Uma nova rota que liga as cidades do Cuito, na província do Bié e a do Luena (Moxico), destinada para a transportação de passageiros e mercadorias diversas foi aberta na passada segunda-feira, pela direcção do Caminho-de-ferro de Benguela (CFB), na cidade do Cuito.
No comboio inaugural, o representante do presidente do Conselho de Administração do Caminho- de- Ferro de Benguela (CFB) no Bié, Nicolau Sapalo, sublinhou que a abertura de nova frequência vai colmatar a demanda (procura) dos serviços por parte da população.
Neste comboio inaugural, segundo uma fonte da Angop, foram transportados mais de 300 passageiros, com destinos diversos, nomeadamente nas sedes municipais de Catabola, Camacupa e Cuemba (Bié), bem como da capital da província do Moxico (Luena).
Nicolau Sapalo, afirmou que a direcção do Caminho-de-Ferro de Benguela disponibilizou para o efeito uma carruagem de 1ª classe, duas de 2ª, cinco de 3ª, duas de mercadoria e uma para furgões.

Frequências
A frequência será efectuada todas as segundas-feiras, no sentido ascendente (Cuito/Luena) e quinta-feira no sentido descendente (Luena/Cuito), com uma capacidade de transportar 420 passageiros e 90 toneladas de mercadoria.
O responsável disse ainda que, a abertura desta rota vem dar resposta à insuficiência de vagas de passageiros que anteriormente o CFB atribuía à província do Bié, que não correspondia com a necessidade.
“Antigamente, nas três frequências semanais que o comboio circulava de Benguela ao Moxico, a cada frequência tínhamos cerca de 100 lugares para passageiros da província do Bié, e eram necessários mais de 300 lugares por dia” disse.
Tal situação, elucidou o representante do CFB, dificultava a transportação da população com normalidade, porque muitos dos passageiros não conseguem encontrar vaga para viajar no local do seu destino.
Com os novos serviços, frisou, caso não corresponder com a demanda o Conselho de Administração do CFB poderá ainda aumentar mais frequências, com vista a satisfazer a necessidade da população e sobretudo aumentar a rentabilidade financeira da empresa.
Eduardo Maurício um dos passageiros, mostrou-se satisfeito com a aposta do CFB, em melhorar os serviços, acrescentando que vai diminuir as “enchentes e os empurrões que se verificavam nos últimos tempos”.

Importância do CFB
No mês de Março, foi destacado o papel que o CFB pode desempenhar para o desenvolvimento nacional e regional.
Na altura tivera sido reiniciado o tráfego ferroviário internacional, após 34 anos de paralisação.
Com aquele passo, a empresa pública ferroviária retomara a circulação do tráfego internacional, sendo que o acto ficou marcado com o transporte de 25 vagões com 50 contentores de vinte pés, tendo no seu interior concentrado de manganês, com mil toneladas procedente da República Democrática do Congo (RDC).
O Governo angolano fez um grande investimento na modernização e reabilitação de toda infra-estrutura do CFB, que beneficiou recentemente de novas locomotivas, no intuito de garantirem maior eficácia na transportação de mercadoria e responder positivamente ao elevado número de solicitações de empresários que pretendem escoar os seus produtos nas regiões ricas em minério na RDC.
A reabilitação geral do Caminho-de-ferro de Benguela é uma obra de infra-estrutura de grande vulto, orçada em cerca de dois mil milhões de
dólares norte-americanos.
A obra envolveu a renovação e modernização total da via, numa extensão de 1.344 quilómetros.
O projecto envolveu a reabilitação de pontes, a construção de apeadeiros e 67 estações novas.
O empreendimento contemplou igualmente a reabilitação das antigas estações, a instalação de novos sistemas de comunicação e de controlo da circulação, a renovação do material circulante, sendo a aquisição de 48 locomotivas novas, 95 carruagens, vagões, novas oficinas e novo
centro de formação profissional.
Em 1974 o tráfego internacional era responsável por 90 por cento das receitas do CFB, com uma capacidade anual de transportação de 10 milhões de toneladas.
A situação de guerra imposta ao povo angolano desde 1974 levou à paralisação do CFB.
Ainda assim, o comboio circulou até 1992. A circulação na linha principal paralisou completamente em 1993.