçadas de Extinção (CITES).
Por outro lado, o Ministério do Ambiente estabeleceu parcerias com instituições de investigação científica, a nível nacional e internacional, com vista a levar a cabo levantamentos das espécies da fauna e da flora em vias de extinção, sua distribuição e importância no domínio da ciência e da componente social.
Quanto ao caso particular da população de elefantes, existem programas de conservação desta espécie, tendo sido desenvolvidos a Estratégia e o Plano de Acção Nacional para os Elefantes, e, ainda, o Plano de Acção Nacional sobre o Marfim.
Paula Francisco Coelho acrescentou que foi igualmente criada a Unidade de Combate aos Crimes Ambientais, constituída pelas instituições que zelam pelas questões de defesa e segurança e legalidade constitucional.
A ministra do Ambiente diz ser “difícil”, de momento, estimar o número da população de elefantes em Angola, mas precisa que o país tem duas espécies, designadamente o elefante da floresta e o da savana, nas regiões Norte, Sul e Leste de Angola.
Estimativas não oficiais dizem que, em Angola, a população de elefantes começou a crescer a partir de 2015, atingindo, na actualidade, pouco mais de três mil cabeças, contra as cerca de 70 mil, antes da década de 1970, nessa altura uma das maiores populações da África sub-sahariana.
“Devido ao processo de desminagem em curso, apenas foi possível fazer-se o levantamento em dois parques nacionais, o que não reflecte a população total de elefantes no país”, afirma Paula Francisco Coelho.
A Cimeira de Elefantes de Kasane tem como objectivo reunir Chefes de Estado, ministros e organismos de integração regional do Projecto de Conservação das Áreas Transfronteiriças do Okavango-Zambeze (KAZA), de que Angola é parte integrante.
De uma forma geral, a população de elefantes africanos diminuiu 20 por cento de 2006 a 2015 devido à procura acentuada de marfim, anunciou a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
Esta organização de defesa da vida selvagem diz que foi possível contar com precisão de 415 mil elefantes em África em áreas onde foram realizadas extensas pesquisas e onde, em 2006, havia mais de 500 mil elefantes.
Em algumas áreas do continente africano, como o Sudão do Sul, Libéria e a República Centro Africana, nenhum estudo sistemático foi realizado, por isso é difícil dizer como as populações de elefantes evoluem.
De acordo com o Censo do Grande Elefante, a população da espécie em África sofreu uma assustadora queda de 30 por cento em apenas sete anos, de 2007 a 2014, e continua cair a uma taxa anual de 8 por cento.
O Botswana, com 130 mil espécimes, tem a maior população de elefantes do continente africano, reunindo cerca de 37 por cento da população ameaçada de elefantes de África.