Cerca de 400 investidores das dezoito províncias estiveram reunidos em Luanda para aprovar novo quadro de actuação e receberem recomendações.

A definição e implementação de estratégias mais adequadas ao actual desenvolvimento da economia angolana motivaram a realização, na semana passada, em Luanda, do fóum sobre o fomento do empresariado nacional.

Organizado pelo MPLA, o encontro que reuniu cerca de 400 participantes, entre governantes e empresários das 18 províncias do país, no Complexo Futungo II, visou ainda traçar um novo quadro político, económico e social para a concretização dos projectos sobre o relançamento da actividade empresarial, além de apresentar as formas práticas para se alcançarem os objectivos definidos neste domínio.

No seu discurso de abertura, o vice-presidente do partido, Roberto Victor de Almeida, disse que o Estado e a iniciativa privada têm de estabelecer uma forte aliança estratégica, porquanto o Estado não pode sozinho resolver os problemas do país, mas que, por outro lado, o sector privado, sem o apoio deste, não conseguirá reunir as condições que assegurem a sua robustez financeira, a fim de competir com as empresas internacionais de grande referência.

“O mercado e a iniciativa privada exercem uma função essencial na captação e distribuição de recursos, razão pela qual, o surgimento de grupos económicos nacionais fortes deve merecer o apoio do Estado”, lembrou, tendo acrescentado que este apoio deverá funcionar desde ao acesso às principais cadeias produtivas, aos contratos de fornecimento de materiais, equipamentos e matérias-primas, assim como a concessão das facilidades financeiras.

O líder partidário afirmou mesmo que, deste modo, responde-se às preocupações do Bureau Político (BP), que, na sua última sessão, realizada em Dezembro do ano passada, orientou o seu secretariado a planificar e realizar este amplo debate nacional de concertação com os diferentes parceiros.

Parcerias

Na sua visão sobre a estratégia de reforço da liderança que se pretende dos empresários nacionais ante a, cada vez maior, entrada de grupos de investidores externos no mercado local, o MPLA, na sua condição de organizador do encontro e de partido do Governo, apontou o estabelecimento de parcerias público-privadas como mecanismo de solução dos inúmeros problemas que afectam a nação. Para tal, as empresas angolanas devem despontar para o mundo com uma competitividade estrutural em determinados sectores de actividade, o que, desde logo, pressupõe a diferenciação e o reforço da qualidade dos seus produtos e serviços.

Deste modo, e conforme ficou expresso na sua manifestação de vontade, pretende-se a criação de vantagens comparativas dinâmicas, que sejam capazes de sustentar o posicionamento nos segmentos das cadeias produtivas de maior valor acrescentado.

Prioridade nacional

Uma das grandes conclusões a que chegaram os participantes e organizadores do amplo debate sobre o fomento do empresariado nacional tem a ver com a necessidade de capitalização e expansão de muitos empresários nacionais. O ponto de partida avançado no encontro refere-se à participação angolana no processo de aquisição de bens e serviços, assim como na realização de investimentos pelo Estado, uma vez que, neste capítulo, o país gasta todos os anos cerca de 10 mil milhões de dólares.

Assim, às empresas detidas maioritariamente por angolanos pede-se a concessão de um papel estratégico e privilegiado, tendo sido apontado os sectores da energia eléctrica e renováveis, petróleo e derivados, indústria do ferro e do aço, pescas e construção naval, distribuição alimentar, cimento e materiais de construção, habitação, vestuário e mobiliários, entre os que devem ver reforçados a participação e controlo efectivo dos empresários nacionais, por meio de um papel proteccionista do Estado.

Modelo de implementação

Para tornar realidade todas as decisões e estratégias definidas no seu amplo programa de reforço da capacidade financeira dos agentes nacionais que lideram os diferentes sectores produtivos, está prevista a criação de uma Sociedade Gestora de Capital de Risco, entidade que se vai encarregar de gerir o fundo de fomento do empresariado nacional.

Detida por percentagens diferentes entre o Estado, através do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e a Sonangol e alguns bancos privados angolanos, que deverão ser seleccionados pelo Estado, a sociedade a criar vai ter a sua responsabilidade as receitas extraordinárias do petróleo e a poupança fiscal, resultante da redução dos subsídios aos combustíveis.

Esta entidade será também a principal responsável pela assessoria técnica, tomada de acento na gestão, treinamento de alta administração, estruturação financeira de projectos, acompanhamento e controlo de participações, com distinção entre o empresário angolano com capacidade financeira e sem capacidade.

O encontro concluiu ainda na apresentação, em breve, de um relatório sobre o estado do sector empresarial do país, sua contribuição e as estratégias que vão demarcar a sua acção nos próximos tempos.

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