A partir de agora, o transporte de minérios, como o ferro e ouro, nas minas do município da Jamba Mineira, província da Huíla, vai ser feito pelo comboio comercial dos Caminho-de-ferro de Moçâmedes (CFM), com a entrada em acção do ramal ferroviário Tchamutete/Jamba.
O comboio inaugural de passageiros começou a circular, na semana passada, com duas viagens semanais, segundo garantias do presidente do Conselho de Administração do CFM, Daniel Kipaxe, presente no acto de inauguração da rota, testemunhado pelo governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge.
Daniel Kipaxe disse que o comboio comercial está preparado para, neste primeira fase, transportar equipamentos e máquinas destinados para as minas de ouro e ferro das localidades de Mupopo e Tchamutete.
Revelou que os contactos com as empresas de exploração de minérios, que poderão exportar a partir do porto do Namibe estão em fase avançada.

“Comboio de enlace” em acção

A locomotiva do ramal Jamba-Tchamutete é denominada pelo CFM de “comboio de enlace”, por trazer os passageiros de Jamba e Tchamutete para
Menongue ou para o Lubango.
A circulação do comboio de passageiros e mercadoria no município da Jamba Mineira até a comuna de Tchamutete, acontece 35 anos depois da sua paralisação, e será feita duas vezes por semana, sendo às segundas e sextas-feiras.
O projecto enquadra-se no processo de reconstrução e modernização dos Caminhos-de-ferro de Angola. A composição, que partiu do entroncamento do Dongo até Tachamutete numa distância de 94 quilómetros, fez o percurso em cerca de uma hora, passando pelas estações de Carvalhais, Tuntunhé e Tchakaia. Depois de Tchamutete, o comboio seguiu pela primeira vez em três décadas
a sede municipal da Jamba.
O desvio para Jamba mineira está na estação de Carvalhais, num percurso de 16 quilómetros a partir do entroncamento principal do Dongo.
O PCA do CFM, Daniel Kipaxe, disse que o fluxo de passageiros e de carga dos comerciantes vai ser determinante para aumentar a frequência semanal.
“Arrancamos com duas viagens por semana. Estamos em crer que poderemos ter mais comboios a circular neste troço, a julgar pelo entusiasmo dos populares”, sublinhou, depois de garantir que “cumprimos com o grande desafio de lançar o comboio neste via para prestar serviço ao povo e para o bem do povo”.
Explicou que a tarifa entre o entroncamento do Dongo e Jamba, numa distância de 16 quilómetros, está fixada em 100 kwanzas. Do mesmo ponto até Tchamutete, cerca de 94 quilómetros, os passageiros pagam 300 kwanzas contra os mais de 1.000 cobrados pelos automobilistas.
A empresa está pronta para em breve dar início ao transporte de ferro a partir da Jamba mineira (Huíla) e Cuchi (Cuando Cubango).
Daniel Kipaxe informou que a empresa ainda não gera lucros porque o transporte de mercadorias pelas médias e grandes empresas estão abaixos dos níveis desejados.
O PCA do CFM acredita que depois do início da exploração de ferro, a empresa pode gerar mais rendimentos, capaz de contribuir para o retorno dos investimentos realizados pelo Estado angolano.
As estatísticas da empresa apontam para o transporte mensal de pelo menos 30 mil passageiros, no percurso Lubango/Menongue e uma factura média do período de cerca de 50 milhões de kwanzas.
Daniel Kipaxe frisou que os preços cobrados por passageiros são módicos para ajudar as populações.
“As tarifas estão de acordo com as tabelas de preço definidas pelo Ministério das Finanças”, disse, argumentando que “o comboio é um dos meios de transporte com capacidade de reduzir os custos das empresas no transporte de mercadorias”.

Facilitar o transporte

O administrador comunal de Tchamutete, Galiano Tyamba, mostrou-se satisfeito com a circulação do comboio no ramal, inaugurado.
Considerou que o comboio é um meios de transporte fundamental porque facilita o transporte de pessoas e mercadorias a baixo custo.
“Está é uma prova do desenvolvimento económico e social do país. É um momento de alegria e orgulho para a população, que vê os seus grandes problemas resolvidos com a chegada deste meio de transporte”, declarou.
Por seu turno, o soba grande do município, Luciano Intya, considera que com o apito do comboio no município da Jamba, a renovação de “esperança num futuro risonho”.
O soba destacou que com as tarifas baixas, há mais possibilidades para as populações levarem grandes quantidades de produtos do campo, como o milho, mandioca, batata-doce e rena, feijão e outros para outras partes da província, contribuindo no seu escoamento.
“Os táxis cobram até ao município da Matala, por pessoas três mil kwanzas, e daqui para o Lubango seis mil kwanzas. Do Dongo até a Chamutete os táxis cobram mil kwanzas. O camponês não aguenta. Agora com o comboio vamos pagar 300 kwanzas”, comparou.

Compromisso concretizado

Na ocasião, o governador da Huíla, João Marcelino Tyipinge, disse que a chegada do comboio à comuna é a concretização da promessa feita pelo Executivo angolano a população da localidade, justificando que o povo de Tchamutete merece também viajar de forma cómoda, segura e barata.
Disse que o arranque do projecto de exploração de ferro e ouro vai criar mais oportunidades de emprego para os jovens.
“Jamba é um município abençoado. Além do potencial agrícola, há aqui muita riqueza que vai ser levada pelo comboio. O povo da Jamba mercê ter um transporte condigno, seguro e barato para levar passageiros e mercadorias”, frisou.
O governante sublinhou as potencialidades mineiras do município da Jamba, que dispõe de reservas de cerca de milhões de toneladas de ferro e ouro. Referiu que o arranque do projecto a Jamba vai mais empregos e precisar do comboio para transportar o ferro e o ouro até ao porto do Namibe para sua exportação.

Ligação à Namíbia

O administrador municipal da Jamba, Miguel Cassela, quer ver os carris do CFM a ligar à vizinha República da Namíbia, a partir do ramal de Tchamutete.
O projecto de interligação do Caminho-de-Ferro de Angola com os de Países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral é antigo e já consta dos planos do ministério dos transportes.
O administrador pediu a materialização do projecto ferroviário, pela proximidade do ramal de Tchamutete com o país vizinho.
Destacou a importância estratégica do comboio no ramal Jamba/Tchamutete porque pode impulsionar o transporte de pessoas e bens, diversificação e estimular o desenvolvimento da economia com destaque para agropecuária, geologia e minas e o turismo.