O Caminho-de-ferro de Luanda (CFL) pretende para os próximos tempos, reforçar os seus serviços junto da população, prestando assim uma circulação com maior qualidade e eficiência, manifestou, na semana passada, em Luanda,o presidente do Conselho de Administração da empresa
ferroviária, Celso Rosa.
Falando no acto central das comemorações do dia da empresa, que assinalou 129 anos, o responsável reforçou o desejo de no futuro ter um caminho-de-ferro mais próximo das populações, fruto dos investimentos que estão a ser feitos pelo Executivo.
Segundo a Angop, Celso Rosa afirmou que nos próximos dois anos terão caminhos-de-ferro mais modernos, que o actual e sobretudo que trabalhará na óptica da rentabilidade, precisando assim da revisão de algumas condicionantes que afectam o normal desenvolvimento do trabalho, concretamente ligado ao plano de modernização em curso.
Os desafios são muitos, sobretudo da ligação da linha férrea ao novo Aeroporto Internacional, transportando passageiros a partir da Estação do Bungo.
Quanto à venda ao longo da linha, o responsável disse que nota-se já uma outra realidade, fruto do trabalho conjunto de sensibilização exercido pelas administrações distritais do Sambizanga, Ingombota, Rangel e dos municípios do Cazenga, Viana com o CFL.
Relativamente ao respeito da sinalização nas passagens de nível, o presidente do CFL disse registarem alguns desrespeitos por parte dos automobilistas, facto que tem resultado em acidentes entre comboios e veículos, criando transtorno no plano de circulação das locomotivas.
Reconheceu que a empresa enfrenta ainda diversas dificuldades, principalmente no domínio de tesouraria, apesar do forte investimento do Estado em infra-estruturas e meios técnicos para assegurar maior qualidade de circulação.
No âmbito das festividades, o presidente do conselho de administração do CFL procedeu também hoje ao lançamento do site www.cfl.co.ao, bem como a inauguração de dois dormitórios feminino e masculino, com mais de 30 camas nas instalações das oficinas do caminho de ferro, para as equipas encarregues de manter a circulação dos comboios de longo e médio curso.

Tarifa pode alterar

Por outro lado, a autoridade de preços e concorrência de Angola está a analisar uma série de propostas que já foram produzidas para a subida, a qualquer altura, da tarifa do transporte ferroviário, avançou, o PCA do Caminho-de-Ferro de Luanda, Celso Rosa.
“Vamos assistir, nos próximos tempos, subidas graduais no preço do bilhete do comboio”, afirmou o gestor da empresa à imprensa, à margem do III Encontro de Quadros desta instituição.
Celso Rosa acredita que o novo Governo tomará uma posição de equilíbrio que satisfará o interesse dos cidadãos e que permitirá ao CFL funcionar num ambiente que lhe dê normalidade.
Celso Rosa disse que os desequilíbrios actuais são enormes e não contribuem para que a empresa funcione no ponto de vista normal, olhando para os custos operacionais.
Quanto aos preços actuais, a título de exemplo, referiu que, no trajecto entre Luanda a Catete, numa distância de 64 quilómetros, a tarifa é de 30 kwanzas, para os comboios normais, um valor que considerou módico.
Este valor, de acordo com Celso Rosa, não reflecte na realidade os custos reais das operações, daí ser necessidade urgente, a revisão das tarifas, para que a empresa e sua gestão possa arrecadar mais receitas e assegurar a sua actividade de exploração.
A empresa pública, precisa, mensalmente, de no mínimo cerca de 320 milhões de kwanzas, mas actualmente, recebe 102 milhões de kwanzas
como fundo operacional.
Acrescentou que, estão a produzir em média, 40 milhões de kwanzas por mês, um montante que não chega para suportar as despesas com o pessoal, e outras, como a assistência técnica.
O projecto vai permitir a melhoria da circulação do comboio de Luanda/Malanje, Luanda/Ndalatando/Dondo, Luanda/Catete e
vice-versa, com total segurança, sendo que Ndalatando, Dondo e Catete, funcionam normalmente.

Obras em curso

No quadro dos vários desafios do CFL, entre os quais, a construção da segunda linha que vai ligar a estação do Bungo ao novo aeroporto Internacional, a edificação das seis novas estações, além das passagens superiores, a instituição foi obrigada a reduzir as suas operações de tráfego, de acordo com o seu responsável.
Segundo disse, há dois anos o CFL operava diariamente com 12 frequências que baixaram para oito, transportando em média, oito mil passageiros, contra 12 mil anteriores (há dois anos).

Breve historial

O primeiro troço do comboio do CFL, foi inaugurado a 31 de Outubro de 1888, através do então Caminho-de-ferro de Ambaca, ligando Luanda à Funda, num percurso de 45 quilómetros. Este ano (2017), o CFL
completa 129 anos de existência.
A primeira estação, no Bungo, junto à marginal de Luanda, ainda mantém hoje a traça original e chegou a permitir a ligação à zona mais nobre da capital.