António Eugénio

Os sinais de uma campanha agrícola com bons resultados, na comuna da Funda, município do Icolo e Bengo, em Luanda, são visíveis à olho nu, num horizonte que se perde na paisagem verde, que anuncia fartura para os próximos tempos.
Homens e mulheres de faixas etárias diferentes, fazem do trabalho de produção agrícola, a sua principal actividade, nas várias extensões de terra, circundadas com uma vegetação ímpar.
A época agrícola 2017/2018 teve início há alguns dias, e muitos camponeses programaram à medida do possível, a sua actividade, para que as dificuldades não atrapalhem o proposito final, que visa uma boa safra de cereais, tubérculos e outros produtos do campo.
Ainda assim, há sempre algo que ultrapassa as expectativas daqueles que com o seu esforço querem ajudar a edificar e fortalecer o tecido produtivo nacional, através da agricultura.
Vários produtores denunciaram ao JE, a existência de pequenos focos de pessoas que estão a alterar o preço dos fertilizantes, contrariamente as medidas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Florestas.
O agricultor Arlindo Casseque, que trabalha numa extensão de cerca de dois hectares, aponta que há sinais claros de pessoas que já começam a comercializar fertilizantes ao valor de 9 mil kwanzas, o saco de 50 quilogramas.
“Para evitar que a situação se alastre, pedimos as autoridades que tomem medidas, para que o caso não prejudique a colheita”, disse.
Um outro agricultor também alinha no mesmo pensamento, tendo defendido uma acutilante e redobrada fiscalização para se debelar estes casos.
Como se sabe, e tal como amplamente divulgado pelo ministério da agricultura e Florestas, o acesso aos fertilizantes e outros insumos que já chegaram a custar 35 mil kwanzas (quase 150 dólares) um saco de 50 quilogramas, enquanto que
no exterior custa 12 a 15 dólares, seja facilitado e praticado a bons preços. O estipulado pelas autoridades é de cerca de 5 mil kwanzas um saco de 50 quilos.
Uma fonte do Ministério revelou que está em vista a implementação de medidas urgentes, para detectar os prováveis indivíduos que praticam esta acção e travar está irregularidade “nociva” ao programa do Governo.
A falta de fertilizantes e a alta de preços do mesmo, pode constituir um dos factores estranguladores para o sucesso da actividade agrícola.

Sinais de recuperação

O presidente da Confederação das Associações de Camponeses e Cooperativas Agro-pecuárias de Angola (Unaca), Albano Lussati, disse à imprensa, recentemente, que os primeiros resultados da baixa do preço dos fertilizantes já são notáveis
na chamada “cintura verde de Luanda”, particularmente, em Cacuaco, onde floresce uma grande produção de milho, batata e cebola.
A nível da região, considerou, a época agrícola arrancou “bem” e com expectativas de colheitas suficientes, face à disponibilização dos fertilizantes e das sementes por parte do Executivo.
Especialistas defendem que para valorizar a produção nacional, há necessidade de se traçar políticas que facilitem o escoamento do produto do campo para a cidade, assim como estabelecer políticas agrárias
que incentivem a produção.
Revelam que é preciso começar a ver o sector da agricultura como o grande impulsionador da economia de Angola.
Recentemente, o chefe do executivo angolano, defendeu mais apoio e financiamento para o sector produtivo angolano, medida que vai garantir a segurança alimentar e reduzir as importações de produtos alimentares.
O Ministério da Agricultura e Florestas estabeleceu uma parceria estratégica com o Reino de Marrocos, um dos maiores produtores
de fertilizantes do mundo, para que o produto possa ser comercializado no mercado nacional a um preço que vá ao alcance dos camponeses.
Está também em vista, a construção de uma unidade fabril de fertilizantes, no período de 2019-2020.