O projecto de desenvolvimento das cadeias de valor da agricultura para a província de Cabinda, co-financiado pelo Executivo angolano e o Banco de Desenvolvimento Africano (BDA), avaliado em usd 123 milhões, vai dar prioridade, na campanha agrícola 2019/2020, à produção das culturas de cacau, café, palmar e cajú.
Além destes produtos, o projecto contempla, igualmente, as culturas da banana, mandioca, batata-doce, feijão, abacaxi, aquicultura e pecuária, com o objectivo de estimular o desenvolvimento, de modo a garantir a auto-suficiência alimentar e o bem-estar das famílias camponesas da região.

Aposta forte
De acordo com o governador de Cabinda, Marcos Nhunga, que falava, recentemente, num encontro com as associações camponesas, cooperativas agrícolas e agricultores, está ainda em forja, no âmbito do projecto, na comuna de Dinge, a implementação de produção de pequenas unidades agrícolas.
Esta iniciativa será essencialmente para os técnicos fazerem estudos de preparação de terras e para a criação de diversas mudas para o desenvolvimento das culturas seleccionadas no programa.
“Com esses projectos em marcha, achámos ser suficiente para darmos um passo significativo para o desenvolvimento da agricultura em Cabinda”, disse.
O responsável acrescentou que o projecto inclui, também, a produção de fruteiras como laranjeiras, tangerineiras,limoeiros e mangueiras.
O projecto de desenvolvimento das cadeias de valor da agricultura visa apoiar o crescimento inclusivo, através da transformação da agricultura, o desenvolvimento de infra-estruturas económicas sustentáveis, em particular nos sectores de energia e transportes.
Consta do programa, a promoção de um ambiente propício para o desenvolvimento agrícola, com vista a garantir maior produtividade das culturas seleccionadas e na pesca marinha, continental e da horticultura.

Instalação de fábricas
Para Marcos Nhunga, se o programa das cadeias de valor da agricultura conseguir aumentar as áreas de produção da mandioca, banana, feijão e de outras culturas seleccionadas, o governo provincial pensará na instalação de pequenas indústrias de transformação e de processamento de carne, cacau e café.
“A província de Cabinda tem inúmeras culturas que podem ser desenvolvidas. Agora, vamos trabalhar e pôr mãos à obra, porque os apoios já existem, por isso, temos que nos engajar para o sucesso deste projecto”, alertou.
Para ele, a coordenação do projecto e a empresa gestora tem a responsabilidade de apoiar os agricultores, camponeses e as cooperativas agrícolas para que possam aumentar a produção da mandioca, banana, feijão, batata-doce, abacaxi, café, cacau e o palmar.

Carência de técnicos
A falta de técnicos especializados pode ser um “impasse” para o sucesso do projecto de desenvolvimento das cadeias
de valor da agricultura.
O governador reconheceu que, a província de Cabinda, possui um défice de técnicos no sector da Agricultura para o êxito do programa.
Ainda assim, o governo local espera recrutar mais técnicos de outras províncias para trazerem o “know-how” e troca de experiências.
“Reconheço que Cabinda tem défice de técnicos para poderem atender as culturas que fazem parte do projecto das cadeias de valor da agricultura. Precisamos de especialistas nas áreas de pecuária, produção de banana, mandioca e de batata-doce, como nas outras províncias onde existem para este tipo de cultura”, referiu.
A iniciativa está a ser implementada nos quatro municípios da província, nomeadamente Cabinda, Cacongo, Buco-Zau e Belize, e vai beneficiar
mais de 50 mil agricultores.
De acordo com o secretário provincial da Agricultura, Pescas e Florestas, para um desenvolvimento sustentável, a província de Cabinda não tem outra alternativa senão apostar na agricultura.
O sector controla em Cabinda cerca de 100 associações camponesas, 50 cooperativas agrícolas e 120 unidades
da agricultura empresarial.