Ocentro de larvicultura de tilápia (Cacusso) de Massangano, município de Cambambe, na província do Cuanza Norte, terá um impacto significativo no combate à fome e à pobreza, bem como será gerador de novas oportunidades de emprego.

Inaugurado recentemente, a funcionar em pleno, o empreendimento que ocupa uma área total de cinco hectares, terá capacidade para gerar um total de 250 empregos directos e indirectos. Actualmente, cerca de 50 jovens garantem a funcionalidade das diversas áreas do centro, através da assistência técnica, principalmente no laboratório de análises da qualidade de água.

O centro prevê produzir anualmente cerca de dois milhões de alevinos de peixe de qualidade, com o uso de tecnologia de ponta e de uma espécie melhorada de tilápia, que tem um elevado valor comercial.

A formação de futuros pescadores, bem como de outros profissionais do sector das pescas, consta também entre as prioridades. O investimento contempla ainda o fomento intensivo da produção do pescado com carácter científico.

Mão-de-obra
Guilherme António André Cateve, de 32 anos, é um dos jovens que depois da sua formação académica (ensino médio), conseguiu o seu emprego no centro.

Natural da comuna do Dondo, município de Cambambe, o jovem vive em Massangano, onde com os seus amigos pescava de canoa, em lagoas, daí ter inclinação para o sector das pescas, onde pretende continuar a ganhar o seu “pão”.

No centro de larvicultura, há três meses, o também bioquímico, tem a missão de controlar a temperatura dos tanques, assim como alimentar os peixes.

“A temperatura normal do tanque deve variar entre 24 e 30 graus Celsius, para que os peixes estejam estáveis. A maioria dos tanques têm machos, com um peso médio de 1.937 gramas”, revelou o jovem.

Para ele, a tarefa de cuidar dos tanques é exigente, “mas estou satisfeito por estar aqui. Tenho aprendido muito e ajudado a desenvolver este projecto. Sou um bioquímico. Com este trabalho, estou a exercer aquilo que aprendi na escola”.

Por sua vez, António Escórcio, 23 anos, foi admitido no centro há 10 meses, tendo conseguido o seu primeiro emprego.Formado no Instituto Médio Agrário do Cuanza Norte, o jovem tem a missão de todos os dias (duas vezes/dia) fazer a substituição da água dos tanques.

“Fizemos a actividade de substituição das águas sujas, nos nove tanques existentes aqui no centro, duas vezes todos os dias”, sublinhou.

António Escórcio, veterinário de profissão, entende que o centro veio a calhar, por ser formado na área onde está agora a funcionar.

“Sou felizardo por ter conseguido emprego na área em que me formei, em 2013, que é a de veterinária”, disse.

Infra-estruturas de apoio
O centro de larvicultura conta com 10 tanques (reprodução, reversão sexual, pré-cria, estufas e tratamento de água), sendo dois de 3.000 metros cúbicos (m3) para a reprodução, durante os meses mais quentes e quatro de 500 para albergar os alevinos.

Os restantes quatro de pequeno porte, com 125 m3, vão servir para se proceder à mudança do sexo das larvas. O complexo tem igualmente um centro de captação e bombagem de água e está equipado com tecnologia para acompanhar a maturação dos ovos dos peixes até ao nascimento das larvas e o seu desenvolvimento.

O empreendimento conta ainda com uma fábrica de ração para peixe, com capacidade para produzir 200 kg/hora. A linha de produção vai desde a moagem das farinhas ao embalamento e tem capacidade para produzir para terceiros.

Características
Para a sustentabilidade do centro de larvicultura de cacusso do Cuanza Norte está em curso a implementação do projecto de engorda da tilápia nilóticus, que absorverá 50 por cento dos alevinos.

A fase de reprodução de alevinos inclui o acasalamento, a incubação e a eclosão dos ovos, além da reversão sexual, onde todas as larvas são revertidas para o sexo masculino através de um tratamento hormonal que facilita obter maior índice de crescimento durante a fase de engorda.