A Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) em Cabinda arrecadou 700 milhões de kwanzas, durante o período de Janeiro a Julho do ano em curso, com a cobrança do fornecimento de energia eléctrica, nos seus clientes dos segmentos pré e pós-pagamento, o que representa 78 por
cento da previsão de cobrança.
O director provincial da Ende, José Carlos Bravo da Rosa, que avançou a informação, em entrevista ao JE, disse que o valor arrecadado não representa o montante previsto para a empresa, estimado em 900 milhões de kwanzas.
De acordo com o gestor, a receita arrecadada impossibilitou a Ende de investir nos projectos de melhoramento da rede de distribuição, recuperação dos equipamentos e superação das avarias com o objectivo de se melhorar o fornecimento de energia eléctrica à província de Cabinda. Garantiu que a fraca arrecadação de receitas deve-se às “constantes falhas” no pagamento da energia eléctrica consumida por parte dos clientes.
“A dívida das instituições do Estado, como Hospitais, Escolas, órgãos de Comunicação Social, Postos Médicos, Polícia Nacional e outros organismos está avaliada em 366 milhões de kwanzas”, informou.
Reconheceu que algumas instituições estão com dificuldades financeiras, “mas temos apelado para que façam pelo menos um pagamento parcelar, porque essas dívidas causam muitos transtornos no que diz respeito à arrecadação de receitas para se apostar em novos investimentos”.

Vandalização
O director provincial da Ende mostrou-se perocupado com o elevado índice de vandalismo que se assiste na rede de pré e pós-pagamento por parte dos clientes e de outras pessoas que têm também efectuado ligações directas à rede, o que tem causado enormes prejuízos na arrecadação de receitas.
“Há clientes que se furtam de pagar o serviço que é disponibilizado pela empresa”, precisou.
José Carlos Bravo da Rosa destacou que a empresa tem estado a desenvolver acções de mobilização, de cobranças e até de cortes, medida que visa sensibilizar os clientes apagarem o que consomem.
“Por causa destes incumprimentos, vamos redobrar os trabalhos de sensibilização, porque cada cliente deve ter consciência de que os serviços que prestamos devem ser pagos”, sublinha.
Frisou que estes serviços têm custos e os valores arrecadados “não servem para novos investimentos para o atendimento de novas áreas e a conquista de novos clientes para se manter a rede estável e em condições”.
Acrescentou que com a destruição que se assiste na rede de distribuição, a negligência no pagamento da energia eléctrica e o vandalismo da rede técnica (armários e postos de transformação para o roubo do cobre) dificilmente a Ende vai conseguir atingir os seus objectivos.