O posicionamento estratégico, aliado ao potencial agro-pecuário do município de Quipungo, província da Huíla, faz da região, um celeiro que contribui positivamente na produção de alimentos em grande escala de alimento no país, reconheceu o director municipal da Agricultura, Pascoal Simão.
O potencial de cereais faz da região, o destino de comerciantes, empresários e pessoas singulares para a compra de milho, massango e massambala.
O responsável explicou que as terras aráveis, aliadas com os apoios do Executivo, permitem ao município produzir cereais e tubérculos em quantidades aceitáveis, daí estar já em curso a preparação da campanha agrícola 2017/2018.

Cadeia produtiva
Pascoal Simão disse que a região é potencial na produção de milho e o sector continua a promover acções que permitem aumentar a capacidade produtiva.
Informou que, mais de 65.500 hectares de terra foram aproveitados na época agrícola 2016/2017, para colher 84.250 toneladas de milho, massango e massambala.
Esclareceu que na campanha agrícola 2016/2017, a direcção municipal da Estação de Desenvolvimento agrário (EDA) apoiou 86 associações de camponeses que vivem nas comunas de Tchikonko, Malipi e Quipungo.
O responsável reconhece que no quadro da diversificação económica, o governo continua a disponibilizar sementes, não só de milho, como também de leguminosas e tubérculos.
Acrescentou que, na campanha agrícola 2016/2017, quantidades elevadas foram distribuídas ao município de Quipungo, o que permitiu a população aumentar as áreas de produção e a colheita.
Pascoal Simão reconheceu que a participação da população no sector produtiva é boa, tendo em conta que as quedas pluviométricas têm sido positivas, disse o responsável da agricultura no Quipungo.
As localidades de Malipi e Cahinda, são consideradas pelo director municipal da Agricultura do Quipungo como grandes celeiros na produção e colheitaSW de cereais, particularmente de milho.
A adaptação de horticultura é outra nova adaptação que o município está a intensificar ao longo dos rios.
“Temos áreas que são adaptadas para a produção de fruticultura, quer a nível das margens dos rios e outras zonas”, disse.

Centros de venda
Vieira Muanda é um pequeno empresário, que instalou na localidade de Malapi, um centro de compra de milho denominado “Potchoto Tchepungu” (que em português significa centro de milho).
O centro serve de compra de milho produzido pelos camponeses das localidades de Tchindumbili, Kavissamba, Nombindji, Tchivava 1 e 2, Matemba, Cavilevi.
A mercadoria depois é escoada para as províncias do Namibe, Huambo, Benguela, Bié, Cuanza Sul e Luanda.
Ao JE, o empresário informou que adquiriu camiões, carrinhas e outros meios rolantes para facilitar o transporte da mercadoria.
O empresário compra o quilograma entre 20 a 40 kwanzas, para revender noutros pontos do país. Explicou que, existe períodos em que adquiri mais de 20 mil toneladas de milho.
Para facilitar a actividade de adquirir milho no Quipungo, Vieira Muanda, natural do Huambo, utiliza motorizadas de três rodas, os famosos “Avô veio” e carrinhas do tipo Canter.
Na actividade de compra e revenda de milho, Vieira Muanda, adquiriu mais de dois camiões Scania 112 e outros bens.
“Anualmente adquirimos mais de 100 toneladas de milho que escoamos para as províncias de Benguela, Huambo, Cuanza Sul, Bié, Luanda e Namibe.
Revelou que actualmente, tem 120 toneladas de milho prontas para serem escoadas.
“Estamos à espera que as empresas e empresários possam nos contactar para podermos fornecer o milho nos locais definidos”, defendeu.
Explicou que a venda do milho no mercado depende do preço de aquisição, sendo que a diferença é de 10 kwanzas.
“Actualmente, vendemos o quilo de milho a 50 kwanzas, porque estamos a adquirir nas mãos dos camponeses a 40 kwanzas”, esclareceu, acrescentando que para garantir o funcionamento normal do posto de compra de milho, empregou 12 jovens locais.

Empregos
Joaquim José, 30 anos, natural de Quipungo, é um dos jovens que encontrou no posto de venda de milho de Malipi, o seu primeiro emprego.
O jovem confessou que a sua actividade é encher sacos de 10 a 150 quilos de milho. Explicou que o pagamento é feito por saco e é diário. Por dia ensaca entre 40 a 60. “O meu pagamento é feito por saco e, em cada saco cobramos 100 kwanzas”, disse.
Os preços baixos praticados pelos camponeses na venda do milho preocupa as autoridades locais. Segundo contam, no período de colheita, o quilograma de milho oscila entre 25 a 40 kwanzas.

Preocupação dos camponeses
Os camponeses do Quipungo estão preocupados com a ausência da definição do preço real do milho e feijão.
Em declarações ao JE, o soba grande de Quipungo, Calunga Gomes, disse que os camponeses queixam-se pela desvalorização do preço do milho e feijão, pelos negociantes oriundos da cidade do Lubango e das províncias do Huambo, Bié e Benguela, que muitas vezes definem o preço de 20 a 30 para o milho e 100 a 200 para o feijão.
Os produtores solicitam às autoridades competentes a definição do preço real, por forma a valorizar também a actividade e o esforço que é empreendido pelas famílias camponesas.