O sector ferroviário desempenha um papel preponderante para o desenvolvimento da economia de Angola. Actualmente, o mercado angolano conta com três caminhos-de-ferro, nomeadamente o de Benguela, Moçâmedes e o de Luanda, sendo que este último começou a operar há quase 129 anos (a ser completado no dia 31 de Outubro).
Depois de um longo período de paralisação fruto da conjuntura que o país viveu, os Caminhos-de-ferro de Luanda (CFL) foram reabilitados e modernizados, começando a operar de forma regular no troço Luanda/Cuanza Norte/Malanje.
O comboio continua a ser o transporte mais barato, e neste contexto, tem sido importante na facilitação da circulação de pessoas e bens. Desde a entrada em funcionamento do CFL, a oferta de transporte no eixo que opera tem garantido o crescimento e desenvolvimento desta região, principalmente para  a província do Cuanza Norte.

Mais-valia

Hoje por hoje, a circulação ferroviária Dondo/Luanda tem dado aos pequenos comerciantes a possibilidade de fazer
prosperar os seus negócios.
Dados revelados pelo delegado da estação ferroviária do Dondo (Cuanza Norte), Silas José ao JE, indicam que durante o I trimestre de 2017, o CFL transportou no troço Dondo/Luanda um total de 91.394 quilogramas de produtos diversos e aproximadamente 1.200 passageiros.
De acordo com o delegado, o comboio de passageiros e mercadoria, composto por sete carruagens de passageiros e mercadorias, com capacidade para 45 cada, normalmente carrega 150 passageiros da estação do Dondo e 30
na de Cassualala, aos sábados.
Por cada viagem entre Luanda/-Dondo, o passageiro paga 1.000 kwanzas. Segundo explicou, o comboio que escala o Dondo aos sábados, sai de Luanda às 12, chega às 14horas e 20 minutos, e regressa no mesmo dia às 17 horas pontualmente para chegar
em Luanda duas horas depois.  
Segundo o responsável, as carruagens de maior capacidade carregam até cinco toneladas de mercadoria, já as de menor têm a capacidade até quatro.
Nos últimos dias, o comboio de passageiros tem sido o principal meio de transporte para os empresários da província, bem como os agricultores que pretendem transportar o excedente de produção  para a capital do país.
Segundo informou, a estação regista maior fluxo de passageiros no intervalo das férias trimestrais, festas da cidade do Dondo, bem como no mês de Dezembro.

Trabalho aliciante

A estação do Dondo conta com um total de 23 trabalhadores, entre homens e mulheres. Eliseth Francisca é uma delas. Contou ao JE que trabalha como factora (responsável pela recepção do comboio).
Eliseth revelou que a sua jornada começa às 8 horas da manhã e termina às 15h30. Logo que chega, procura conhecer o itinerário do comboio do dia, busca informação dos monitores e assentadores de via, para melhor exercer às suas tarefas. Ela gosta do que faz. De segunda à sexta, o traje é de “executiva” e não dispensa o salto alto. Apenas, contou, recorre ao chinelo normal quando se trata de emergência no ramal.
A manobra do comboio é da responsabilidade do jovem Francisco José, que tem a missão de estar na linha-férrea, minutos depois do comboio partir da última estação.
A primeira tarefa do Francisco José é colocar a agulha para desviar a linha. Na conversa animada, aproveitamos a oportunidade para desvendar o “mito” segundo o qual, “quando se coloca a agulha na linha do  comboio a máquina descarrila”.
O operador com um sorriso nos lábios explicou, que não passa de um mito, pois, “não se trata da agulha para cozer roupa, mas sim, o ferro que atravessa as duas linhas para unir as trilhas que separam a primeira  da segunda linha do comboio”.
“A agulha é movimentada de um lado para o outro de modo a facilitar a manobra do comboio”, explicou.
Francisco José trabalha com três bandeiras na mão, sendo que levanta inicialmente a bandeira de cor amarela, para indicar o maquinista a reduzir a velocidade, a vermelha serve para indicar a paragem, e por último a verde para retomar a marcha. Antes de exibir a bandeira, Francisco José, é chamado para definir em que linha o comboio vai manobrar. Se estacionar o comboio na primeira linha, a manobra é feita na segunda e vice/versa.

Produtos transportados

Entre os produtos mais transportados, o destaque recai para o óleo de palma, múcua, carvão, limão, laranja, tangerina,
batata doce e inhame.
Francisca Imperial, de 27 anos de idade, ganha “a vida” nos pequenos negócios. Há dois anos no mercado, a empreendedora compra diferentes produtos no Dondo para comercializar em Luanda.
A múcua, por exemplo, está entre os produtos mais procurados em Luanda. Segundo contou, compra o produto a dois mil kwanzas e comercializa 3 ou 3.500 kwanzas, tendo confidenciado que é um negócio muito rentável.
“A múcua é um produto muito procurado, por isso, ando de bairro em bairro aqui no Dondo para a comprar. Semanalmente, chego a acumular até 14 sacos  de 150 quilogramas “, disse.
O CFL tem um percurso de 424 km de comprimento e liga Luanda a Malanje, capital da província, com o mesmo nome, passando pelo Cuanza Norte.