Com tradição, créditos firmados na produção de batata rena, os agentes agrícolas do município do Chinguar, na província do Bié, querem transformar a localidade num potencial produtor de cana-de-açúcar e arroz.
Para que o projecto tenha base sólida está em curso desde Setembro do ano passado, na região, a primeira experiência piloto do cultivo de arroz e cana-de-açúcar, com o cunho do empresário agrário Alfeu Vinevala.
A fase experimental tem lugar numa extensão de mais de dois mil hectares, com sementes adquiridas na província da Huíla, que segundo o produtor vão dar

resultados esperados.
A cultura do arroz no Bié, tem tradição nos municípios do Cuemba, Camacupa e Cuito, onde em tempos idos, a produção do cereal era alta, porém a revitalização do
cultivo iniciou em 2009.
O Chinguar quer dar os mesmos passos. A iniciativa não termina no Chinguar. Agentes privados pretendem relançar a produção de arroz até 2022, abrangendo os municípios do Cunhinga, Andulo, Nhârea, Chitembo, Catabola e Chinguar. Enquanto em relação a cana-de-açúcar não há
registos produtivos no passado.
Alfeu Vinevala investiu mais de 120 milhões de kwanzas para aquisição de meios de trabalho, preparação dos solos, e garantir o aumento da produção agrícola da batata rena, hortícolas e outros.
A fazenda “Vinevala”, conhecida pela produção em grande escala de batata rena e milho. Tem preparados para este ano 464 hectares para produção de cerais, como o milho e trigo, e 200 hectares destinados
à produção de batata rena.
Com a preparação da terra, a fazenda espera colher 10.200 toneladas produtos agrícolas diversos, dos quais oito de batata rena, duas mil de milho e 200 de trigo.
A participação privada na produção do arroz está a tomar rumos acertados como é o caso da Fazenda Agro-Industrial de Camacupa lançada em Dezembro de 2012 resultante
da cooperação China/Angola.

Desafio
A produção anual do arroz está calculada em 30 mil toneladas inferior para superar a demanda do grão que já faz parte
da cesta básica do angolano.
O arroz é hoje o quarto produto mais procurado no país, depois do milho, da mandioca e do feijão, com necessidades anuais de 400 mil toneladas, em contra-partida há uma baixa de produção interna, calculada em 24.576 toneladas na campanha agrícola de 2015/2016, entre empresas agrícolas familiares (12.191) e agricultura empresarial (12.385).
Angola quer inverter, introduzindo, com o apoio em curso do Japão, as “melhores variedades” de arroz em cultivo por isso estabeleceu uma parceria
com o Governo japonês.

Potenciar o sector
Potenciar o empresariado nacional, criar mecanismos que facilitem apoiar a agricultura familiar são apontados pelo engenheiro agrónómo Pascoal Manuel de Castro como uma das medidas que poderão impulsionar a produtividade.
O entrevistado do JE revelou que é preciso criar sistema de rega que possibilite que a produção do arroz não seja feita só em Chanas abranja em tempo seco.
“É preciso criar mecanismos de apoio material ao produtor”, disse, depois de frisar que se deve valorizar a iniciativa da plantação da cana-de-açúcar, assim como a montagem de máquinas
de descasque do arroz.