Cerca de 569 famílias que residem nos municípios dos Gambos, Cacula e Quipungo, estão abrangidas pelo programa de gestão e técnicas agrícolas, no quadro do programa de fortalecer a resiliência das comunidades vulneráveis e afectadas pela seca na província do Huíla.
De acordo com o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) na região Sul, Matteo Tonini, o projecto implementado pelo Ministério da Agricultura e Florestas, em parceria com o da Educação, além da ONG Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA), com o financiamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), num valor de 169 mil dólares.
Matteo Tonini explicou que a acção iniciou em Janeiro de 2017 e termina em Março deste ano, cujo objectivo é munir os abrangidos, para lidar com as mudanças climáticas e melhorar as suas práticas de protecção das crianças.
Tonini referiu também que o projecto contempla 12 Escolas de Campo Agro-pastorais (ECAPs), cuja missão principal é potenciar as famílias com matérias ligadas ao fortalecimento do papel da mulher rural, gestão dos pontos de água e a capacitação em técnicas agrícolas, com o fim de ligar cada vez mais as novas gerações ao “mundo rural e ao seu desenvolvimento”.

Projecto-piloto
Revelou que no âmbito da parceria que as Nações Unidas tem com o Governo de Angola, no ano de 2017, a província da Huíla, foi seleccionada para realizar projectos-pilotos no âmbito da filosofia “ONE UN” (“Uma - Nação Unidas), que visa valorizar as vantagens comparativas de cada agência da Nações Unidas e realizar programas integrados de desenvolvimento rural integrado.
O projecto, baseado nas experiências das escolas de campo, instaladas pela FAO, conta com a parceria da ONG nacional Adra.
Em Janeiro foi realizada a primeira formação a nível de todas as escolas de campo, sobre a gestão integrada das pragas e doenças das plantas, através de bio-inseticidas produzidos localmente.
Esta formação permitiu capacitar as comunidades e fornecer os equipamentos necessários à preparação do bio-insecticida.
“Considerando a dependência de Angola das importações de insecticidas e o alto preço dos mesmos, nos principais estabelecimentos comerciais, esta formação teve como objectivo iniciar um caminho que permita reduzir a dependência das importações de fitossanitários, manter nas comunidades os valores necessários para a compra dos insecticidas, e com isso reduzir a poluição a nível do ambiente”, explicou.
Informou que através dos fundos disponibilizados pela Unicef, o projecto contempla a reabilitação de dois pontos de água nas localidades da Tunda II e Fimo, no município dos Gambos, principal factor que limita ao desenvolvimento das comunidades.
O projecto permitiu ainda adquirir sementes de milho e hortícolas, sendo que, devido a irregularidade das chuvas, os inputs agrícolas vão ser entregues nas escolas de campo, onde é possível realizar a rega e poder ultrapassar os
problemas ligados com a seca.
Matteo Tonini congratulou-se com o dinamismo do governo da província da Huíla, com a parceria da FAO e Unicef que tem estado a permitir o desenvolvimento das comunidades
do Sul de Angola.
Reconheceu o impacto do acordo que visa fortalecer a resiliência das comunidades vulneráveis e afectadas pela seca na província do Huíla para lidar com as mudanças climáticas.
Matteo Tonini disse ainda que o projecto contemplou a reabilitação de alguns pontos de água que melhorou o
consumo das comunidades.
A iniciativa abrangeu, também, a formação ligada ao saneamento básico, onde 60 por cento do grupo é do sexo feminino.
O projecto capacitou formadores da Ong Adra, que poderão treinar famílias nas Ecaps, em técnicas ligadas à horticultura bem como saúde animal.

Extensão rural
Afirmou ser importante conciliar o desenvolvimento dos produtores, com realce para a agricultura comunitária, familiar e a empresarial, através da aplicação da metodologia das Escolas de Campo, como principal método de extensão rural, tendo acrescentado que com este projecto os resultados serão
animadores no meio rural.
Matteo Tonini defendeu a necessidade da contínua criação de sinergias entre os pequenos produtores e os grandes empresários, de modo a garantirem a sustentabilidade dos resultados atingidos e aumentar cada vez mais o desenvolvimento rural.