O negócio imobiliário continua a dar rendimentos altos aos agentes que investiram no ramo, numa altura em que ter “casa própria” ainda é uma travessia no “deserto” para muita gente.
Os agentes ligados ao ramo ergueram residências com recursos aos bancos comerciais angolanos, em contrapartida estão a vender a preços altíssimos. A opção adoptada pela maioria foi apostar em condomínios fechados, um modelo “copiado” do Brasil, onde as casas estão dotadas de outros serviços para onerar
o preço da venda.
Se de um lado há acumulação de fortunas por parte de agentes que actuam no sector, há por outro muita gente a viver em casebres, ou seja: “casas pouco dignas”.
Todos esperam por uma oportunidade para adquirir uma casa condigna. A incapacidade financeira parece ser a “espinha na garganta” e o devaneio do sonho da casa própria.
Os critérios comerciais adoptados pelos promotores imobiliários vão desde a venda a pronto pagamento e arrendamento. Os preços são altos que afugentam qualquer um.

Preços muito altos

A reportagem do JE esteve no condomínio “Pingo de Ouro”, próximo ao cemitério do Benfica, em Luanda.
Pertencente a Global Jolfenix Lda, empresa imobiliária, uma casa com a tipologia T3 acabada com água e luz, custa 23 milhões de kwanzas, enquanto que pela inacabada, o cliente paga 14 milhões. O pagamento pode ser
feito em três prestações.
Contactada por via telefónica, a Global Jolfenix Lda explicou que o interessado pode pagar uma primeira prestação de 50 por cento do valor e a outra metade pode ser liquidada num prazo de oito meses. Assim habilita-se a obtenção da casa. Um outro projecto sobre gestão da mesma empresa são as 300 casas não acabadas no zango em Viana, onde uma casa T3 com , chão bruto, cobertura em chapas, reboco interior e exterior, instalação eléctrica, água e luz e direito de superfície custa
3 milhões 800 mil kwanzas.
Próximo ao condomínio “Pingo Doce” está Fragoso Marco, que depois de ter recorrido aos projectos erguidos pelo Estado sem sucesso, busca solução para ter habitação.
Descarta a possibilidade de adquirir em projectos privados, considera “altíssimos”, o pouco que ganha é insuficiente para
pagar uma casa de 24 milhões.
“Os empresários construíram as casas com dinheiro do Estado, deviam encontrar meio-termo para que o cidadão possa comprar uma casa, ou pelo menos implantar o sistema de renda resolúvel”, disse.
Eduarda Maiela, alerta o governo pela especulação de preços no sector imobiliário, defende que se estabeleçam critérios e medidas que regulem o preço na venda de casas.
“Num país onde o salário base é baixo, como é que se pode ter a ousadia de vender uma casa a este preço?! É difícil aceitar que isso
está a acontecer”, precisou.
Considera que todas as hipóteses de resolver o problema habitacional, recorrendo ao sector privado esgotaram.
“As casas são muito caras. A a continuar assim, fica difícil ter casa privada”, acrescentou.
Consta que, muitos investidores tiraram proveito do programa do executivo, que consistia na construção de um milhão de casas para dignificar o cidadão, e ergueram os condomínios.
Uma fonte que pediu anonimato, revela que na fase do programa da construção de um milhão de fogos, o executivo abriu os cordões e disponibilizou milhões de dólares para construir as casas. Contudo, muito deste dinheiro não teve retorno e foi investido fora do programa.

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