O programa de reabilitação e modernização dos Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) prevê, para o próximo ano, a construção de seis novas estações e quatro passagens aéreas para peões, com o propósito de reforçar as ligações entre o Bungo e o novo Aeroporto
Internacional de Luanda.

A informação foi avançada pelo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, quando discursava, recentemente, em Luanda, numa cerimónia de lançamento do livro do CFL, “Caminho-de-Ferro de Luanda 127 anos de uma história viva”.

Segundo o governante, o objectivo de ligar o novo Aeroporto de Luanda às outras estações é de permitir dar resposta aos materiais circulantes que virão da América, Europa e Ásia (China) para o território nacional.

“O Executivo angolano pretende investir nestas ligações, principalmente entre o CFL, novo Aeroporto Internacional de Luanda e as estações marítimas, para permitir a livre circulação de pessoas e bens e consequentemente, fazer face ao plano de desenvolvimento
nacional”, sublinhou.

Acrescentou que depois do programa de reabilitação da infra-estrutura o número de passageiros passou de 1,2 milhões/ano para mais de 3 milhões.

“A livre circulação quer de passageiros como de carga entre esses sectores é a forma mais viável para alavancar o crescimento da economia nacional”, disse.

Projectos em carteira
O ministro dos Transportes revelou ainda que constam dos projectos de modernização dos CFL, a construção de um novo centro ferroviário nacional, assim como as oficinas para manutenção dos comboios e equipamentos, além de centros de formação para capacitação dos quadros da empresa.

O ministro acredita que com a conclusão dos vários programas em carteira, o país terá no futuro, condições favoráveis para se transformar numa grande plataforma logística.

O ministro dos Transportes apelou à população em geral a cuidar melhor os bens públicos disponíveis, principalmente a não vandalizar os comboios que são “meios” essenciais para o transporte dos cidadãos.

“É responsabilidade de todos nós, ajudar na educação cívica das pessoas e cuidar o património nacional. Este dever ser o papel de qualquer angolano, que queira ver o seu país a crescer cada vez mais”, sublinhou.

Importância
Convidado no acto, para apresentar o livro, o presidente do Conselho de Administração do CFL, Celso Rosas, destacou a importância que o sector ferroviário desempenha “enquanto elemento estrutural à coesão territorial e ao desenvolvimento
na economia de Angola”.

Para ele, a elaboração do livro foi motivada pelo aniversário da mais antiga empresa pública, que assinalou no dia 31 de Outubro, os seus 127 anos de existência, e que coincide com a inauguração na altura, do primeiro troço ferroviário em Angola, entre as estações do Bungo e da Funda, numa distância de 45 quilómetros.

Disse ainda que o livro descreve “uma história viva do sector que através de fotos e factos, ilustra a sua evolução dos principais indicadores ferroviários e recordações resultante de historias e testemunhos recolhidos, desde 31 de Outubro 1988 até o momento actual”.

O livro comporta dois períodos, sendo um correspondente ao tempo colonial (1888/1975), outro contemporâneo que vai desde 1975/2015.

O PCA do CFL salientou que com a reabilitação da infra-estrutura, principalmente a estação do Bungo, bem como a reposição da circulação ferroviária no troço Dondo/Malanje e mais tarde ao Porto de Luanda, marca um novo ciclo do sector e inspira a enfrentar novos desafios.

“Estamos satisfeitos, apesar das insuficiências e vicissitudes com que infelizmente ainda somos confrontados, já transportamos mais passageiros que no tempo colonial. Agora, já podemos dizer que contribuímos de forma directa para o engrandecimento desta nação”, rematou.

Indicadores
Dados da empresa indicam que no ano de 1973, ainda sob responsabilidade colonial, foram transportados 946.066 passageiros e movimentadas 301.376 toneladas de mercadoria.

Depois do período de reabilitação e modernização, o fluxo do transporte ferroviário foi retomado, sendo que no exercício económico de 2014, os indicadores apontam em mais de 3,4 milhões de passageiros e movimentadas apenas 50.771 toneladas.

Durante o I semestre de 2015 tinham sido transportados mais de 1,8 milhões de passageiros e movimentadas 47.710
toneladas de mercadoria.

A empresa ferroviária de Luanda indica que o actual parque de material circulante é composto por 321 veículos, com 17 locomotivas, quatro equipamentos de via, 96 carruagens e 204 vagões.