A falta de máquinas para descascar o arroz tem estado a dificultar a actividade dos camponeses, no município do Bailundo, na província do Huambo.
Os camponeses disseram, em declarações ao JE, que estes constrangimentos têm impossibilitado a produção e escoamento em grande escala do arroz para os principais mercados do país.
Francisco Venda, responsável da associação dos camponeses “Semente do Planalto”, revelou que além da falta de máquinas de descasque, os produtores não têm beneficiado de incentivos, sobretudo pesticidas.
Realça que neste momento “existe arroz nos celeiros, colhido no ano passado, já debulhado manualmente”.
Acrescentou que “por insuficiência das debulhadoras, a produção tem sido reduzida”.
Francisco Venda apela as autoridades para que prestem cada vez mais apoio aos projectos que podem contribuir para melhorar a economia nacional e dos camponeses nas zonas rurais.
“O Estado deve ajudar os produtores a não desistirem desta actividade, sob pena de agravar ainda mais a situação económica do país”, sublinhou o produtor.

Colheitas
Em 2014, foram colhidas oito toneladas de arroz, numa extensão de 2,5 hectares, mas explicou, pela falta de meios de transformação viram-se obrigados a reduzir a produção para “não se estragar nos silos”.
O município da Caála é, a nível da província do Huambo, a única que possui máquina de descasque de arroz, uma situação que o responsável da associação “Semente do Planalto” considera de “constrangedora”, porque os camponeses “são forçados” a levar o produto até à Caála ou solicitar o envio das máquinas ao Bailundo para descasque.
“Precisamos com urgência, a intervenção do Estado para solucionar estas dificuldades”, im plorou.
De acordo com dados avançados pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) do município do Bailundo, a produção de arroz é desenvolvida por 150 famílias camponesas, organizadas em cooperativas, numa área de cultivo de 2,5 hectares, na comuna sede, no Lungi, através da cooperativa “Omwenho Wefetikilo”.

Superar as dificuldades
O director municipal do Ida, Maurício Sambule, apontou o incentivo à produção do arroz como maneira de diversificar a economia e aumentar a produção, factores que contribuem, também, para a rentabilidade das famílias camponesas.
Em relação às máquinas de descasque, sublinhou que as mesmas existem, mas estão avariadas porque não tinham capacidade para atender a demanda do arroz produzido.
Em função dessa situação, disse, os camponeses comercializam o arroz, que colhem, de maneira individual.
No Huambo, está a ser implementado o projecto do fomento do cultivo do arroz, que conta com o acompanhamento da Agência Internacional de Cooperação do Japão, que tem realizado acções de formação nos municípios do Bailundo, Caála e Ecunha, consideradas de grandes potencialidades para a produção do arroz.

Falta de semente de arroz

Produção do cereal pode estar condicionado

A chegada tardia à província do Huambo de sementes para o cultivo de arroz contribuiu para a redução, em grande medida, das áreas do mesmo, durante a presente época agrícola 2019/2020.
De acordo com o director do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), Victorino Chonguela, para a campanha agrícola 2019/2020 estavam previstos o cultivo de 62 hectares, com o envolvimento de 115 famílias camponesas, nos municípios do Bailundo, Caála, Cachiungo e Ecunha, mas devido a insuficiência de sementes reduziu-se para 32 hectares.
Nesta altura, acrescentou Victorino Chonguela, a província conta já com 25 toneladas de sementes de arroz, para serem cultivadas na próxima época (2020/2021), visto que a fase de sementeiras de arroz decorre entre Outubro e Novembro.
O responsável destacou a qualidade da produção de arroz nesta região do Planalto Central de Angola, que tem feito parte da dieta alimentar de muitas famílias.
Acrescentou que o preço da comercialização não difere muito do importando, tendo em conta a qualidade que apresenta.
Para este facto tem contribuído muito para este facto, de acordo com o responsável, a assistência da Agência Internacional de Cooperação do Japão (JICA), desde 2013, às famílias produtoras de  arroz dos municípios do Bailundo, Caála, Cachiungo, Ecunha e Huambo, no quadro da implementação do projecto de revitalização do cultivo desse cereal em Angola.

Campo experimental
O primeiro campo experimental de produção de arroz, nesta região, foi feito na Faculdade de Ciências Agrárias, da Universidade José Eduardo dos Santos, na zona da Chianga, com foco na segurança alimentar e redução das importações do produto.
O objectivo, acrescenta, é igualmente o de aumentar as receitas das comunidades envolvidas no programa, visando o fortalecimento da economia nacional.
Numa primeira fase, foram identificadas, na província do Huambo, o campo experimental da Faculdade de Ciências Agrárias, na zona da Chianga, 12 quilómetros da cidade do Huambo, além dos municípios do Bailundo e Caála.