Em entrevista à Angop, o administrador financeiro daquela empresa pública, António Conceição, frisou que esta viagem será de pouco tempo, pois terá apenas quatro paragens, contra as actuais 56, no percurso de 905 quilómetros.
“Será um comboio rápido que tem uma pendente turística, com uma projecção, por isso, estamos a trabalhar com as agências de viagem e outros operadores afins para que seja lucrativo”, sublinhou.
Fez saber que o transporte de passageiro é efectuado apenas do Lubango ao Menongue (vice-versa), a razão de dez frequências semanais de segunda a sexta-feira, numa viagem de dez horas, devido às paragens, por serem composições mistas de carga e pessoas.
António Conceição informou que do Lubango ao Namibe transporta apenas carga, com realce para combustíveis, madeira e granito negro, assim como mercadoria de origem portuária.
“Não transportamos passageiros do Lubango ao Namibe por uma questão de competitividade com os autocarros, porque por estrada são 180 quilómetros, enquanto de comboio 243 devido ao contorno da serra da Leba, sendo economicamente inviável”, disse a fonte.
As obras de reabilitação do CFM, a cargo de chineses, começaram em 2006 e ficaram concluídas em 2014.
O Caminho-de-Ferro de Moçâmedes, que liga a cidade costeira do Namibe à Menongue, capital provincial do Cuando Cubango, no leste de Angola, começou a ser construído a 28 de Setembro de 1905 e ficou concluido a 6 de Dezembro de 1961.
Esta linha tem uma extensão total de 905 quilómetros, incluindo os ramais de ligação às antigas zonas mineiras da Jamba e Cassinga com cerca de 90 quilómetros.
O Caminho-de-ferro de Moçâmedes (CFM) transporta mais de 90 mil pessoas, cinco mil toneladas de carga e factura 30 milhões de kwanzas por mês.

Transporte de granito

As locomotivas do Caminho-de-ferro de Moçâmedes (CFM) terão este ano o monopólio do transporte de granito negro da Huíla para o Porto do Namibe, estando a empresa pública a finalizar a criação de condições para este fim.
A intenção foi manifestada à Angop neste domingo, no Lubango, pelo administrador financeiro da empresa, António Conceição, sublinhando que o projecto foi articulado entre os governos da Huíla e do Namibe, CFM, sectores de Geologia e Minas, bem como os exploradores de minério.
Informou que a empresa está a investir na construção de entrepostos de carga na comuna da Arimba (Lubango) e no Sacomar (Namibe), que servirão de pontos de origem dos blocos de granito e de destino, respectivamente, cujas obras serão concluídas brevemente.
Disse que actualmente a transportação deste produto tem sido feita por estrada, com todos os riscos possíveis.