Termina hoje, 27, em Luanda, a II reunião do grupo de peritos ligados à implementação da Estratégia Africana de Luta contra à Exploração e Comércio Ilegal da Fauna e Flora Selvagem em África, iniciada no dia 25, na qual se espera uma nova estratégia para a conservação e protecção dos recursos.
Convidado a discursar no acto de abertura do evento, o secretário de Estado para os Recursos Florestais, André de Jesus Moda, disse que Angola “foi sempre” utilizado como zona de transição do tráfico ou comércio ilegal do marfim, corno de rinoceronte, escamas do pangolin, gorila e aves selvagens. “Só em 2017, foram contabilizados oficialmente cerca de 1,2 toneladas de marfins e outras peças daquelas espécies pré-citadas cujo troféu foram extraídos pelos caçadores furtivos vindos de países diversos”, informou. O governante mostrou-se preocupado com a origem (principalmente de países vizinhos a Angola) dos “traficantes” desses produtos, tendo destacado que será reforçado o financamento nos serviços de fiscalização e controlo “alargando as bases de actuação no além-fronteiras tendo em conta as bolsas residuais dos contrabandistas e a dimwnsão das nossas fronteiras marítmas, terrestres e aeroportuárias”.

África preocupada
Na sua intervenção, a comissária para a Economia Rural e Agricultura da União Africana, Josefa Sacko, o continente africano perde anualmente entre 70 mil milhões a 213 mil milhões de dólares norte-americanos com actividades ilícitas ligadas ao sector dos recursos Naturais.
A diplomata de nacionalidade angolana informou que cerca de 24 milhões de emprego estão também entre os prejuízos anuais desta actividade.
Quanto à extracção ilegal de madeira, Josefa Sacko disse que estima-se que cinco dos dez principais países florestais percam pelo menos metade de todas as árvores cortadas para a extracção ilegal de madeira, respondendo por entre 50 a 90 por cento de todas actividades florestais nos principais países produtores.
Em relação às unidades populacionais de peixes, a captura global de pesca ilegal não declarada e não regulamentada constitui 46 por cento da captura total mundial de peixe.
Josefa Sacko salientou que o mercado asiático vende um quilograma do marfim entre dois mil e quinhentos a três mil dólares e o rinocerontes a 60 mil dólares.
“Os números da caça furtiva no continente permanecem em níveis insustentáveis apresentando uma mortalidade que excede a taxa de natalidade natural, resultando assim num declínio contínuo no número de elefantes africanos devido a uma demanda crescente e aumento assustador da caça furtiva aos marfins de elefantes e chifres de rinoceronte”, sublinhou.
A partir desta reunião de Luanda, Angola passa a assumir a vice-presidência do Comité para a caça fuirtiva a nível da União Africana.