O Programa de Desenvolvimento da Pesca Artesanal (POPA) e o de Ordenamento de Pescas e Aquicultura têm como missão contribuir para o crescimento sustentável, através da interligação dos diferentes sub-sectores, que interligam a cadeia de valor nas pescas.
A afirmação é do secretário de Estado das Pescas, Carlos Cordeiro, quando na passada quarta-feira, em Luanda, discursava na abertura do workshop sobre a “Análise e actualização dos estudos existentes sobre a cadeia de valor das pescas e a elaboração de planos de negócios respectivos em Angola”.
Para o governante, estes intrumentos vão desde a construção naval ao consumidor final de pescado, incluindo o processo de gestão participativa, investigação e formação em diversas áreas de intervenção.
Segundo disse, já com o produto da pesca, nos pontos de descarga, outros agentes integram a cadeia de valor, com realce para os estivadores, mulheres processadoras, pessoal de pesagem, clientes entre outros agentes, que criam vários empregos no final da cadeia de valor.
O governante referiu que integram, igualmente, neste processo os sectores da Indústria, Transportes, Comércio, Agricultura, Interior e Defesa, entre outros que produzem bens, equipamentos e serviços.
São igualmente envolvidos na cadeia de valor, outras figuras, como por exemplo, a do despachante marítimo, transitários, empresas especializadas na venda de combustíveis, fabricantes de gelo, fornecedores de embalagens de vários tipos, e lojas especializadas em materiais de pesca.

Benefícios
Carlos Cordeiro realçou que a análise e actualização dos resultados dos estudos irá proporcionar aos decisores públicos e gestores de empresas de pesca, uma ferramenta sistemática que permitirá compreender os processos da indústria e da industrialização, e em particular “ conhecer os custos relacionados com as várias etapas integrantes da cadeia”.
“A actividade pesqueira em Angola, desde sempre, foi considerada como de extrema importância, caracterizada pela grande capacidade de produção de alimentos nos mares e rios, e noutros ambientes onde os ecossistemas aquáticos produziam vida”, precisou.
Enquadrado no Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI), o workshop co-organizado com o Ministério da Economia e Planeamento teve como objectivo recolher contribuições que visam o aperfeiçoamento da cadeia de valor dos produtos da pesca e seus derivados.
Durante o evento foram aflorados temas ligados à pesca semi-industrial (pequenos pelágicos), pesca artesanal (sardinela e demersais de alto valor comercial), aquicultura (tilápia-bagre), produção de sal, construção e manutenção naval, além da problemática dos fornecedores directos à produção pesqueira.
Dados do sector indicam que Angola tem seis mil quilómetros quadrados de rios e lagoas naturais, bem como 1.650 quilómetros de costa marítima, potencialidades que bem aproveitadas podem garantir o desenvolvimento do sector das Pescas, com realce para a aquicultura em água doce e no mar.